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10/06/2019 - Tecnologia

Inovação é caminho para campo mais sustentável


Potencializada nas últimas décadas pelo aumento na produtividade, a agricultura brasileira precisa continuar a trajetória nos próximos anos, crescendo a produção sem depender da expansão de área cultivada. O caminho para isso passa, como sempre, pela inovação. O termo, entretanto, não é necessariamente sinônimo de tecnologia, podendo significar, inclusive, a retomada de métodos abandonados com o tempo. O tema foi debatido na sexta-feira no Fórum Regional da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), realizado em Porto Alegre.

Professor de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Pedro Antônio Selbach lembrou dos ganhos da agricultura brasileira desde 1960. Na época, eram plantados 22 milhões de hectares, que rendiam 17,2 milhões de toneladas de alimentos. Com o avanço das práticas e da tecnologia, em 2017, já eram 232,6 milhões de toneladas, aumento de 1.250% sobre um avanço de apenas 180% na área, para 61,5 milhões de hectares. Uma outra mudança, porém, foi o surgimento de outras discussões. "Não há como fugir da sustentabilidade, que caminha junto com a produção atualmente", afirmou o professor.

Também agrônomo, o pesquisador da Embrapa Trigo José Denardin foi mais enfático e crítico quanto ao uso da tecnologia no campo, por conta, principalmente, da falta de formação para o uso das novas técnicas. "Tecnologias não param de ser lançadas. Mas é preciso saber manejar, ter conhecimento para isso", defendeu Denardin. O pesquisador comparou a situação com dar uma receita de bolo para pessoas diferentes. Mesmo com igual orientação, provavelmente nenhum bolo sairia igual aos demais. "Falta a operacionalidade da coisa", continua o pesquisador.

Denardin ainda criticou a importação de tecnologias criadas na Europa e nos Estados Unidos, ou mesmo exitosas no Cerrado, para o Rio Grande do Sul, sem a real integração com as características gaúchas. Um exemplo é o plantio direto, trazido ao Brasil nos anos 1970 e que, segundo Denardin, já nos anos 1980, foi visto como insuficiente, dando origem ao sistema de plantio direto (adaptação do modelo ao Brasil). "Viu-se que precisava diversificar o sistema, e aí veio o milho, a integração lavoura-pecuária, surgiu a rotação", rememora o agrônomo, argumentando, entretanto, que muitas medidas conservacionistas foram sendo abandonadas desde lá. Atualmente, 61,8% da área cultivada no País tem apenas uma safra, demostrando a falta de cuidado com as práticas do sistema.

O agrônomo salientou também que, desde 2001, os custos de produção crescem duas vezes mais rápido do que a produtividade, muitas vezes, inclusive, pela compra de tecnologias que são inertes.

Cooperativas deverão ser incluídas em Programa de Biodiesel, diz Mapa
O secretário da Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura (Mapa), Fernando Schwanke, garantiu que a ministra Tereza Cristina deve encaminhar, em breve, nova regulamentação para as cooperativas no Programa de Biodiesel, respeitando a proporção de agricultores familiares de seus quadros. Atualmente, cooperativas que têm menos de 60% de seus cooperados enquadrados como familiares estão fora do programa e o objetivo é que todos os produtores dapianos (aqueles que possuem DAP) possam se beneficiar do programa. A declaração ocorreu na 1ª Jornada da Rede Técnica Cooperativa (RTC), em Gramado (RS). "Este é um pleito antigo do setor cooperativista", reforçou.

Schwanke ainda informou que deve sair, dentro de 15 dias, ajuste que permitirá que cooperativas centrais, como a CCGL, possam também acessar os programas da agricultura familiar, desde que atinjam a proporção de agricultores com declaração da agricultura familiar, o qual será o mesmo exigido das cooperativas singulares. Atualmente, as cooperativas centrais só podem ter DAP jurídica se 100% das filiadas estiverem habilitadas, o que torna esse acesso praticamente inatingível.

Segundo Schwanke, outro projeto em construção junto ao Mapa é o Intercooperação, que consiste em unir esforços e estimular a colaboração entre as cooperativas de Sul a Norte do Brasil. O projeto será implementado com apoio a Organização da Cooperativas Brasileiras (OCB) e terá recursos do Mapa para custear o deslocamento de treinamento pelo País. Schwanke informa que a meta é colocar o programa em funcionamento no segundo semestre deste ano.

Brasil pesquisa novas variedades de transgênicos
Vinte e um anos depois de ser introduzida no Brasil, a biotecnologia abre inúmeras possibilidades para a produção agrícola. Além da já consolidada soja RR e das 130 liberações comerciais concedidas no País, novas cultivares devem chegar ao mercado. Uma das novidades que deve sair do forno em breve, adianta o pesquisador da Embrapa Soja e conselheiro da CTNBio, Alexandre Nepomuceno, é uma nova variedade de soja com resistência ao fungo da ferrugem asiática. 

O pesquisador citou a liberação pela CTNBio de pesquisa inédita para uso de insetos transgênicos em lavouras, como a alteração no gene da lagarta do cartucho para reduzir perdas no milho. O painel na RTC foi moderado pelo professor da Ufrgs Luiz Carlos Federizzi, que relembrou os caminhos percorridos pela biotecnologia no Brasil até a atualidade. Segundo ele, o desenvolvimento ao longo desses mais de 20 anos ficou um pouco abaixo da expectativa inicial, uma vez que se limitou a apenas quatro espécies. Nepomuceno completou lembrando a polêmica criada no Brasil sobre o uso dos transgênicos no final da década de 1990 foi, na verdade, um grande jogo de interesses. "Muita gente perdeu dinheiro."

Por Guilherme Daroit
Fonte: Jornal do Comércio




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