Notícias

26/04/2019 - Mercado

Meta é aproximar o campo da cidade


Gustavo Junqueira, atual secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, é a nona geração de agricultores de sua família, que é natural de Orlândia, cidade no interior do estado. À frente da pasta, ele aposta em pesquisa e inovação para alavancar o agronegócio paulista. Abaixo, os principais trechos da entrevista.

Qual é o peso do agronegócio para a economia do estado?
O agro precisa ser dividido em antes da porteira, que é toda a parte de insumos; dentro da porteira, a produção direto da terra; e o pós-colheita, que é a indústria de alimentos. Quase tudo relacionado a insumos é produzido em São Paulo e exportado para os outros estados. Quase tudo de sofisticado também está em São Paulo, as grandes multinacionais estão em São Paulo. Já a produção agrícola é menor porque o estado foi se sofisticando, é mais industrializado e com mais serviços. Não dá mais para separar a economia em primária, secundária e terciária. A parte dentro da porteira tem uma representatividade menor, algo em torno de 8%. Mas o conglomerado do agro passa de 30%.

Quanto do orçamento do estado é direcionado à pasta?
O orçamento está concentrado em segurança, saúde e educação. A Secretaria da Agricultura tem um patrimônio grande, várias fazendas experimentais. Estamos presentes em 594 dos 645 municípios. Todos têm uma Casa da Agricultura; estamos falando de 4 mil funcionários. Mas o orçamento em si, apesar da sua magnitude, representa 0,34% do orçamento do estado. Menos de 0,5%, o que dá R$ 800 milhões, por aí.

Não é muito pouco?
Se fizermos uma comparação, R$ 800 milhões é uma empresa grande, com faturamento alto, e 4 mil trabalhadores são muitos funcionários. A Secretaria de Agricultura é responsável por toda a parte sanitária dos produtos de origem animal e vegetal. Temos seis institutos de pesquisas com mais ou menos 500 pesquisadores, onde 80% são PhD. Lembrando que a Secretaria da Agricultura é a segunda mais antiga do estado de São Paulo; a primeira foi a de Justiça. Portanto, o conhecimento dos institutos data de quase 130 anos, enquanto a Embrapa tem 46 anos.

Mas vários institutos estão sucateados, não?
O fato é que institutos como Instituto Agronômico de Campinas, o Instituto Biológico, o Instituto de Zootecnia e o Instituto de Alimentos têm um patrimônio grande, e a manutenção é cara. Quando se olham a alvenaria e a infraestrutura, parecem prédios cansados. Mas, quando se olha para a parte das pesquisas, dos laboratórios, do que os pesquisadores estão desenvolvendo, nós estamos em várias áreas no estado da arte. Grande parte das pesquisas em melhoramento genético e ganho de produtividade em cana-de-açúcar está dentro da Secretaria de Agricultura. A área de controle biológico também; controle das pragas não por agentes químicos, mas por agentes biológicos.

Falando em pesquisas, quais os projetos de curto, médio e longo prazo?
Estamos discutindo os pilares que vão orientar a pesquisa e a inovação. A ideia é traçar um cenário para daqui a 50 anos, do que as pessoas estarão comendo, vestindo, quanto da saúde humana será derivada dos produtos alimentícios, da produção em si. A partir disso, vamos definir com nossos pesquisadores os estudos que deverão ser feitos. Esse é um dos desafios que vão exigir um trabalho conjunto não só do estado, mas do setor privado. Tenho conversado com setores de tecnologia, mobilidade, conectividade, tudo que estará influenciando. Hoje, temos uma grande pulverização da pesquisa, o que dificulta a orientação.

Algo mais a acrescentar?
Nós temos um programa que se chama Cidadania no Campo. Estamos trabalhando no detalhamento dele para convergir as ações não só da Secretaria da Agricultura, mas das demais secretarias: Segurança, Saúde, Desenvolvimento Econômico e Defesa Civil. Queremos um campo mais presente, mais conhecido da população que vive na cidade, para que os embates sejam mais equilibrados na decisão de política pública.

Algum outro projeto saindo da cartola?
Temos o Rotas Rurais, um programa da Secretaria de Agricultura que tem a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) como um dos apoiadores. Vamos mapear as estradas rurais de terra do estado de São Paulo. Estamos falando de um estudo que pode chegar a 300 mil quilômetros. Hoje são 200 mil mapeados, mas existem rotas que não são do domínio público. A finalidade é dar um endereço para cada uma das propriedades existentes no estado: 350 mil estabelecimentos rurais. Atualmente, se eles compram algo online ou ligam para a polícia, não há como entregar o produto, não há como atender o cidadão.

Fonte: Caderno Agro (Estadão) - http://tempuri.org/tempuri.html




Mantenha-se atualizado com o Agro KLFF

Cadastre-se e recebe diariamente as novidades do mercado

2016 Portal KLFF. Todos os direitos reservados.

Termos de uso. Política de privacidade.