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19/11/2018 - Soja

Dólar encarece safra de soja a nível histórico


A safra de soja 2018/2019 tem tudo para bater um recorde, mas não é de produção e nem mesmo positivo. A colheita semeada atualmente poderá ser a mais cara da história. A alta do dólar no período mais crítico do plantio, que começa antes da semente chegar ao solo, com a compra dos insumos, deverá esvaziar o bolso dos agricultores. O cenário será diferente apenas se o câmbio não seguir o rumo previsto pela maior parte dos economistas.

Entre agosto e setembro, quando o produtor já fazia encomendas de fertilizantes, a moeda norte-americana chegou ao pico de R$ 4,20. Agora, está em torno de R$ 3,80, o que torna a cotação do dólar o maior inimigo do setor atualmente. Como a tendência no momento não é de alta (a pesquisa Focus, do Banco Central, projeta R$ 3,70 para o final do ano), poderá haver uma distância considerável entre a cotação do dólar pago na compra do insumo e na venda do grão.

"Mais do que aos fundamentos tradicionais do mercado da soja, como safra norte-americana, clima e outros dados, o que mais importa agora são os fundamentos do mercado do câmbio," explica o economista da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, Antônio da Luz.

E os fundamentos aos quais se refere Luz não são positivos sob o ponto de vista da venda do grão. O economista avalia que com o novo governo de Jair Bolsonaro (PSL) tendendo a promover o ajuste fiscal de diferentes formas, a economia brasileira se fortalecerá aos olhares estrangeiros. O que reduz riscos e aumenta investimentos aqui, levando o dólar a se desvalorizar.

Apesar de ser normal durante o período de eleições presidenciais as incertezas afetarem o câmbio, a campanha deste ano teve mais influência nos custos do produtor do que o que o normal. Enquanto havia muitas incertezas sobre quem venceria o pleito, especialmente até setembro, quando estão em curso as compras de insumos, o dólar era muito alto. E como essas aquisições não são algo que o produtor possa esperar para fazer, já que tem janelas de plantio, ficou no brete da alta cotação, teve que comprar mesmo com o câmbio nas alturas.

"Conforme o Bolsonaro foi se consolidando como favorito, o dólar caiu, mas aí as compras já estavam feitas. E nem teria como ser diferente, porque o plantio tem prazo para começar," explica Luz.

Bartolomeu Braz Pereira, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja), alerta ainda para outro fator que foi determinante para elevar o custo da produção da atual safra: a paralisação geral dos caminhoneiros entre o final de maio e início de junho.

"Os fertilizantes não estavam chegando e saindo dos portos e o produtor corria o risco de ficar sem insumo para o plantio. Por isso, comprou logo que pode, mesmo com dólar alto. Havia um risco maior, o de faltar produto", ressalta Pereira.

O presidente da entidade diz ainda que o custo do frete, que foi elevado após a paralisação, é outro fator que impactará no atual valor investido na safra. O produtor alega que a paralisação foi uma ameaça para a safra de soja 2018/2019 e ainda tem seus impactos. Em alguns casos, o custo de produção por hectare já está mais alto do que o rendimento possível, avalia presidente da Aprosoja.

"Temos o sério risco de ter uma das colheitas mais caras da história. Muito produtor apenas empatará o investido, ou nem isso. Se na venda a cotação estiver entre R$ 3,30 e R$ 3,40, terá prejuízo", desabafa o sojicultor.

Hora de fazer hedge e minimizar os riscos futuros
No atual cenário cambial, onde a tendência é de queda, o melhor que o produtor pode fazer é aproveitar as janelas de oportunidades que ainda estão abertas. O conselho é do analista da Safras & Mercado, Luiz Fernando Roque, que vê espaço para a cotação cair ainda mais.

Roque afirma que o agricultor deve aproveitar os atuais preços e fechar contratos de venda antecipada e não confiar na melhora do câmbio. O analista calcula que o produtor tenha pago entre 15% e 20% a mais por insumos dolarizados neste ano.

"O produtor precisa fazer hedge e negociar a safra desde já. Apesar da queda do dólar, o prêmio de exportação ainda segue bom, de 55 centavos por Buxel para entrega em maio, por exemplo", alerta Roque.

Além de fatores nacionais que podem estimular a queda do dólar, o analista lembra ainda que o mercado avalia que uma certa trégua na guerra comercial com os EUA pode estar a caminho. E, com isso, o dólar pode se desvalorizar um pouco mais. "É pouco provável que o dólar volte ao patamar dos 
R$ 4,00. Não é bom o produtor contar com isso, mas sim ficar atento as boas oportunidades de venda ainda abertas", diz Roque.

Por Thiago Copetti
Fonte: Jornal do Comércio (RS)




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