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01/03/2018 - Soja

Na BR-163, a reboque de um trator


Em trechos mais críticos, Exército forma fila de caminhões e oferece ‘tração extra’ em subidas.

A BR-163, principal via de escoamento da soja produzida em Mato Grosso, não repetiu em 2018 o caos do ano passado, quando caminhões ficaram atolados no trecho sem asfalto da estrada. Isso não quer dizer, porém, que os problemas estejam resolvidos. A reportagem do Estadão/Broadcast está percorrendo mil quilômetros entre Sinop (MT) e o Porto de Miritituba, no Pará, e se deparou ontem com uma fila de caminhões que se estendia por 15 quilômetros, nos dois sentidos da estrada, nos arredores de Moraes de Almeida, Sudoeste do Pará.

Depois dos problemas do ano passado, o governo federal havia assumido o compromisso de que a rodovia, conhecida como Cuiabá-Santarém, seria plenamente asfaltada, interligando a produção de Mato Grosso aos portos fluviais do Pará – o que não aconteceu. No trecho de terra batida que a reportagem percorreu entre terça-feira e ontem, a situação continua tão ruim que obriga o Exército a limitar o número de caminhões que circulam em determinados trechos.

Infraestrutura
Os soldados também montaram barreiras nas estradas, retendo os veículos por várias horas e limitando o total de caminhões autorizados a seguir adiante. Isso muitas vezes obriga os motoristas a passar a noite em filas em diferentes cidades do Pará. Em algumas áreas, a situação é tão ruim que um trator do Exército ajuda a puxar os caminhões sem potência para superar os trechos mais precários.

A viagem de mil quilômetros da reportagem selecionou os trechos que permaneceram nas mãos do governo – outras partes da rodovia já foram concedidas à iniciativa privada. A viagem poderá ser acompanhada pelos leitores em vídeos que estão sendo publicados diariamente no portal estadao.com.br.

Problemas. Embora a imagem do atoleiro de caminhões de 2017 não esteja se repetindo este ano, a reportagem constatou nos últimos dias que a situação é bastante precária. No trecho mato-grossense, a estrada começa em boas condições, com poucos problemas, mas a situação vai piorando à medida que os motoristas rumam para o norte.

Nos primeiros 400 quilômetros da viagem iniciada em Sinop, os buracos eram raros e havia obras de manutenção em pontos críticos. Nos trechos seguintes, no entanto, o estado de conservação piorou bastante e o que se viu foi uma rodovia abandonada, com valetas e uma disputa entre carros e caminhões pelos poucos espaços onde o asfalto ainda é transitável – em alguns momentos, o veículo da reportagem teve de andar na contramão para evitar buracos. E isso sem contar a parte de estrada de terra, onde o Exército é obrigado a intervir.

Justificativas. O governo federal admite que há muito a fazer para completar o asfaltamento da BR-163. No início do mês, o Departamento Nacional dos Transportes informou que ainda tem 160 km em obras, que serão entregues somente em novembro. Já o batalhão de engenharia e obras do Exército, que atua em outros 60 km, só deve concluir sua parte das obras no fim de 2019.

Por: Gustavo Porto

Fonte: Estadão/Broadcast




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