Notícias

10/04/2019 - Outros

Método reduz uso de agrotóxicos em MT


Produzir melhor, com lucro para o produtor, menos impactos ambientais e alimentos mais saudáveis nas mesas dos consumidores é uma realidade possível por meio do manejo integrado de pragas (MIP).

O método permite diminuir o uso de agrotóxicos em grandes áreas produtivas. Monitorar continuamente a lavoura para conhecer e quantificar a incidência de pragas e seus danos é uma das ações básicas do manejo. A estratégia para proteger a plantação é definida com base na incidência de pragas. Existe uma preocupação em utilizar agrotóxicos apenas quando a população dos organismos que prejudicam as lavouras chegar a um nível de dano econômico. 

Entre as medidas mais usadas no MIP estão o controle varietal, com materiais genéticos resistentes ou tolerantes a determinada praga. Ou optar pelo controle biológico, com uso de inimigos naturais como vírus, bactérias e outros insetos. 

Outra alternativa é o controle comportamental, com uso de feromônios. Também é possível recorrer ao controle químico. Para introduzir o monitoramento, o MIP utiliza ferramentas como armadilhas luminosas, de solo ou de feromônio, panos de batida, além da observação nas plantas. 

Produtores rurais nos municípios matogrossenses de Nova Mutum e Vera, Otávio Tissiani e Paulo de Oliveira Neto apostaram no MIP e concluíram que é uma solução rentável para grandes áreas de lavouras. Eles apresentaram suas experiências durante a feira Show Safra BR 163, realizada em Lucas do Rio Verde (MT), no final de março. 

Tissiani relembra que os efeitos do MIP durante a safra 2013/2014, período em que o surgimento da lagarta Helicoverpa armigera causou grande preocupação nos produtores. Naquela safra, o monitoramento de 600 hectares de lavoura de soja fez com que a 1ª aplicação de inseticida fosse feita 60 dias após a semeadura. “No monitoramento eu via muitos insetos na lavoura, mas poucos deles eram pragas”, relata. 

Ao fim da safra, com menor número de pulverizações de inseticidas foi possível colher as mesmas 65,5 sacas que em outro talhão com a mesma cultivar de soja, porém com uma economia de R$ 97 por hectare. Foram R$ 58,2 mil de economia graças ao monitoramento, contabiliza o produtor. Recomenda que o monitoramento seja iniciado em uma pequena área, para que o produtor possa aprender e expandir o método. 

A experiência de Paulo de Oliveira Neto começou com um estágio em uma grande propriedade. Em um talhão de 90 hectares ele conseguiu economizar R$ 88,14 por hectare fazendo o MIP. Obteve, inclusive, produtividade superior à área de referência. 

O aprendizado no estágio foi levado para a propriedade da família. A safra 2016/2017 sem passou sem qualquer aplicação de inseticida em alguns talhões de sua lavoura. Para chegar ao sistema de manejo atual os dois produtores fizeram experiências menores antes de ampliar a área com MIP. Além de ganhar confiança na tecnologia, calibraram os níveis de controle e as decisões de acordo com as características da lavoura, do clima, de mão de obra e maquinário, entre outros. De acordo com o pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril, Rafael Pitta, não existe manejo certo ou errado. 

O MIP mostra que é possível fazer de uma maneira mais barata sem ter perdas de produtividade, constata, com base em pesquisa da entidade. Segundo ele, a economia gerada pelo MIP custeia a contratação dos serviços de um técnico agrícola para fazer o monitoramento das pragas na lavoura em até 2 mil hectares e ajudar em outras tarefas na propriedade. 

Controle biológico 
Essa técnica de manejo agrícola consiste em controlar as pragas e insetos transmissores de doenças a partir do uso de seus inimigos naturais, que podem ser outros insetos benéficos, predadores, parasitóides e microrganismos (fungos, vírus e bactérias). 

O principal benefício deste método é utilizar, no combate às pragas, inimigos naturais que não deixam resíduos nos alimentos e são inofensivos ao meio ambiente e à saúde da população. Utilizar microrganismos para o controle de pragas e doenças também contribui para potencializar a função das plantas e a absorção dos nutrientes, resultando em maior produtividade e rentabilidade. É uma alternativa que beneficia produtores e consumidores. 

De acordo com o professor Flávio Medeiros, do Departamento de Fitopatologia da Universidade Federal de Lavras (UFLA), estudos mostram que com medidas de controle é possível reduzir em até um terço os custos de produção. 

Destaca, ainda, os benefícios para o consumidor, já que a alternativa atende às exigências do mercado na busca por alimentos mais saudáveis. Porém, essa redução na contaminação de alimentos e do meio ambiente pela maior adoção do controle biológico ainda recebe pouco reconhecimento por parte do consumidor nacional na melhor remuneração da produção agrícola. 

Nesse ponto, difere do comportamento de consumidores de outros países, como a França. Ainda assim, a percepção dos produtores brasileiros tem mudado ao longo dos anos em relação à técnica. “Nos últimos dez anos, o uso de controle biológico tem crescido muito no Brasil”, destaca. 

Por Silvana Bazani
Fonte: A Gazeta




Mantenha-se atualizado com o Agro KLFF

Cadastre-se e recebe diariamente as novidades do mercado

2016 Portal KLFF. Todos os direitos reservados.

Termos de uso. Política de privacidade.