Notícias

21/11/2019 - Outros

Mais da metade dos químicos aplicados não cai nas plantas


Pessoas qualificadas a  fazer uso da tecnologia é o ingrediente-chave para a eficiência da aplicação de agroquímicos nas lavouras brasileiras. A opinião é de Fernando Gonçalves, presidente da Divisão Agrícola da Jacto, uma das fabricantes líderes do segmento de pulverização no país. Segundo o executivo, problemas de deriva, como os ocorridos no Rio Grande do Sul, poderiam ter sido evitados com capacitação de pessoas no campo. Sobre o avanço do uso de drones pulverizadores, Gonçalves acredita que o futuro terá espaço para diferentes tecnologias, que deverão ser aplicadas conforme a necessidade de cada lugar e cultura. 

Quando se fala em tecnologia de pulverização, quais os principais desafios hoje?
Temos níveis de desafios. O primeiro engloba coisas básicas, como regulagem de pressão de pulverizadores, uso adequado de pontas para aquilo que será usado (fungicida, inseticida, herbicida etc.) e manutenção dos equipamentos – que muitas vezes não são benfeitas por falta de conhecimento. Em um nível mais elevado, para ter ganhos maiores de produtividade, temos tecnologias avançadas que já estão no mercado. Por exemplo, acabamos de lançar o EletroVortex, que consiste na eletrização das gotas e um jato de ar que joga na parte baixa da planta. A tecnologia faz com que se economize produto. Mais da metade dos agroquímicos aplicados nas lavouras hoje não atinge as plantas, cai no solo ou se dissipa no ar. 

Se já existem tecnologias, o que está faltando para evitar casos de deriva, como os ocorridos no Rio Grande do Sul?
O desafio da agricultura não é tecnologia, mas sim ter gente qualificada para fazer uso dela. Já temos tecnologias para o produto cair na planta, e não no ambiente, mas precisamos de pessoas, de mão de obra capacitada. Temos demanda forte para qualificação no campo, começando do básico. 

Como avalia o avanço do uso de drones na pulverização, especialmente em culturas de alto valor agregado?
Não teremos no futuro uma tecnologia única. Os drones estarão junto com os pulverizadores terrestres e com os aviões agrícolas. Cada lugar e cultura têm sua forma de aplicação mais indicada. Para conter uma reboleira (doença de solo que ataca plantas em áreas definidas, visualizadas em manchas na lavoura), por exemplo, o uso do drone é específico. Para aplicação em área total, a tecnologia bico a bico dos pulverizadores é mais eficiente do que a dos drones. No futuro, haverá ecossistema com drones, pulverizadores terrestres e aviões. E tem outras tecnologias que estão vindo por aí, que talvez mudarão a forma de pulverização.

Quais são essas novas tecnologias que estão por vir?
Já há empresas, por exemplo, aplicando nanocompósitos nas plantas para protegê-las do ataque de pragas e, assim, não precisar usar químicos. Funciona como uma película protetora. Outra ferramenta como enzimas que também protegem as plantas. E tem ainda as tecnologias genéticas. Sempre com um ingrediente-chave: as pessoas.

Como estão as vendas de pulverizadores neste ano? E qual a projeção para 2020?
Este ano será parecido com 2018, não será ótimo, mas bom. E para 2020, nós acreditamos que será outro ano bom. Isso quer dizer, ciclos estáveis.

Como o crédito influencia o mercado de máquinas?
O agricultor precisa ter confiança para fazer investimento. Por isso, as condições de financiamento são tão importantes. Neste ano, por exemplo, os recursos do Moderfrota acabaram, deixando o mercado sem crédito oficial por dois meses. Isso quebra todo o ciclo de venda de máquinas. O que precisamos é ter mais clareza. Hoje, temos planos anuais, quando deveríamos ter planos quinquenais para o agricultor ter previsibilidade. 

A MP do Agro busca ampliar as alternativas de financiamento. Qual a sua opinião sobre a medida?
Chegamos em momento histórico de juro baixo. Isso vai permitir ao mercado privado irrigar a economia agrícola. Mas os spreads bancários são muito altos ainda. Hoje, a taxa do Moderfrota é de 8,5% ao ano e o governo tem de colocar subsídio. Mas por que, se o juro está mais baixo? Porque os bancos têm taxas muito altas que elevam o custo financeiro. Se a MP do Agro conseguir conciliar essas questões, será um passo importante à agricultura brasileira.

Por Joana Colussi
Fonte: Gaúcha ZH - Campo e Lavoura





Mantenha-se atualizado com o Agro KLFF

Cadastre-se e recebe diariamente as novidades do mercado

2016 Portal KLFF. Todos os direitos reservados.

Termos de uso. Política de privacidade.