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18/09/2019 - Soja

Mesmo com quebra de safra, soja dos EUA preocupa produtores do Brasil


Os Estados Unidos fecharam o ano comercial agrícola 2018/19 há duas semanas. Os números não foram animadores e mostram uma grande perda do país no mercado externo de grãos.

O Brasil foi um dos grandes ganhadores, mas o que vem pela frente pode eliminar esse ganho temporário dos brasileiros.

Números compilados pela AgRural indicam que os Estados Unidos recuaram de um patamar de exportações de soja de 58,1 milhões de toneladas em 2016/17 para 46,8 milhões em 2018/19.

Nesse mesmo período, o Brasil subiu de 60,3 milhões para 75,5 milhões de toneladas. Por trás desses números, está a guerra comercial provocada por Donald Trump entre Estados Unidos e China.

No período 2016/17, os americanos haviam exportado 36,1 milhões de toneladas de soja para os chineses.

Já de setembro de 2017 a agosto de 2018, as vendas externas dos EUA para o país asiático se limitaram a 13,4 milhões. No mesmo período, os brasileiros saltaram de 46,6 milhões para 60,5 milhões.

Como disse o economista Larry Summers à repórter Érica Fraga, a imposição de tarifas reduz a competitividade dos produtos americanos, dificultando a venda deles no mercado externo.

Os americanos perderam muito espaço também nas vendas de sorgo, produto em que eles não enfrentam a concorrência dos brasileiros. Há três safras, os americanos exportavam 7 milhões de toneladas para os chineses. Na mais recente safra, as vendas caíram para apenas 601 mil toneladas.

Trump está ciente desses estragos na agricultura e adiou mais uma vez a entrada em vigor de novas tarifas contra produtos chineses nas importações americanas.

Assim como ele fez com o México, um dos principais importadores agrícolas dos Estados Unidos, tenta controlar o ímpeto chinês.

O problema para os brasileiros é que, no pacote de negociações, Trump coloca como primordial um retorno da China às importações de produtos agrícolas.

Olhando os números da safra atual de soja dos americanos, esse não seria um grande problema para os brasileiros. Os EUA voltam a produzir abaixo de 100 milhões de toneladas, após terem atingido 124 milhões na safra passada.

Os americanos terminaram a safra 2018/19, no entanto, com 27 milhões de toneladas estocados, um recorde histórico. Qualquer aceno de negociações entre as duas potências deverá começar pela soja, uma vez que a intenção do presidente dos EUA de “invadir a Europa com soja americana” não deu certo, até porque os europeus têm um limite de compras da oleaginosa.

O México tem tornado a vida dos agricultores dos Estados Unidos menos árdua nas safras mais recentes. As importações mexicanas de soja subiram para 5 milhões de toneladas, bem acima dos 3 milhões de há três safras.

Os mexicanos foram importantes também na compra de milho. As importações somaram o recorde de 15,5 milhões de toneladas da safra passada, bem acima dos 10,7 milhões do período de 2014/15.

O México é fundamental para o milho dos americanos. À espera de uma grande quebra na produção do cereal nesta safra, o que não deve ocorrer, os americanos seguraram o produto e perderam o tempo ideal de vendas. 

Brasileiros, argentinos e ucranianos ocuparam o vácuo deixado pelos americanos.

A safra de milho dos Estados Unidos, ao contrário do que se previa, praticamente volta ao normal, apesar das incertezas geradas no período de plantio. Nesse caso, a China tem pouca interferência no mercado americano, uma vez que as importações do cereal feitas pelo país asiático se limitam, em média, a 300 mil toneladas do produto por safra.

Por Mauro Zafalon
Fonte: Folha de S.Paulo




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