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06/01/2020 - Outros

Monitoramento do clima contribui para bom desempenho na produção


Todos os dias, o empresário rural mineiro Mauricio Silveira Coelho, do Grupo Cabo Verde, monitora as condições de temperatura, umidade, chuva, pressão e evapotranspiração nas lavouras, confere as previsões climáticas para os próximos 11 dias e recebe orientações das áreas que devem ser irrigadas na Fazenda Santa Luzia, em Passos (MG). Esse trabalho foi facilitado a partir de 2017, com a instalação de estações meteorológicas em todas as propriedades do grupo, um dos maiores produtores de leite do país, além de soja, milho, café, suínos e gado de corte.

Como Mauricio, muitos produtores rurais descobriram nos últimos anos como “traduzir” o clima de forma a melhorar a produtividade de seu negócio.

Patricia Diehl Madeira, meteorologista e diretora de produtos e conteúdo da Climatempo, afirma que não existe planejamento ou gestão do agronegócio sem dados meteorológicos. Para ela, a ciência que estuda os fenômenos atmosféricos que influenciam nas condições climáticas evoluiu muito desde que os primeiros modelos numéricos possibilitaram elaborar a previsão do tempo.

“Na década de 1950, você só tinha o resultado do que ia ocorrer depois que acontecia, porque os cálculos demoravam muito. Agora, com mais tecnologia e rapidez na resolução das equações, dá para saber o que vai acontecer em minutos, amanhã, em uma semana ou em 15 dias com bastante precisão.”

A resolução espacial também avançou bastante. Hoje, o monitoramento padrão dos serviços públicos é de 40 quilômetros quadrados. Empresas privadas observam áreas de 9 quilômetros quadrados, mas já há modelos capazes de rodar previsões localizadas para áreas de 1 quilômetro quadrado. O que falta são supercomputadores para o cálculo matemático.

Além das previsões mais imediatas, há serviços de tendências sobre as possibilidades de chuvas e variações de temperatura com antecedência de seis meses ou um ano. A acurácia da previsão depende de quanto se quer antecipar, da região, da localização da fazenda e da resolução espacial requerida. Um radar ou uma estação meteorológica instalada na propriedade rural eleva muito essa precisão.

O diretor do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), Francisco de Assis Diniz, diz que o órgão deu muita ênfase ao atendimento a agricultores nos últimos anos, acompanhando o crescimento do agronegócio. São medidas temperatura, umidade relativa do ar, direção e velocidade do vento, pressão atmosférica, precipitação, entre outras variáveis.

CREDIBILIDADE
Além das informações dos satélites, o país tem 565 estações meteorológicas públicas automáticas de superfície, com transmissão de dados online, e outras 230 convencionais, que dependem da coleta de dados três vezes ao dia por um observador, além de oito estações de sondagem de ar superior, as radiossondas.

O plano de Francisco é instalar neste ano mais 20 ou 30 estações já adquiridas da Finlândia, por cerca de US$ 30 mil cada uma. A compra de outras 100 unidades já foi requerida ao governo pelo instituto ligado ao Ministério da Agricultura. A instalação, por questão de segurança, é feita em áreas de universidades, do Exército, cooperativas ou institutos federais. “Já tivemos quatro ou cinco vandalizadas nos últimos anos.”

Apesar da credibilidade que a meteorologia alcançou no campo, Francisco Diniz concorda com os colegas que a malha de estações ainda é pequena na comparação com outros países desenvolvidos. Atrapalham também o fato de muitos produtores se recusarem a abrir os dados medidos nas estações em suas propriedades e a falta de conectividade em parte da zona rural para a transmissão online.

Um consenso entre os especialistas é que a rede de dados de meteorologia do país precisa ser ampliada e todos os dados devem ser compartilhados, incluindo os privados, para uma maior precisão das previsões.

Patricia Diehl afirma que, embora não seja ainda a maioria, cada vez mais produtores estão buscando serviços de empresas privadas para agregar aos dados públicos, visando melhorar as previsões climáticas focadas em sua propriedade.

A Climatempo, que oferece serviços gratuitos de previsão meteorológica há mais de 20 anos, lançou, em 2017, o AgroclimaPro, que fornece previsões geolocalizadas no celular ou na web. São previsões feitas para a fazenda, com análise dos dados, visando facilitar a tomada de decisões. Hoje, são atendidos 1.100 produtores.

A Agrosystem, empresa de agrometeorologia fundada em 1989 e pioneira na instalação de estações online no país, lança na Agrishow deste ano a plataforma AgrosystemCloud, em parceria com a norte-americana DTN, a maior prestadora de serviços meteorológicos comerciais do mundo e reconhecida por previsões climáticas de alta precisão.

Isadora Campedelli, coordenadora de novos negócios da companhia brasileira, diz que, além de previsões localizadas para as próximas 72 horas e 15 dias e mapa de chuvas em tempo real, o sistema dará ao produtor ferramentas como calendário de pulverização, calendário de entrada de máquinas e calculadora de acúmulo de precipitação. A partir de outubro, a plataforma vai oferecer também monitoramento e controle de pragas.

SERVIÇOS
Há também opções públicas de monitoramento de clima específicas para o agronegócio. O Inmet, por exemplo, desenvolveu o Sisdagro (Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária), com ferramentas para o monitoramento das condições agrometeorológicas até a data da consulta e previsões para os próximos cinco dias.

A Embrapa lançou o Agritempo, sistema de monitoramento climatológico e meteorológico que produz e permite o acesso, via internet, a boletins e mapas com informações sobre estiagem agrícola, precipitação acumulada, tratamentos fitossanitários, necessidade de irrigação, condições de manejo do solo e de aplicação de defensivos agrícolas.

Por Eliane Silva
Fonte: Globo Rural




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