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01/10/2018 - Soja

Frete e dólar podem reduzir margens dos produtores em MT


As incertezas em relação ao futuro do câmbio e aos preços do frete ligam o sinal de alerta para os produtores de soja de Mato Grosso, que começaram o plantio este mês. Dependendo das mudanças nesses dois fatores, as margens da atividade podem diminuir e até resultar em prejuízos, afirma Zilto Donadello, vice-presidente Norte e coordenador da comissão de Política Agrícola e Logística da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT).

Do lado do tabelamento do frete, há impacto tanto nos valores de insumos quanto na comercialização da produção. As entregas de fertilizantes, por exemplo, fluíram, mas ainda há relatos de atrasos, segundo Donadello. Produtores também já se preocupam com um possível não cumprimento de contratos caso a multa estipulada seja menor do que o prejuízo que a empresa terá com a entrega do produto. “Mas, por enquanto, isso é só boato, não temos nada de oficial”, esclarece o representante da Aprosoja.

Quem deixou para comprar adubos de última hora tem-se deparado com preços maiores. Segundo Donadello, a média já passa de R$ 2.000/tonelada (já com o frete) para o Médio Norte do Estado. “Os fertilizantes quase dobraram de preço de março para cá. Tem produtor que recebeu propostas e resolveu arrendar a propriedade, porque viu que o custo ficou absurdo”.

Além do encarecimento por conta do frete, a alta do dólar também contribuiu para o aumento dos preços dos fertilizantes, já que o Brasil importa cerca de 75% dos adubos que utiliza. Por outro lado, a valorização da moeda americana é positiva na hora de vender a produção e tem ajudado a acelerar a comercialização antecipada. De acordo com Donadello, na terça-feira, 25, as ofertas na região de Sinop, MT, eram de R$ 63 a R$ 70/saca, livre de impostos. “Só estamos tendo esses preços em virtude do dólar. E o produtor tem fixado, aproveitado o momento”.

Para ele, o momento deve ser de atenção para os produtores. “Conforme o mercado for dando possibilidade de comercialização, apontando preços bons, temos que aproveitar as oportunidades. As eleições são em dez dias e isso vai influenciar o câmbio. Se o dólar cair, com o que está precificado em Chicago e os custos que temos, será fácil para o produtor empatar dinheiro ou amargar um prejuízo esse ano. E ainda vamos depender do clima”.

O tabelamento do frete também pode ser negativo na comercialização e contribuir para espremer mais as margens dos produtores, segundo ele. “O problema é essa tabela incerta. Ela pode diminuir ainda mais a lucratividade do produtor, porque as empresas podem pôr uma margem de segurança em cima do frete para não correr risco. Uma tabela mostra R$ 150 reais/tonelada, por exemplo, mas a empresa pode aplicar R$ 180/t na fixação de futuro de preço sem saber se vai a isso. Daqui a pouco o produtor acaba pagando caro demais”.

Plantio
O plantio no Estado alcançou 4,32% da área esperada nesta semana e está acima do visto na safra anterior nesse mesmo período (1,17%), segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Os trabalhos estão mais avançados nas regiões Oeste e Noroeste, onde as chuvas foram mais volumosas. “Na Leste, um ou outro arriscou, mas é muito pontual. E na região Sul acredito que ainda não começaram”, diz Donadello.

Sobre o risco de replantio por causa da possibilidade de chuvas abaixo da média no Estado em outubro, o vice-presidente da Aprosoja acredita que é cedo para determinar isso. “Quem faz esse tipo de plantio sabe do risco. Mas, normalmente, esse produtor usa sementes tratadas, tem certos cuidados, e daí a soja suporta bem. Porém não está livre de fazer replantio”.

Para o agrometorologista Luiz Carlos Molion, doutor da Universidade Federal de Alagoas, é prudente que o agricultor aguarde mais alguns dias para o início do plantio. “Viemos de um período de 180 dias com déficit de chuvas que, dependendo do local, está entre 25% a 35% abaixo do normal. Então, é preciso que o solo ‘recarregue’ a umidade para aí, sim, fazer a semeadura”, explica o profissional em comunicado da Aprosoja.

Segundo ele, de outubro a dezembro o Estado terá chuvas acima da média entre 10% a 20% e, de janeiro a março, deve haver redução de 20% a 40% nas precipitações. “Mas considerando todo o cultivo, deve ficar uma média de 800 mm a 1000 mm no acumulado de outubro a março. Isso é mais que suficiente para garantir a produtividade dos cultivos neste período”.

Luiz Renato Lazinski, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), acredita que não haverá problemas climáticos para o início do plantio da safra de soja 2018/2019. “Agora vivemos um período de neutralidade climática, quando estamos sem El Niño e sem El Niña. A tendência é que durante toda a primavera essa situação persista”.

Lazinski também explica que o El Niño deve retornar a partir de dezembro, mas com uma atividade fraca a moderada. Assim, as chuvas devem diminuir na região Norte de Mato Grosso. “Resumindo: começamos muito bem, mas da metade para o final da safra, a parte Norte do Estado pode ter chuvas mais irregulares, mal distribuídas, e o veranico pode atrapalhar um pouco”.

Fonte: Portal DBO.




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