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31/01/2020 - Soja

Futuros em Chicago podem se aproximar dos us$ 10/bushel em 2020


Os contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago (CBOT) podem se aproximar dos US$ 10 por bushel neste ano a depender dos desdobramentos do acordo comercial entre Estados Unidos e China, disse o analista de grãos do Rabobank, Victor Ikeda. "Vimos o contrato para março de 2021 chegar a US$ 9,80 nas últimas semanas", afirmou ele em podcast do banco.

O Rabobank projeta que, se as tarifas retaliatórias - que não foram retiradas após a assinatura da fase 1 do acordo comercial - continuarem ativas e a China não conseguir cumprir a meta de compras de produtos agrícolas norte-americanos acertada, a disputa comercial pode ser retomada no segundo semestre. O acordo assinado em 15 de janeiro prevê aumento de compras chinesas de produtos agropecuários norte-americanos de US$ 12,5 bilhões em 2020 e US$ 19,5 bilhões em 2021, totalizando em dois anos US$ 32 bilhões. Para cumprir essa meta, de acordo com Ikeda, a China pode ter que importar 38 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos em 2020 - em 2018 e 2019, durante a disputa, as compras ficaram entre 18 e 19 milhões de toneladas. Também cresceriam outros produtos, em especial etanol de milho, grãos secos de destilaria (DDG) e milho.

Mesmo que o gigante asiático compre mais oleaginosa dos EUA, o analista não espera que recuo expressivo das exportações brasileiras. Ele destacou que, no ato de assinatura da fase 1 do acordo, representantes chineses afirmaram que o país continuaria adquirindo o produto conforme condições de mercado, ou seja, buscando quem oferece preços mais competitivos. "Mesmo que o Brasil perca um pouco das exportações para a China, podemos embarcar para outros países", afirmou. O Rabobank projeta que o Brasil produza por volta de 121 milhões de toneladas de soja na safra e exporte cerca de 70 milhões de toneladas. Os prêmios na comparação com os preços em Chicago devem ficar entre 30 e 40 centavos de dólar por bushel no primeiro semestre e entre 60 e 80 cents na segunda metade de 2020.

Quanto às lavouras brasileiras, Ikeda disse que, apesar do atraso na semeadura de soja, a colheita no Centro-Oeste e no Paraná começa em condições normais. Outras regiões, no entanto, preocupam. "Áreas plantadas mais tardiamente, como Rio Grande do Sul e partes do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) enfrentaram falta de chuva na virada do ano e precisam ser monitoradas", afirmou. "Essas regiões ainda podem fazer com que ajustemos nosso cenário do ciclo 2019/20."

Por Augusto Decker
Fonte: Broadcast Agro




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