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08/07/2019 - Pecuária

El Niño deve impactar produtividade e rentabilidade na pecuária em 2019


O fenômeno El Niño deve alterar o padrão de chuvas do país este ano, impactando a formação e a conservação das pastagens durante o inverno. De acordo com o agrometeorologista João Castro, da Climatempo, na região Sul do Brasil, o padrão climático esperado é de chuvas mais abundantes, com volumes de precipitação acima da média. Por outro lado, para a região central do país (norte do MS, MT, GO, MG e SP) o padrão esperado é de irregularidade.

Castro observa que esse cenário já foi observado nos meses de dezembro e janeiro, causando danos pontuais em áreas de soja de SP, GO, MG, MS e MT. “O efeito um pouco fora do esperado foram as estiagens muito localizadas que ocorreram no noroeste do Rio Grande do Sul e no norte do Paraná, porém causadas por outras condições, como as temperaturas do Oceano Pacífico Sul e Oceano Atlântico na costa do Brasil que acabaram se sobressaindo em relação ao fraco El Niño”, diz o agrometeorologista.

As previsões da Climatempo indicam a ocorrência de um El Niño de fraca intensidade atuando durante a segunda metade do ano. Por isso, espera-se que o padrão de chuvas irregulares nas regiões Centro-Oeste e Sudeste persistam, porém sem grandes períodos de estiagens como os verificados em dezembro e janeiro em algumas cidades dessas regiões. Já a região sul deve ter o seu regime de chuvas regularizado, passando inclusive a observar chuvas um pouco acima da média.

Pastagens
Para a pecuária, as previsões indicam maiores riscos de doenças nas produção de forrageiras causadas por fungos, sobretudo entre as oriundas de sementes não certificadas. Outras doenças que também têm seu potencial de incidência aumentado por essas condições climáticas são a Ferrugem da Braquiária e o Carvão da Braquiária.

Os especialistas também alertam para a queda no ganho de peso diário (GPD) em função das condições climáticas. No sistema extensivo, rebanhos que sofrem um sucessivo número de dias com chuvas tendem a consumir menos, reduzindo assim seu GPD.

“Inclusive a decisão de vender um lote fora do momento ideal pode resultar em perdas, pois se o pecuarista decidir segurar o lote por mais alguns dias e ocorrer um período de invernada, pode acontecer de as condições ambientais favorecerem a perda de peso, resultando em prejuízos”, realça Castro, da Climatempo.

Saúde animal
Bruno Lima, veterinário da Virbac, afirma que o El Niño é a variação da temperatura e das precipitações de chuvas pode pode afetar além da parte nutricional do rebanho. Segundo ele, o fenômeno climático pode impactar principalmente o controle de parasitas nas fazendas.

“A umidade na fazenda será aumentada, o que faz com que parasitas como carrapatos e moscas apareçam de uma forma mais brusca. Mesmo com o controle integrado bem realizado, tem-se um maior desafio no campo”, aponta Lima.

De acordo com o veterinário, as verminoses são outro ponto que o pecuarista tem que se atentar durante o tempo mais úmido. “É um problema subclínico, não visível aos olhos do produtor, que afeta principalmente animais mais jovens. Estes são mais sensíveis e possuem uma imunidade frágil”.

De acordo com Lima, as doenças que os parasitas (carrapatos e moscas no geral) podem transmitir são as bicheiras, vermes, larvas de moscas e as verminoses. “Uma das consequências dessas doenças, muito comum em gado de corte, é o complexo tristeza parasitária, em que o principal vetor é o carrapato”.

Com isso, as chuvas fora de hora podem levar à queda da produtividade e causar prejuízo no bolso do pecuarista. “O animal terá o sistema imune comprometido por conta da infestação do parasita que está sugando o sangue e causando uma irritação, podendo ser até vetor de doenças. Há uma queda na produtividade, já que o animal estará debilitado”, relata o veterinário.

Tristeza parasitária
As principais doenças causadas pelos carrapatos são a babesiose e a anaplasmose. “São doenças que chamamos Complexo de Tristeza Parasitária. As (doenças) causadas por moscas são as infestações por moscas dos chifres, miíases (bicheiras) e as moscas do berme que são quadros clássicos de doenças durante o El Niño”, diz Lima.

Lima ressalta que surtos de diarreias em animais jovens também são doenças corriqueiras em tempos de El Niño. “Quando se aumenta a concentração de água disponível sem saber sua procedência, os animais estarão ingerindo e aumentando o risco de diarreias. Em algumas regiões existe o aumento da leptospirose, onde a principal forma de transmissão é pela água contaminada que os animais entram em contato”.

Cuidados
O médico veterinário recomenda que, como prevenção, o produtor mantenha um planejamento no fornecimento de alimentos e faça um programa preventivo de parasitoses e controle de carrapatos. Além disso, é importante manter um detalhado manejo de pragas e doenças com aplicações preventivas de fungicidas e pesticidas, evitando o surgimento de grandes focos.

Em relação ao combate à leptospirose, o veterinário ressalta que o animal deve ser mantido vacinado de acordo com o calendário sanitário proposto pela equipe médica veterinária. “Cada fazenda é um desafio diferente. Nada melhor do que o produtor reconhecer o rebanho dele para preparação contra os obstáculos que podem aparecer ao longo do ano”, conclui Lima.

Por Riccardo Soares
Fonte: Portal DBO




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