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27/12/2019 - Soja

Falta de chuva afeta o milho e ameaça a soja


Com precipitações muito abaixo da média esperada para dezembro em diferentes partes do Estado, a safra de milho começa a ficar comprometida no Rio Grande do Sul. E as perspectivas para os próximos dias não são as melhores para o campo. A falta de chuva deve seguir, pelo menos, até 31 de dezembro e, se o problema persistir, poderá afetar também a soja.
De acordo com o Inmet, uma das cidades com menor incidência de chuva é Ibirubá, no Noroeste do Estado, onde choveu 86% a menos do que o esperado para dezembro. Na cidade não chove há três semanas, e a situação das lavouras é crítica, diz o secretário da Agricultura da cidade, Olindo de Campos.

Segundo o engenheiro-agrônomo da Cooperativa Agrícola Mista General Osório (Cotribá) Vinicius Floss, há 1,6 mil hectares semeados com milho para grão e outros 1,4 mil para silagem. "Dos 1.650 hectares semeados para grão, de acordo com o IBGE, 850 hectares têm irrigação por pivôs, mas, no restante, a falta de chuva já causou muitas perdas", diz Floss.
Em uma das lavouras visitadas pelo engenheiro-agrônomo nesta quinta-feira, a produtividade deverá cair para menos da metade. Floss conta que, utilizando a mesma tecnologia da safra passada, um dos produtores que ele visitou havia obtido 207 sacas por hectare. A lavoura atual, porém, deverá ficar com rendimento próximo de apenas 100 sacas. "Em alguns casos, as perdas já são irreversíveis e não há mais o que fazer", lamenta.

Além das perdas diretas de produtividade, destaca Floss, mesmo o que for colhido com destino à alimentação animal fica prejudicado pelo baixo valor nutricional, com impacto direto em uma importante atividade econômica da cidade, que é uma das maiores produtoras de leite do Estado. Em outra lavoura visitada pelo agrônomo, a planta que já deveria estar com mais de dois metros de altura mal alcançava 1,4 metro em fase de floração.

Os índices do Inmet apontam para precipitações muito abaixo da média também nas regiões da Campanha e Central, e em cidades da Fronteira Oeste, como Alegrete, de acordo com a meteorologista Letícia dos Santos. Em tradicionais cidades produtoras, como Passo Fundo, eram esperados, para dezembro, 173,2 milímetros de chuva, mas o Inmet registrou apenas 46 milímetros até o momento.

"Um dos poucos lugares onde a ocorrência foi acima da média é São Borja, e, ainda assim, apenas 15%. E a chuva prevista para o dia 31, véspera da virada do ano, não é muito significativa nem deve ser suficiente para suprir o déficit do mês", alerta Letícia.

Ainda segundo a meteorologista, entre janeiro e março, a situação deverá se regularizar, com chuva dentro da normalidade ou até um pouco acima da média. Até lá, porém, produtores estão em alerta. O vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Elmar Konrad, diz que a atual escassez de água afetou o cultivo do milho em uma das fases mais críticas.
"No período da formação da espiga, o milho precisa de uma média de oito milímetros de água por dia. Em muitos lugares, o máximo ficou entre dois e três milímetros. Na soja, o problema, no momento, é o calor, que agrava a ferrugem asiática. E, se persistir a falta de chuva, teremos prejuízo no desenvolvimento das lavouras", confirma Konrad.

No Norte do Estado, produtores como Roberto Bergamini já calculam os prejuízos em boa parte da lavoura. O produtor do município de Quatro Irmãos, próximo de Erechim, calcula perda de 40% nos 380 hectares semeados com milho e que não contam com irrigação. Com isso, a produtividade deverá cair a ponto de Bergamini já estimar que o rendimento nesta área não deverá nem pagar os custos de produção.

"Dos 500 hectares totais plantados com milho, a produtividade só será boa em 120 hectares que contam com pivô. Pelo menos desde 2011 não tinha uma perda assim", relata Bergamini.
Os danos no Norte do Estado, porém, são relativos, de acordo com Alexandre Doneda, coordenador técnico de difusão da Cotrijal. Ele considera que ainda é cedo para estimar as perdas. Isso porque, em parte das lavouras, o crescimento ainda pode ser revertido caso venha a chover nos próximos dias. "Mas há perda de potencial de produtividade em diferentes regiões que atendemos", explica Doneda.

No caso da soja, em regiões onde houve o plantio superprecoce, como Passo Fundo, Cruz Alta e Não-Me-Toque, nas quais a planta já está florescendo, há alguma quebra, de acordo com o presidente da Aprosoja-RS, Luiz Fernando Fucks. "Mas, dependendo do que ocorrer daqui para frente, pode comprometer a projeção de uma colheita de 119 milhões de toneladas. A irregularidade de chuvas começa a assustar. O mês de janeiro com pouca umidade no solo é perigoso", alerta Fucks.

Por Thiago Copetti
Fonte: Jornal do Comércio




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