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17/02/2020 - Outros

Herdeiros do agronegócio aliam tradição a avanço tecnológico


Uma nova geração de empresários do campo está assumindo os negócios de suas famílias e também começa a ganhar voz no setor, desbravado nas últimas décadas por seus pais e avós e que responde hoje por um quinto do PIB nacional. 

A sucessão familiar no agronegócio começou a ficar mais estruturada nos últimos anos e tem levado de volta ao campo uma safra de herdeiros que se prepararam nas melhores universidades do País e trazem na bagagem também experiências do exterior.

O mandato desse grupo é perpetuar os negócios da família, aliando a tradição do campo à realidade tecnológica. O uso de drones e o emprego de inteligência artificial para aumentar a produtividade na lavoura passaram a fazer parte da rotina nas fazendas. Por meio de cursos, orientação de consultorias e intercâmbio de conhecimentos entre famílias, novos nomes de conhecidos sobrenomes estão mudando a gestão de fazendas de cana centenárias a cafezais e negócios de pecuária.

Especialista em sucessão familiar, Fábio Matuoka Mizumoto, coordenador acadêmico do MBA do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz que esse processo ainda é incipiente no País. "Em 2015, criei um clube de herdeiros para que essa nova geração pudesse trocar experiências práticas." Bancos com tradição no campo, como o Rabobank, têm intensificado consultorias às famílias. Fabiana Alves, que coordena há 12 anos a área de agronegócio do banco holandês, estima que há cerca de 4 mil famílias, com faturamento anual acima de R$ 10 milhões, dentro desse espectro.

Em um movimento mais recente, o Itaú BBA criou uma base para avançar no setor e vê um contingente de cerca de 20 mil agricultores, com receita superior a R$ 5 milhões de todo o País como potenciais clientes.

"Mas ainda há muito grau de frustração nesse processo. Quando a família começa a discutir a sucessão, muitas vezes fica evidente que o sucessor não quer ser sucedido e o herdeiro não tem a menor ideia dos negócios que tem nas mãos", observa Denis Arroyo Alves, sócio da consultoria Markestrat.

Líderes
A renovação de lideranças no campo tem ganhado força. Na semana passada, a centenária Sociedade Rural Brasileira trocou sua cúpula, que agora inclui três herdeiros do agronegócio com menos de 30 anos.

Ainda que este seja um setor predominantemente masculino, uma geração de mulheres também começa a ganhar mais espaço. É o caso de Bárbara Lorenzetti, de 28 anos. Filha de um dos principais plantadores de cana da região de Lençóis Paulista (SP), Bárbara participou de um curso de sucessão e foi lá que entendeu que o agronegócio estava em suas veias. "Fui percebendo que o negócio do meu pai é o meu futuro."

Por O Estado de S.Paulo
Fonte: Folha Vitória




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