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06/09/2019 - Outros

Especialistas defendem uso de bioinsumos no controle de pragas agrícolas


Especialistas apontaram o atual momento como “histórico” para o avanço do controle biológico de pragas agrícolas no Brasil, mas relataram temor por corte nas verbas para pesquisa.

A técnica de bioinsumos – que usa vírus, substâncias de insetos e predadores naturais no combate às pragas – é muito adotada na produção de orgânicos e também reduz a dependência de agrotóxicos na agricultura convencional.

O tema foi debatido ontem (5/9), em audiência pública conjunta de duas comissões da Câmara dos Deputados (Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural).

Na audiência, a diretora da Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico, Amália Borsari, afirmou que a fase futura da produção agrícola, apelidada de “agricultura 4.0 digital”, será baseada no aumento da oferta de bioinsumos.

“O uso de defensivos em manejo integrado de pragas é a peça-chave para uma agricultura do futuro. Há muito espaço para crescimento do mercado de biológicos tanto no Brasil como no restante do mundo. Entretanto, esse crescimento só será sustentável se a qualidade dos produtos e a regulamentação forem sólidas”, disse Amália Borsari.

Incentivo ao setor
O governo federal elabora um Programa Nacional de Bioinsumos. A coordenadora da área no Ministério da Agricultura, Mariane Vidal, disse que a intenção é ampliar e fortalecer o setor com políticas de crédito e incentivo.

O número de registro de novos produtos biológicos cresceu de apenas 3, em 2011; para 106, no ano passado. Este último número já foi superado nos primeiros oito meses deste ano, quando 107 produtos chegaram ao mercado. Atualmente, 72 empresas atuam no setor.

A pesquisadora Rose Monnerat, que há 30 anos estuda o tema na área de recursos genéticos e biotecnologia da Embrapa, disse que a rica biodiversidade brasileira é um trunfo para o avanço do controle biológico de pragas agrícolas. No entanto, Monnerat alerta que regras claras e investimento em pesquisa são fundamentais.

“Precisamos ter uma legislação específica que favoreça e facilite o registro. Também precisamos de mais pessoas trabalhando junto ao registro de produto no Ministério da Agricultura, porque a equipe é pequena e a demanda é enorme", disse a pesquisadora.

“Por se tratar de área em expansão, é importante que mais pesquisas sejam realizadas. A gente não conhece quase nada da nossa biodiversidade e podemos estar perdendo alguns inimigos naturais importantíssimos que poderiam estar nos ajudando a controlar pragas”, afirmou.

Menos agrotóxicos
Organizador do debate, o presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP), vê no controle biológico de pragas a solução para diminuir o impacto negativo dos agrotóxicos na saúde humana e na própria produção agrícola.

“Com certeza, dentro dessa agricultura 4.0, o controle biológico vai ganhar muita força. Ao longo do tempo, a gente já vem assistindo a uma tendência do mercado consumidor de querer produtos mais saudáveis, com menos químicos. E a própria agricultura brasileira também precisa encontrar formas de baratear o seu custo, já que hoje a dependência de químicos externos é muito grande dentro da nossa produção”, disse o deputado.

Evolução
O controle biológico de pragas é prática antiga. Desde o século 3, os chineses usam formigas predadoras para controlar pragas. No fim do século 19, besouros se tornaram eficazes no combate a doenças agrícolas no plantio de frutas cítricas.

Hoje, os bioinsumos são classificados em:
  • macrobiológicos, como no caso dos besouros e joaninhas;
  • microbiológicos, como vírus, bactérias e fungos patogênicos;
  • semioquímicos, no caso dos feromônios, que insetos e outros animais usam para demarcar território e atrair parceiros; e
  • bioquímicos, vindos de outras substâncias de origem animal ou vegetal.
Os bioinsumos não têm uso apenas agrícola: o Bacillus thuringiensis, que é uma espécie microbiológica, já se mostrou eficiente no combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e outras doenças.

Por José Carlos Oliveira
Fonte: Camara dos Deputados




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