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27/01/2020 - Soja

Lavouras perfeitas no Paraguai (80 sacas/média) sofrem ameaça do amaranthus resistente


A safra de soja do Paraguai evolui para alcançar 10 milhões de toneladas após as boas chuvas que passaram pelo País semana passada. Na quarta-feira as precipitações tiveram média de 100 milimetros, e na sexta-feira, em encontro em Nueva Toledo (região de Campo 9), o diretor da Capeco (Camara Paraguaya de Exportadores y Comercializadores de Cereales y Oleaginosas), José Berea, confirmou a expectativa de produção, graças à recuperação das plantas, afetadas, no inicio do plantio, pela falta de umidade mas que agora encontram-se em fase de enchimento de grãos, com muito vigor.

A prova da forte produção paraguaia foi possível constatar bem próximo da área onde se realizava evento de produtores promovido pela empresa de grãos Transagro. Na localidade de Casilla 2, a fazenda Monegro, de Billy Hildebrand, é uma referência em perfeição e produtividade no Paraguai. A soja está em fase de enchimento de grãos e é fácil constatar que os talhões deverão alcançar média de 80 sacas, com "manchas" de até 100 sacas por hectare.

A fórmula, segundo Billy, é o capricho na condução da lavoura e manejo rígido no trato das pragas e doenças. Em quase 2 mil hectares é quase impossível notar alguma imperfeição. Não há, ali, presença de ervas invasoras que cercam a comunidade Monte Negro (região do Campo 9), uma das mais produtivas do Paraguai. (veja abaixo entrevista sobre a disseminação do Amaranthus).

Billy segue a recomendação agronômica e conta com a experiencia do conhecimento próprio. Para o canadense menonita, radicado há muitos anos em terras paraguaias, as viagens em busca de tecnologia são uma constante. Em sua propriedade está sendo montada uma pulverizadora auto-propelida de 36 linhas, a única em operação no País, e Billy faz experiencia com plantadeiras mais eficientes, para que o grão tenha espaçamento constante e com a tarefa realizada em velocidade acima da média. (veja a entrevista acima).

DEPOIS DA BUVA E DO AMARGOSO, AGORA O AMARANTHUS
Bem próximo de Cassila 2, o espanto... muitas lavouras tomadas pela Buva e Capim Amargoso, já resistentes, e com espigamento acima das folhas da soja, auxiliados pelo vento que espalham suas sementes de crescimento incontrolável por toda a região granífera do Paraguai. Não bastassem as duas ervas resistentes, agora surge outra preocupação para os produtores: a presença do Amaranthus hybridus, que já pragueja pelos campos paraguaios.

Vindo da Argentina, o caruru (nome comum do Amaranthus) está adquirindo resistência ao glifosato tal qual a buva e o capim amargoso, resultado de aplicações demasiadas do herbicida em lavouras de soja plantada sobre soja, na mesma safra.

A prática é condenada pelos especialistas e o jovem agrônomo Jonathan Toniel, da empresa Transagro, conta que o Amaranthus começa a adquirir resistência pela pratica da repetição da mesma cultura e pela aplicação do mesmo principio ativo.

-- "É necessário adotar a rotação de culturas e fazer boa cobertura; é preciso quebrar o ciclo das ervas daninhas", ensina o técnico. Toniel diz que este ano o crescimento das pragas foi beneficiado pela falta de chuvas no início da lavoura que atrasou o crescimento das folhas da soja.

-- "O sol fez crescer as ervas e o atraso no crescimento da soja não permitiu a cobertura das ruas; sem sombreamento nas entrelinhas, as sementes das ervas daninhas explodiram por todas as lavouras, e agora não há o que fazer...".

No pré-plantio os agricultores paraguaios usaram mistura de herbicidas 24D com dicamba. Mas agora, na colheita, a dessecação vai exigir a repetição da fórmula, pois o glifosato já não faz mais efeito. As colhedoras deverão completar o ciclo do espalhamento da praga, restando aos agricultores, além da adoção da rotação de cultura e plantio de plantas de cobertura, a chegada de novos princípios ativos para enfrentar a disseminação das ervas.

As empresas de defensivos dizem que o surgimento de novas formulações não está no horizonte próximo da agricutura de grãos. Logo, só restará a prática sustentável da adoção de cobertura eficiente conjuminada com a rotação de milho e trigo.

--"Soja sobre soja não dá mais", completa o agrônomo Jonathan Toniel.

Por João Batista Olivi
Fonte: Notícias Agrícolas




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