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28/09/2020 - Pecuária

Movimento é de valorização contínua da arroba


Ao longo da semana passada, os preços do boi gordo subiram em todas as principais praças pecuárias do Brasil, reforçando a tendência altista no mercado. O movimento de valorização da arroba continua tendo suporte na enorme escassez de oferta de animais terminados, relata a IHS Markit. Essa falta de boiadas prontas reflete o período de entressafra no Brasil e menor alojamento de animais nos confinamentos de 2020, em função principalmente dos preços elevados dos insumos que compõem a ração animal, como o milho e farelo de soja.

Neste contexto, observa a IHS, mesmo em um momento redução no consumo da proteína no mercado interno – devido ao período de final de mês, quando teoricamente sobra menos dinheiro no bolso dos trabalhadores –, os preços pagos pela arroba bovina seguem com forte viés altista, sem espaço, ao menos no curtíssimo prazo, para ajustes negativos.

“Desde o início do ano, a restrição de oferta de boiada é observada de forma generalizada em todo o Brasil e confirmada por dados indicativos do setor”, ressalta a IHS, citando informações relativas aos frigoríficos do Mato Grosso, o Estado com maior rebanho bovino do País. Lá, segundo relatório recente do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imeia), a utilização da capacidade industrial ficou em 72,1% em agosto passado, quando em igual período de 2019 esse percentual era 81,5%.

Essa menor utilização industrial, analisa a IHS Markit, é um indicativo da enorme dificuldade das plantas frigoríficas do Mato Grosso em preencher as programações de abate, reflexo da menor disponibilidade de gado.

Sobe geral
Entre as principais praças pecuárias pesquisadas pela IHS Markit, todas apresentaram aumento na arroba frente à semana anterior. Na comparação à 2019, esses avanços são ainda mais expressivos, evidenciando o momento que vive o setor.

No Pará, por exemplo, o acréscimo no preço da arroba chega a 65% se comparado ao valor de igual período do ano passado. Em Marabá, o preço atual do boi gordo está em R$ 250/@, a prazo, enquanto em Paragominas vale R$ 247/@, segundo dados da IHS. “No Pará, alguns frigoríficos alegam só conseguir preencher as programações de abate mediante utilização de gado próprio ou comprado no mercado a termo”, informa a consultoria.

Exportações seguem em ritmo forte
A pressão sobre as escalas de abate das indústrias é resultado principalmente dos compromissos de fornecimento de carne bovina ao mercado internacional, que segue com demanda forte, principalmente por parte da China.

Resultado preliminar divulgado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostra que os embarques de carne bovina “in natura” ao longo dos primeiros 13 dias úteis de setembro continuaram com volumes expressivos, apesar de leve desaceleração com relação ao mês anterior. A média foi de 7,26 mil toneladas exportadas por dia no período. Na comparação com setembro do ano passado, o resultado representou um avanço de 10,24%.

Por sua vez, a receita obtida com os embarques foi de US$ 386,05 milhões nos 13 dias de setembro, com uma média diária de 6,84% acima da obtida no mesmo mês do ano passado.

Por Denis Cardoso
Fonte: Portal DBO




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