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26/08/2020 - Outros

Fazenda centenária troca o café pela soja em palha


Na fazenda Santa Maria da Barra Mansa, na região de Jaú (a 300 quilômetros de São Paulo), os agrotóxicos são cada vez mais raros. Tradicional produtor de soja e café, a propriedade de José de Sampaio Góes é uma das principais referências de sustentabilidade no Estado. Ele adotou definitivamente, há 13 anos, o plantio direto na palha – sistema que mantém o solo revestido de resíduos e vegetação natural.

“O plantio na palha não mexe na estrutura do solo. Protege a terra contra a erosão”, diz Sampaio, de 72 anos. Também reduz o uso de herbicidas. Membro do conselho da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Sampaio é um “agricultor raiz” e tornou-se um exemplo para as novas gerações que chegam ao campo.

Com uma área de quase 400 hectares plantados, dos quais 350 hectares de soja, Sampaio começou a  usar bioinseticida para combater a praga da broca em seus cafezais, que ocupam 36 hectares. “Você joga um fungo que vai combater a broca naturalmente”, explica. O manejo integrado de pragas e doenças se estendeu por toda a fazenda. “Os bioinseticidas ajudam a combater as doenças do campo de forma natural, criando seus próprios anticorpos.”

A história da fazenda Santa Maria da Barra Mansa começou em 1907, quando ainda pertencia ao avô de Sampaio. “Meu avô era um tradicional cafeicultor do Estado de São Paulo no início do século 20”, conta.

Assim como muitos cafeicultores do País, o avô de Sampaio passou por altos e baixos. Uma das principais culturas agrícolas do Estado de São Paulo, o café começou a ceder espaço para os grãos e a cana-de-açúcar a partir dos anos 1970. “A geada de 1975 castigou muito os cafezais das principais regiões produtoras do País.”

Anos antes, na década de 1960, Sampaio já tinha começado a plantar cana-de-açúcar nas áreas de café. Os canaviais avançaram e se tornaram a principal atividade agrícola de Sampaio no início dos anos 2000.  Mesmo com a expansão da cultura fora das fronteiras do Estado de São Paulo, graças à retomada do consumo de etanol, Sampaio decidiu mudar. “Erradiquei meus canaviais entre 2007 e 2014 para começar a plantar soja.”

O fazendeiro percebeu a crise que se avizinhava no setor sucroalcooleiro e decidiu mudar para apostar em alimentos. “Antevi a crise no setor e percebi que a China e a Índia aumentavam a demanda por grãos.”

Da fazenda centenária de café, a propriedade de Sampaio virou grande produtora de grãos. Durante o inverno, o produtor cultiva aveia.

Com a adoção do plantio direto na palha, o agricultor conta que o uso de herbicida só é feito quando necessário e ainda de maneira muito controlada. As variedades de soja cultivadas na fazenda são transgênicas.

Na fazenda de Sampaio, toda a mão de obra é fixa. “Tenho 25 trabalhadores, todos em regime CLT. Eles moram aqui na fazenda e todos são obrigados a estudar.”

Por Mônica Scaramuzzo
Fonte: O Estado de S.Paulo




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