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16/08/2018 - Mercado

Maior demanada por alimentos deve beneficiar a agropecuária na América do Sul


O aumento da demanda global por alimentos, biocombustíveis e papel deve sustentar o crescimento do setor de agronegócios da América do Sul, que tem vantagens significativas em termos de diversificação geográfica, economia de escala e custo de insumos, diz a Moody"s Investors Service em relatório. Segundo a agência de classificação de risco, o Brasil em particular vai se beneficiar da maior demanda por alimentos, com o crescimento da população mundial e o aumento da renda em economias emergentes. A produção de alimentos no País deve crescer mais de 40% na próxima década, de acordo com o relatório. A Moody"s diz ainda que a demanda por grãos vai continuar aumentando em ritmo acelerado nos próximos dez anos.

O documento destaca que Brasil e Argentina possuem vastas áreas de terras cultiváveis, amplos reservatórios de água e clima favorável para a agricultura. "O Brasil tem 198 milhões de hectares dedicados à pastagem e 60 milhões de hectares para a agricultura, o que representa apenas cerca de 30% do território do País", diz o relatório, acrescentando que agricultura e pecuária ocupam 54% do território da Argentina e mais de 74% do território dos Estados Unidos.

A Moody"s diz que o Brasil vai aumentar sua produção agrícola principalmente com ganhos de produtividade decorrentes de novas tecnologias e práticas. De acordo com projeções do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a produção de alimentos no País vai crescer 41% até 2027, o ritmo mais rápido entre os principais produtores globais, incluindo China (+15%), União Europeia (+12%) e EUA (+10%).

Outros países da América do Sul também devem se beneficiar da maior demanda por grãos como a soja. A oleaginosa é parte fundamental da economia de Argentina, Paraguai e Uruguai, e o trigo está entre as principais culturas na Argentina.

Carnes

A maior demanda por alimentos, principalmente por proteína, vai oferecer oportunidades de crescimento para processadores de carne da região, como JBS, BRF, Marfrig e Minerva, diz a Moody"s. O consumo de carne na China vai crescer mais de 8% nos próximos cinco anos, adicionando 6,6 milhões de toneladas à demanda global, diz a agência de classificação de risco, citando projeção da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O relatório observa, porém, que as companhias terão de investir para acompanhar os avanços tecnológicos, além de se adequar a um ambiente regulatório mais rigoroso e a regras ambientais.

No caso de carne de frango, diz o relatório, o Brasil oferece baixo custo de produção e, assim como a Argentina, amplo acesso a grãos para ração animal. Para a produção de carne bovina, os dois países possuem vantagens por causa da abundância de terras para pastagem e água, que reduz os custos com ração.

A Moody"s diz também que a demanda crescente por alternativas a combustíveis fósseis vai sustentar o crescimento da produção de etanol e biodiesel no longo prazo, com governos elevando a exigência de mistura de etanol na gasolina. Os maiores porcentuais de mistura vão ser importantes para impulsionar a demanda, e devem beneficiar tanto o Brasil quanto a Argentina, de acordo com a agência.

Enquanto isso, a maior demanda da China e de outros países emergentes por produtos de cuidados pessoais vai continuar determinando o crescimento de companhias de celulose. Segundo o relatório, produtores sul-americanos também têm vantagens por causa do período mais curto de desenvolvimento das florestas de eucalipto, custos trabalhistas mais baixos comparados aos de países desenvolvidos, tecnologia florestal avançada, logística eficiente e custos competitivos de energia. A Moody"s destaca os baixos custos de produção das brasileiras Suzano Papel e Celulose e Fibria e das chilenas Celulosa Arauco y Constitución e Empresas CMPC. Segundo a agência, uma possível fusão entre Fibria e Suzano criaria uma empresa com mais de 40% do mercado global de celulose de eucalipto e 18% do mercado mundial de celulose.

O relatório diz que quebras de safra decorrentes de fatores climáticos, a imprevisibilidade dos preços globais de commodities e flutuações cambiais podem afetar negativamente o setor agropecuário da América do Sul. Mudanças em políticas governamentais, questões ambientais, disputas comerciais e gargalos logísticos também representam riscos, diz a Moody"s. A agência cita como exemplo as mudanças na precificação do diesel no Brasil após a greve dos caminhoneiros, em maio.

Fonte: Broadcast Agro




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