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09/05/2019 - Pecuária

Novo boi do Centro-Oeste é alimentado por replantio e rastreado via celular


Pecuaristas da divisa dos estados de Goiás e Mato Grosso desenvolveram uma nova raça de gado de corte, a Araguaia, que carrega características genéticas dos touros Blond D’Aquitaine, Caracu e Nelore. Os animais são criados com alimentação baseada, prioritariamente, em pastagem de replantio. O objetivo é reduzir os impactos da atividade no meio ambiente e, por apresentar animais com maior bem-estar, produz uma carne mais magra, considerada de alta qualidade e que pode ser rastreada pelo celular.

A raça Araguaia foi desenvolvida pelo pecuarista Raul Almeida Moraes Neto e o geneticista Gismar Silva Vieira e tem manejo simples. É por meio do replantio de árvores nativas que são garantidas sombras para o bem-estar animal. “Quando se promove o sombreamento e a regeneração das árvores, o solo também é beneficiado. As raízes o protegem de erosões e trazem os nutrientes da camada mais profunda para a parte da superfície”, explica Moraes Neto.

Com bem-estar, o gado tem maior ganho de peso e torna-se mais fértil e, consequentemente, produz uma carne mais macia, saborosa e suculenta. Esta não é, no entanto, na visão de Raul, o principal benefício da pecuária regenerativa. Para ele, a maior vantagem é o fato de a carne transformar-se um ativo em prol de reduzir impactos negativos desta atividade econômica no meio ambiente.

“A grande demanda do planeta hoje é por produtos sustentáveis que contribuam com o planeta. A árvore e o pasto retêm o carbono da atmosfera. Ela ainda serve de alimento para pássaros e insetos. Então, além de tudo, contribuímos com a fauna e a flora local”, acrescenta.

Na Fazenda Santa Rita, em Torixoréu (MT), onde atualmente são criadas mais de 1.200 cabeças de Araguaia, a alimentação dos animais é baseada em pastagem de replantio e complementada com ração. A meta para 2019 é que sejam abatidas pelo menos 500 cabeças.

A nova raça agrega as principais características das três que a originaram. Da francesa Blond D´Aquitane (47%) incorporou a alta conversão alimentar e a musculatura farta e bem distribuída; da Caracu (28%) tem a rusticidade e a elevada produção de leite, proporcionando bezerros mais pesados na desmama; e do Nelore (25%) herdaram a capacidade para se adaptarem ao clima seco e de altas temperaturas típicos do cerrado.

Em 2013, a Araguaia teve seu registro concedido pela Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ). A expectativa é que, em outubro deste ano, seja inaugurada a estação de monta para viabilizar a venda de sêmen.

Rastreamento
Guilherme Nogueira, sócio proprietário da Origem Premium, empresa que comercializa a proteína em São Paulo, explica que os resultados do manejo sustentável podem ser sentidos na mesa do consumidor. A carne da raça Araguaia tem menos 30% de índice gordura intrínseca, uma exigência crescente do mercado por produtos de alta qualidade e com maior valor agregado.

Os animais podem ser rastreados via celular para avaliação da procedência da proteína por meio do chamado QR Code. É possível checar informações sobre a fazenda onde o gado é criado no estado mato-grossense até o frigorífico Cowpig, em Itupeva (SP), local de abate. “Pelo celular, o consumidor tem a garantia de que está adquirindo uma carne de animal que não é de confinamento. O bem-estar animal faz toda diferença”, finaliza Nogueira.

Por Thaisa Visentin
Fonte: Globo Rural




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