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30/07/2020 - Milho

Mudanças climáticas podem reduzir em até 10% o plantio de milho safrinha no Brasil


As mudanças climáticas podem afetar em até 10% o plantio de milho segunda safra no Brasil até 2035. A conclusão é de um estudo liderado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) em âmbito internacional.

A pesquisa faz parte de um acordo de cooperação com o Belmont Forum, iniciativa internacional entre organizações e conselhos composta por cientistas em todo o mundo. Por sua vez, esse estudo integra um grande projeto com 25 pesquisadores internacionais de Estados Unidos, China, Reino Unido e outros.

Para chegar a conclusão sobre o grão brasileiro, foram analisados os dados de produtividade dos 10 maiores Estados produtores de milho e soja entre 2001 e 2018 através de um modelo baseado em agentes para mudanças no uso da terra. Nos 17 anos, a área plantada registrou um aumento médio de 1,75% ao ano.

No caso do milho safrinha, o problema é que a produção, ao final da colheita da soja, ocorre em março, período em que há uma redução da disponibilidade d’água com o menor volume das chuvas.

"E se a duração da estação chuvosa no Mato Grosso for insuficiente para a produção de duas safras? Ou mesmo no Matopiba, área que sai do Cerrado e pega parte da Caatinga? Eventos como a seca podem ser mais drásticos nessas regiões", analisa Mateus Batistella, pesquisador da Unicamp e da Embrapa Informática Agropecuária.

Crescimento exponencial
Mateus Batistella lembra que, há 15 anos, o plantio do milho segunda safra era incipiente no Brasil. No entanto, a produção do grão (segundo maior grão da produção brasileira) cresceu e a área plantada na segunda safra saiu de 3,1 milhões de hectares para 13,6 milhões de hectares.

Além disso, o montante decorrente da entressafra somou 73,5 milhões das 100 milhões de toneladas de milho produzidas no país em 2019/2020. “Com o aperfeiçoamento dos sistemas tecnológicos, foi possível acomodar duas safras no sistemas produtivos”, ressalta.

Batistella lembra, no entanto, que a incidência de fenômenos naturais vem ocorrendo com maior frequência nos últimos anos, a exemplo do El Niño, fator que pode comprometer o futuro da produção brasileira.

Um exemplo mais claro das mudanças climáticas foi a estiagem na agricultura gaúcha entre dezembro de 2019 e janeiro deste ano. Cálculos da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) estimam que a quebra de safra foi de 27% para o cultivo de milho e de 39% para as áreas de soja, com prejuízos de R$ 36 bilhões para a economia gaúcha.

Segundo o pesquisador, os riscos apontados no levantamento indicam a necessidade de ações de governança regional e local da produção. Para evitar possíveis problemas, ele sugere medidas como a ampliação dos sistemas de irrigação nas propriedades rurais e o aumento de variedades de sementes resistentes à seca - o que pode reverter possíveis prejuízos.

Outra solução, diz ele, é a diversificação de diferentes culturas em uma mesma propriedade, com a adoção da integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), sistema desenvolvido em 2005 visando a manutenção da saudabilidade da produção, o aumento de produtividade e a eliminação de pragas.

Não menos importante é a preservação ambiental dos biomas brasileiros, o que ajuda a manter limpa a água utilizada no sistema produtivo e os nutrientes necessários no solo para boas produtividades no longo prazo. “A relação entre clima e chuva afeta o capital do solo. Essa curva pode ter maior oscilação, gerando imprevisibilidade nos sistemas produtivos”, avalia Batistella.

Por Fernando Barbosa
Fonte: Globo Rural




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