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07/05/2019 - Tecnologia

Falta de acesso a internet limita avanços no campo no Brasil


A tecnologia digital é um assunto de extrema relevância para o setor agrícola. É por meio dela que produtores podem se comunicar e obter maior eficiência e rentabilidade na produtividade agrícola. Apesar da evidente relevância, contudo, a falta de internet banda larga ainda é um entrave para a adoção das soluções já desenvolvidas até aqui.

“A prioridade sempre foi as cidades, onde estavam as pessoas, mas agora há um deslocamento [dos serviços de internet] para essas zonas rurais nos interiores”, diz Leonardo Finizola, diretor de novos negócios da Nokia. A empresa estima que 97% da área plantada no Brasil não tenha cobertura de internet atualmente – o equivalente a 500 mil fazendas, ou 50 milhões de hectares. “As fronteiras agrícolas são áreas onde se tem a piores coberturas, mas é ali que está nosso esforço porque são áreas prosperando. Nós podemos ir para a 4º revolução da tecnologia”, revela o executivo.

Desigualdade digital
De acordo com Guilherme Sierra, gerente de Comunicação da John Deere, a falta de conectividade no campo limita a adoção de tecnologias de agricultura de precisão. Com isso, enquanto algumas áreas produzem mais, outras menos. “Muitas das práticas agronômicas hoje no Brasil fazem com que os produtores tratem os campos de uma maneira uniforme. A consequência disso são áreas que estarão sentindo uma deficiência, recebendo menos do que precisaria, e irão ter áreas que estarão sentindo uma sobra”, explica o executivo.

A sustentabilidade é outro fator relevante na adoção de novas tecnologias. Sierra lembra que o uso racional dos insumos gerado pela agricultura de precisão permite dimensionar o impacto que a produção está causando ao meio ambiente e se está havendo de fato sustentabilidade. “A era digital nos traz uma série de dados que faz com que os produtores possam tomar as melhores decisões do que fazer e como fazer com um incremento importante – o tempo”, diz Sierra.

Com isso, a falta de conexão no campo tem sido visto como fonte de prejuízos e atrasos no agronegócio, gerando perda de tempo e menor produção, entre uma série de outros fatores. “A tecnologia deve se adequar a cada tipo de realidade e necessidade do produtor, desde os mais pequenos aos grandes, para que haja a reação imediata na detecção de algum problema com assertividade”, observa Rodrigo Bonato, diretor de vendas da John Deere.

Saída privada
Em Diamantino, no Mato Grosso, a fazenda Paiaguás pode ser considerada um ponto fora da curva no país. Com cerca de 27 mil hectares conectados de ponta a ponta, a propriedade usa tecnologia desenvolvida pela John Deere para acompanhar a produtividade das máquinas agrícolas. Assim, o produtor consegue visualizar as operações, administrar os talhões de manejo e executar análises para a melhor tomada de decisão de forma ágil em sua propriedade.

“Através do painel de controle o produtor consegue ver quais são as horas que as máquinas são mais utilizadas e quando o operador está em operação. Uma ferramenta muito importante utilizada é o acesso remoto ao monitor, onde é possível ver o que o operador está enxergando à distância”, diz Emanuel Ritter, líder de Projetos da Suporte Conectado John Deere.

Esses resultados, contudo, só são possíveis porque os dados que as máquinas transmitem são muito pequenos. Com isso, elas fazem chamadas periódicas, permitindo que com sinal de celular qualquer tipo (2G, 3G ou 4G) seja possível fazer a comunicação com a estação de monitoramento da fazenda.

“O sinal dessa fazenda trabalha numa frequência de 250 Mhtz gerado pela torre de cobertura. É uma frequência mais baixa que o normal, uma vez que quanto mais baixa ela for maior será a cobertura utilizando apenas uma torre de sinal “, afirma Sierra, ao explicar a infraestrutura oferecida pela companhia para atender aos seus clientes.

Por Riccardo Soares
Fonte: Portal DBO




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