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02/03/2020 - Pecuária

Embrapa cria forrageira que fixa nitrogênio no solo e reduz adubações


A Embrapa e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) desenvolveram uma nova cultivar de forrageira com boa adaptação às condições de clima e solo da região Sul do Brasil. A variedade URS BRS Mesclador, de trevo-vermelho, deve ser lançada oficialmente na 21ª edição da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS), no início de março.

A cultivar recém desenvolvida é recomendada para formação de pastagens cultivadas consorciadas e para sobressemeadura em pastagens naturais na região Sul do Brasil, apresentando um bom estabelecimento e competitividade inicial de plantas. O trevo-vermelho , quando consorciado com gramíneas (azevém, aveia, etc) ou sobressemeado em campos naturais, incrementa a qualidade dessas pastagens por possuir elevado valor nutritivo (boa digestibilidade e elevados teores de proteína).

Além disso, por ser uma leguminosa, através da simbiose com bactérias, fixa nitrogênio atmosférico, reduzindo a necessidade de adubações nitrogenadas com o passar do tempo. Essa característica pode ser potencializada por meio de consórcios com as gramíneas forrageiras de inverno mais comumente usadas no Sul do Brasil.

“Essas gramíneas também têm uma boa qualidade, porém, como em grande maioria são espécies anuais, apresentam uma oscilação dessa qualidade e produtividade ao longo do seu ciclo, que podem ser compensadas pela produção do trevo-vermelho, que é uma espécie perene de vida curta,” explica o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Daniel Montardo. 

Ele acredita que o uso da cultivar URS BRS Mesclador em consórcio com essas gramíneas de inverno é capaz de promover maior produção total e maior qualidade de forragem. Ele relata que o novo material possibilita melhor distribuição da produção e da qualidade ao longo do tempo. “Sem contar os menores custos de adubação nitrogenada da pastagem. Além de economia, essas características contribuem para melhoria da qualidade do solo”, destaca Montardo.

A cultivar URS BRS Mesclador foi selecionada para produção de forragem e persistência, sendo recomendada para áreas bem drenadas de média a alta fertilidade do solo.

Desenvolvida no Brasil para as condições nacionais
O trevo-vermelho é uma das leguminosas forrageiras mais cultivadas no mundo. Seu cultivo foi introduzido no Rio Grande do Sul por meio dos imigrantes europeus, na região da Serra e Planalto do estado, e mostrou boa aptidão para uso como forragem.

Porém, ainda são poucas as cultivares de trevo-vermelho registradas para uso no Brasil.  “Hoje não existe nenhum material nosso desenvolvido para as nossas condições, é lógico que quando se traz um material de fora ele tem alguma adaptação, mas essa nova cultivar é produto nosso, mais adaptado às nossas condições e vai gerar recursos que vão ficar no Brasil. Um material que é produzido na Argentina ou no Uruguai, por exemplo, gera renda lá, porque a semente é produzida lá”, destaca o professor da UFRGS, Miguel Dall’Agnol.

O trevo-vermelho é uma espécie bienal ou perene de curta duração. No entanto, a espécie, em geral, sofre com as altas temperaturas do verão na maior parte das regiões do Sul do Brasil. “A cultivar URS BRS Mesclador é oriunda de plantas selecionadas para produção de forragem e persistência desde 1995, com bom nível de persistência nas regiões com verões mais amenos no Sul do Brasil, desde que bem manejadas e com bom nível de fertilidade. Nas demais regiões, também apresenta boa contribuição na produção de forragem em pastagens consorciadas até o fim da primavera, quando pode ser diferida para se permitir uma ressemeadura natural e, dessa forma, uma longevidade maior na área”, destacou Montardo.

“Esses materiais foram selecionados com o foco principal na persistência, e em segundo lugar pela produção de forragem. Por isso, ele produz bastante forragem e também persiste, sem esquecer que também gera semente, porque os materiais que não as geram não têm apelo comercial para os produtores de semente. Basicamente, a cultivar tem essas três características: persistência, produção de forragem e de semente”, completa Dall’Agnol.

Fonte: Canal Rural




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