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18/07/2018 - Soja

Entenda o cenário atual que mexe com as cotações da soja e do milho


Após as cotações futuras de soja atingirem o menor patamar em quase 10 anos no início do mês, os preços subiram no mercado noturno no início desta semana e a soja para novembro voltou para a área dos $ 8,50 por bushel. Dois motivos ajudaram a dar sustentação aos preços: a piora nas condições de safra nos Estados Unidos e os preços já muito baixos, o que estimulou especuladores a comprarem contratos na Bolsa de Chicago (CBOT).

Condições de safra

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou na segunda-feira (16/7) as novas condições de safra. Na soja, as lavouras classificadas como boas ou excelentes caíram 3 pontos porcentuais, para 69%. Apesar da redução, o potencial de produtividade desta safra ainda é enorme e bem acima do ano passado e da média de 5 anos. Porém, reduções nas produtividades se traduzem em safra menor, estoques mais apertados e preços sustentados.

No milho, as lavouras classificadas como boas ou excelentes também caíram 3 pontos, para 72%, um número ainda bom, mas bem abaixo dos 79% de maio, o que mostra um declínio importante em meio às altas temperaturas vistas no Cinturão Agrícola.

Prêmios no Brasil

Já na questão dos prêmios, as ofertas de soja FOB para outubro com origem no Brasil registraram prêmios de $ 2.70 por bushel contra $ 0.62 por bushel para a soja com origem no Golfo dos Estados Unidos. Esta diferença é de 24.4%. Ou seja, os prêmios no Brasil estão atingindo o limite dos 25% de tarifas impostas pelos chineses para importar soja americana.

Caso o prêmio suba mais no Brasil, ficará mais barato para o chinês ir buscar soja nos Estados Unidos. Portanto, de agora em diante, a tendência é que os preços no Brasil só deverão subir mais acentuadamente com câmbio (Real desvalorizado) e uma possível alta na CBOT (clima ruim para a safra americana).

Exportações brasileiras e demanda

O ritmo de exportações do Brasil segue incrivelmente rápido. De fevereiro até agora, os compromissos de exportação do Brasil (grãos já embarcados nos portos + contratos já vendidos e ainda não embarcados) totalizaram 60 milhões de toneladas. O USDA estima que o Brasil deve exportar 74,6 milhões de toneladas, ou seja, o país ainda tem mais 5 meses para exportar apenas 15 milhões de toneladas.

Isso significa que, até este momento, não existe nenhum indicativo de que a demanda mundial por soja está se reduzindo, mesmo com a guerra comercial. As tarifas chinesas sobre a soja americana fizeram com que o fluxo de comércio mudasse: a china compra soja de outros destinos fora dos Estados Unidos e o mundo todo aproveita os preços bons nos Estados Unidos para comprar mais e mais.

Por Tarso Veloso
Fonte: Globo Rural




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