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18/10/2018 - Mercado

Guerra comercial estimula avanço da área de soja na América do Sul


O mercado de soja vive um período de perspectiva de oferta muito grande em meio a um contexto de guerra comercial entre EUA e China, o que vem penalizando as exportações norte-americanas da oleaginosa e pressionando as cotações da soja em Chicago. Ao mesmo tempo, estimativas apontam para o crescimento da área plantada com a oleaginosa na América do Sul, tanto no Brasil, quanto na Argentina, uma vez que a demanda chinesa pelo produto brasileiro está muito aquecida, e a Argentina vem de uma quebra de safra, além de o governo do país ter anunciado mudanças nas taxas de exportações (retenciones), que podem acabar beneficiando o cultivo da soja.

“Esse cenário da demanda pela soja norte-americana em comparação à da América do Sul, em especial a brasileira, acaba sendo um incentivo ao cultivo da oleaginosa, mesmo num contexto geral de oferta elevada, com estimativas de estoques mundiais em 110,04 milhões de toneladas, de acordo com o USDA”, afirma a INTL FCStone, em relatório.

A tarifa de 25% sobre a soja norte-americana importada pela China, que entrou em vigor no último dia 6 de julho, além de continuar pesando sobre os preços, já modificou as estimativas de exportações dos EUA para o ciclo 2018/2019, atualmente em 56 milhões de toneladas, contra expectativa anterior de 62,3 milhões de toneladas.

“Não se espera que essa queda da demanda pelo grão norte-americano seja plenamente compensada pela compra em outros países, como o Brasil. A China está se ajustando para evitar ao máximo a compra de soja dos EUA, já tendo reduzido suas estimativas de importações para 84,66 milhões de toneladas, uma queda de pouco mais de 9 milhões de toneladas em relação ao número anterior e ao estimado pelo USDA”, explica a consultoria. Com isso, não somente os estoques dos EUA devem ser recordes como também os mundiais.

O principal ponto que pode modificar o cenário para as cotações da soja, com os preços no mercado doméstico voltando a ficar mais correlacionados com Chicago, é algum acordo entre China e EUA que suspenda a taxação de 25% imposta ao produto norte-americano, ou que o país asiático acabe importando volumes significativos de soja norte-americana, mesmo com a tarifa. Em novembro, ocorrerá a eleição de meio de mandato nos EUA, o que poderia resultar em perda de maioria do partido republicando, enfraquecendo o apoio às decisões de Donald Trump, em direção a uma maior reaproximação dos EUA com os chineses.

“Sem tarifas de importação, a China tenderia a voltar a comprar soja dos EUA, abrindo espaço para uma reação mais consistente dos preços em Chicago. Outra possibilidade seria ocorrer algum problema durante o desenvolvimento da safra da América do Sul, principalmente no Brasil, que restringisse a oferta de maneira significativa. Mas, por enquanto, as perspectivas são de um clima dentro da normalidade ao longo do desenvolvimento da safra no país”, pondera a consultoria.

Plantio
Apesar do bom andamento do plantio de soja no Brasil, o excesso de umidade no sul de Mato Grosso do Sul, partes do Paraná e do Rio Grande do Sul podem provocar atrasos nos trabalhos e dificultar o início da aplicação de fertilizantes e defensivos. “O clima no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) também traz algumas preocupações. Há perspectiva de chuvas mais fracas na região, o que pode ser um efeito do (fenômeno climático) El Niño que, por enquanto, está fraco”, comentou o analista de Inteligência de Mercado da INTL FCStone, João Macedo.

Para novembro, segundo a INTL FCStone, a previsão climática é favorável ao desenvolvimento das lavouras em Goiás, Mato Grosso, porção leste de Mato Grosso do Sul e São Paulo, com volume de chuvas dentro da média esperada para o período. Para partes do norte e noroeste do Rio Grande do Sul, a estimativa é de grandes volumes de chuvas, assim como no oeste de Mato Grosso do Sul.

Fonte: INTL FCStone/Portal DBO




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