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14/02/2020 - Outros

Instituições financeiras estão ajudando a estruturar a sucessão no campo


O processo de sucessão no agronegócio começou a ganhar corpo há não muito tempo, quando os tradicionais agricultores começaram a perceber que as novas gerações não estavam muito engajadas nos negócios da família.

“O programa de sucessão na agricultura não é muito diferente de um processo de grandes empresas”, explica Fábio Matuoka Mizumoto, coordenador acadêmico do MBA do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e sócio da consultoria Markestrat.

Nos últimos dez anos, Mizumoto tem recebido muitos alunos de MBA interessados em discutir governança em empresas familiares e em processo de sucessão. “Em 2015, criei um clube de herdeiros para que essa nova geração pudesse trocar experiências práticas. Participaram muitos filhos de empresas de diversos setores da economia que acumulavam um bom conhecimento acadêmico, mas não tinham a vivência real do negócio.”

Esse formato já não existe mais, porque hoje é muito difícil reunir presencialmente executivos que moram no exterior. Para suprir essa demanda, Mizumoto tem promovido debates virtuais.

Com o avanço do processo de profissionalização de empresas familiares, instituições financeiras começaram a ficar atentas a esse movimento.

No início dos anos 2000, o banco holandês Rabobank, especializado em agronegócio, identificou que importantes grupos familiares do agronegócio não tinham um programa de sucessão definido. “Em conversas com os nossos clientes, percebemos que muitos agricultores tinham filhos em idade de decisão de carreira que não tinham uma postura clara sobre assumir os negócios da família”, explica Fabiana Alves, diretora executiva do banco.

O banco, então, criou em 2007 o programa Agrolíderes, que passou a discutir desde questões práticas de gestão financeira até governança para grupos que pretendem migrar para o mercado de capitais. O Rabobank tem hoje em sua carteira cerca de 1,6 mil clientes. Mas Fabiana acredita que há entre 3 mil a 4 mil grupos, com faturamento acima de R$ 10 milhões, dentro desse espectro para serem trabalhados.

Mais recentemente, o Itaú começou a elevar suas apostas no agronegócio. No ano passado, o banco decidiu estruturar uma área dedicada ao setor. “Até 2014, o banco não atendia financiamentos agrícolas”, afirmou Pedro Fernandes, diretor de agronegócio do banco. De 2015 para cá, a instituição passou a mapear o setor. O time do banco saltou de 30 para 140 pessoas. “Vemos os grupos familiares como parceiros para toda vida. Mas essa relação não pode ficar só no financiamento. Também começamos a acompanhar o processo de sucessão nas empresas que têm relacionamento com o banco.”

Antes, esse processo era conduzido pela equipe de private banking do banco, que conta com uma equipe pequena de advogados. O banco estima que há um potencial de quase 20 mil grupos familiares que podem ser assessorados neste processo sucessório.

Por Mônica Scaramuzzo
Fonte: Estadão




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