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03/10/2018 - Outros

Entenda a importância da alelopatia no manejo de plantas daninhas


Os sistemas de rotação de culturas favorecem a formação de abundante de palhada após a colheita, ajudando no controle de plantas daninhas, através do sombreamento ou da liberação de substâncias alelopáticas, que influenciam no seu estabelecimento e desenvolvimento.  

A alelopatia caracteriza-se pela produção e liberação de compostos químicos no meio ambiente, no processo de decomposição e lixiviação dos resíduos vegetais. Os aleloquímicos afetam todas as funções vivas das plantas (fotossíntese, respiração, nutrição mineral, transpiração, resistência e crescimento). O composto orgânico é produzido em plantas como milheto, aveia, trigo, braquiárias, entre outras gramíneas, afetando importantes funções fisiológicas.

A semeadura direta trigo-soja e a semeadura de gramíneas, como braquiária (Brachiaria ruziziensis) consorciadas com milho ou sorgo, tem reduzido a sobrevivência de plantas daninhas, o que, juntamente com a ocorrência de efeitos alelopáticos, melhora o seu controle e reduz a necessidade pulverizações com herbicidas.

Trabalhos da Universidade Estadual de Maringá (UEM) com o ácido aconítico, contido na palhada da braquiária (B. ruziziensis), foram estudados quanto a sua fisiologia e ação bioquímica sobre algumas espécies de plantas daninhas. Em testes de laboratório, o ácido aconítico indicou possuir efeitos alelopáticos sobre as sementes de amendoim-bravo, picão-preto, guanxuma e corda-de-viola, podendo reduzir a germinação, a planta e, principalmente, as raízes dessas plantas.

O ácido aconítico é um componente orgânico importante dos vegetais, sendo exsudado pelas raízes de gramíneas, principalmente. Elementos químicos como alumínio (Al) e ferro (Fe) podem encontrar-se ligados a esses ácidos orgânicos na solução do solo. Alto teor de ácido aconítico (95%) tem sido observado na parte aérea de braquiária e em outras espécies de gramíneas. A presença da braquiária, por um período de cinco anos consecutivos, mostrou redução significativa na sobrevivência de um banco de sementes de trapoeraba, sendo mais eficiente, inclusive, do que com os controles anuais com herbicidas.

Os efeitos alelopáticos sugerem a possibilidade de aumento da eficiência de controle de espécies daninhas a campo e redução no número de aplicações de herbicidas, dada a redução da sobrevivência das sementes no solo.

Por Elemar Voll, pesquisador da Embrapa Soja
Fonte: Canal Rural




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