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25/05/2020 - Soja

Embrapa apresenta tecnologias para produção de soja no Matopiba


Durante a Agrotins, a feira agrotecnológica do Tocantins, a ser realizada nos dias 27, 28 e 29 de maio, em formato digital, os pesquisadores da Embrapa Soja farão apresentações, em vídeo, sobre algumas das tecnologias que estão impactando positivamente os sistemas de produção com soja, no Estado. “Alguns exemplos são a coinoculação, cobertura do solo com forrageiras, a integração lavoura pecuária e técnicas de formação de perfil do solo”, diz o pesquisador Leonardo José Motta Campos. “Vamos mostrar como estas técnicas vêm sendo usadas e como podem trazer benefícios para os produtores de Tocantins”, destaca o pesquisador da Embrapa Soja.

Manejo de solo com foco no nematoide Pratylenchus - O pesquisador Henrique Debiasi mostrará como o manejo do solo é estratégico no controle de Pratylenchus brachyurus, o principal nematoide que ocasiona danos na soja em Tocantins. Segundo ele, os prejuízos com esta praga podem reduzir a produtividade da soja em aproximadamente 50%. Os danos são maiores em solos arenosos, de baixa fertilidade, e em regiões quentes. “Pretendemos mostrar aos produtores que grande parte dos danos podem ser minimizados com o adequado manejo do solo”, ressalta. 

Debiasi explica que, recentemente, a Embrapa confirmou que a acidez do solo tem papel preponderante sobre os danos ocasionados pelo pratylenchus. Quanto mais ácido - o que significa maior disponibilidade de alumínio e baixos teores de cálcio e magnésio - pior é o crescimento radicular da soja e maior o dano ocasionado na raiz. “Também descobrimos que existe relação entre a acidez do solo e o aumento na população de nematoide”, revela Debiasi. 

Em experimentos, o pesquisador diz ter sido possível reduzir em 50% a população do pratylenchus, a partir da melhoria da acidez do solo com a calagem. “Também observamos que em solos arenosos, onde foi aplicado gesso, nas doses recomendadas pela pesquisa, a soja formou mais raízes e tolerou mais os danos provocados pelo nematoide”, observa.

Além disso, Debiasi explica que as áreas com mais matéria orgânica também têm dano reduzido, por possuírem melhor estrutura do solo e maior equilíbrio biológico. “O segredo para manejar o pratylenchus é melhorar a qualidade química, física e biológica do solo para que a planta produza mais raízes e o solo consiga armazenar mais água e, assim, a planta tolere mais os danos provocados pela praga”, ressalta.

Além disso, o pesquisador pretende mostrar que o manejo adequado do solo deve priorizar a rotação ou sucessão da soja com espécies de cobertura que não sejam hospedeiras do nematoide. “No caso do pratylenchus, temos crotalária como boa opção, além de milheto e sorgo, que têm fatores de reprodução baixos. São opções para reduzir a população do nematoide e minimizar os prejuízos”.

Inoculação de pastagens com Azospirillum - Outro tema que será abordado durante a Agrotins é a Inoculação de pastagens com Azospirillum. Estima-se que o Brasil tenha cerca de 180 milhões de hectares ocupados por pastagens, a grande maioria com braquiárias. Desse total, cerca de 70% encontram-se em algum estágio de degradação. A recuperação de áreas com pastagens degradadas de braquiárias, usando a combinação de fertilizante nitrogenado e Azospirillum pode trazer, com baixo custo para o agricultor, um grande impacto na agropecuária brasileira

O pesquisador Marco Antonio Nogueira vai abordar o  papel da  bactéria Azospirillum brasilense na promoção de crescimento de braquiárias. “Vamos destacar os mecanismos do azospirillum e como a bactéria promove o crescimento das raízes, melhorando assim a performance da planta para absorver água e nutrientes. Desta forma, consegue crescer melhor e tolerar situações adversas moderadas como falta de água”, explica Nogueira. 

Pesquisas da Embrapa Soja comprovam que a adoção da inoculação das braquiárias com azospirillum proporciona um aumento médio de 15% na produção de biomassa da parte aérea e aumento no teor de proteínas em 10%, o que significa oferta de proteína na ordem de 25% a mais. “Esses microrganismos ajudam a pastagem a absorver melhor os nutrientes do solo e, inclusive, o nitrogênio que é fornecido à braquiária pelo fertilizante nitrogenado, aumentando sua eficiência. Isso é mais vantajoso econômica e ambientalmente”, diz o pesquisador

Nogueira irá abordar ainda os benefícios que ficam no solo, a exemplo das raízes da braquiária, que funcionam como um dreno de carbono para o solo e ainda o enriquece com matéria orgânica. “Isso torna o solo mais fértil no longo prazo e acaba beneficiando o sistema como um todo: a soja que vem depois da braquiária consegue ter melhor desempenho que a soja que vem depois de pousio, por exemplo. As raízes da braquiária melhoram o solo física, química e biologicamente, o que ajuda muito no desenvolvimento das culturas que vêm depois”, diz Nogueira.

Fonte: Notícias Agrícolas




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