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10/09/2019 - Tecnologia

IBM aposta em soluções na área de alimentos


Foi pensando em desenvolver soluções para a área de produção de alimentos e diminuir os enormes desperdícios no mundo inteiro que a IBM começou a investir em tecnologias como o Agropad, que utiliza nanomateriais para captação de dados do solo. A novidade faz parte de um grupo de cinco tecnologias que a empresa acredita que estão sendo desenvolvidas nos laboratórios da gigante da tecnologia e que se tornarão indispensáveis nos próximos cinco anos.

O uso de Inteligência Artificial e Internet das Coisas caracteriza as novas soluções. Porém Atzingen salienta que "a tecnologia vem para ajudar, mas não faz nada sem as pessoas". "Precisamos estar nos nossos conselhos de administração pensando no que vamos fazer e que tecnologias disponíveis iremos utilizar", destaca Atzingen.

A primeira ferramenta apresentada é a Digital Doubles, que reconstrói o ambiente dos negócios em um modelo digital. Atzingen apresentou o exemplo de aplicação no agronegócio. Uma fazenda real, com todos os aspectos da sua produção, é convertida em uma fazenda virtual, incluindo os processos de plantação, colheita, adubação, armazenamento, transporte de produtos, entre outros. Seria uma versão de negócios do conhecido jogo das redes sociais Fazenda Feliz, a Fazendinha.

O Agropad utiliza uma ferramenta com espessura de uma folha de papel para realizar uma análise da terra produtiva. O dispositivo inserido no solo é capaz de analisar, de forma contínua, sua composição química e determinar qual tipo de tratamento é necessário para garantir a produtividade das colheitas. Esses dados podem ser acessados em um aplicativo de celular, pois o Agropad utiliza Internet das Coisas (IoT - Internet of Things).

Já a terceira tecnologia, IBM Verifier, emprega inteligência artificial para criar uma espécie de impressão digital de um produto. A tecnologia identifica e estabelece inúmeras caraterísticas físicas que caracterizam esse produto. Por meio da câmera do celular é possível fazer uma espécie de Raio X do produto e diferenciar uma falsificação. A tecnologia pode ser utilizada em etiquetas, por exemplo, mas também em remédios e líquidos, como azeites, vinhos e uísques.

O blockchain é outra aposta da IBM. Uma rede distribuída armazena todas as informações sobre um determinado produto, de forma segura, nas diferentes fases da cadeia produtiva. A ferramenta é utilizada para rastreabilidade. O blockchain armazena dados desde a origem da sua matéria prima do produto até o momento da venda ao consumidor final. No setor alimentício, ele deve ser usado para determinar a procedência de cada alimento nas mãos do consumidor, como, por exemplo, um café produzido no País. Essa tecnologia é a base para o projeto IBM Food Trust e responde a uma demanda da população por saber da onde vem aquilo que é consumido e a responsabilidade por trás de cada produto.

A última tecnologia é a Volcat, que recicla plásticos utilizando processos químicos. Ela deve facilitar a reciclagem pois é capaz de separar a matéria orgânica da reciclável.

Essas soluções já estão disponíveis e, segundo Atzingen, os custos de aplicação tendem a cair exponencialmente. Muitas delas são disponibilizadas em nuvem, sem necessidade de investimentos em infraestrutura própria, como data centers robustos, e com sistema de investimento pay per use, ou seja, pagamento pelo uso, sem necessidade de comprar licenças completas.

No Brasil, no entanto, as carências em infraestrutura podem se tornar um empecilho para a democratização no uso dessas tecnologias. "O Agropad, por exemplo, tem dois desafios. O primeiro é a produção no País e a outra é a conexão com internet em regiões remotas no interior, onde as fazendas estão", lembra Atzingen, mantendo o otimismo com a melhoria desse cenário a partir da implementação da rede 5G.

A escolha por focar a apresentação na aplicação dessas tecnologias na agricultura, se deve a um posicionamento global da IBM por refletir sobre a complexidade na cadeia de suprimento de alimentos - já estressada pelas mudanças climáticas e por um suprimento de água finito.

Por Roberta Mello
Fonte: Jornal do Comércio




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