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23/03/2020 - Outros

Dia da Água: no deserto, Israel virou exemplo de agricultura sustentável


O planeta inteiro celebrou ontem (22/3) o Dia Mundial da Água. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas em 1993 para promover o uso consciente do que talvez seja o principal produto consumido no planeta. Na área do agronegócio, a água também é um dos pilares para a produção agrícola e para a alimentação de animais.

No Brasil, felizmente, boa parte do país possui acesso em abundância à água. Esse status garante que o país seja um dos principais pólos agropecuários do planeta. Mas em países que estão localizados em ambientes áridos e que as chuvas nunca foram regulares?

Esse é o caso de Israel, um país relativamente jovem, mas com um povo de história milenar. Por estar situado em uma região árida e com grande escassez de água, o Estado de Israel precisou recorrer à tecnologia também na área do campo. Dessa forma, o país se tornou referência em agricultura de precisão e líder mundial em agricultura em condições áridas graças ao uso dessa inovação criada a partir da necessidade.

Para entender o tamanho da escassez de água, em Israel, são consumidos 45% mais de água do que precipita de chuva. Dessa maneira, por não ser possível depender exclusivamente da água que vem dos céus, os israelenses desenvolveram uma avançada tecnologia de dessalinização da água para consumo da população. E, para a agricultura, é destinada apenas água reutilizada: 91% do esgoto é coletado e tratado, sendo 75% recuperado para a irrigação.

Uma famosa invenção israelense, a irrigação por gotejamento, traz grande economia de água. A tecnologia utiliza a quantidade precisa de água, pois irriga a planta e não o solo, e otimiza as suas condições de umidade e aeração. Além disso, ela reduz a liberação de gases na atmosfera e aumenta o rendimento e a produtividade.

50 anos de desenvolvimento
Hoje, cinco décadas após a criação da irrigação por gotejamento, o país atrai mais de US$ 670 milhões de investimentos em sua tecnologia agrícola e aposta em soluções além da economia de água, como drones autônomos que colhem frutas do pé na hora certa, software que fornece dados em tempo real sobre colmeias para polinização inteligente e o uso de satélites para saber onde e quanto irrigar a lavoura.

As tecnologias de estufas também foram desenvolvidas devido às restrições naturais. E elas proporcionam resultados superiores, possibilitando o plantio de mais de 3 milhões de rosas ou 300 toneladas de tomates por hectare por estação.

Na etapa pós-colheita, Israel desenvolveu um aparelho de enxágue de alimentos que reduz perdas de cítricos de 15% para 2%. Além de um tratamento apropriado que aumenta o frescor dos alimentos por mais tempo e uma embalagem que minimiza a perda e mantém os valores nutricionais.

O país acabou se tornando uma referência em sementes híbridas, com alta durabilidade. Elas são resistentes a doenças e adequadas a variações climáticas. Segundo a embaixada de Israel no Brasil, cerca de 40% das estufas europeias já utilizam sementes israelenses, como a melancia sem semente, a abóbora resistente a doenças, a abobrinha amarela e o famoso tomate-cereja.

Israel também fabrica e exporta uma variedade de equipamentos e especializados agrícolas, incluindo: empacotamento de aipo móvel, máquinas para produção de embalagens, máquinas para cavar, pulverizadores de ar para uso em cítricos, entre outros.

Nos campos brasileiros
A tecnologia israelense em vários áreas já é famosa. Na agropecuária, no entanto, há a possibilidade da transferência deste conhecimento para outras nações amigas e elas já estão ajudando agricultores ao redor do mundo a tornar o trabalho ainda mais eficiente.

Em 2019, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, se reuniu com o representantes do setor e com o embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley , para discutir o uso de água e produção no semiárido. No encontro, foi acertada a ida de produtores e técnicos agropecuários para Israel para conhecer, in-loco, as tecnologias que podem ser empregadas no nosso país.

Israel é um dos pioneiros, por exemplo, na utilização da técnica de dessalinização. A água do mar, de aquíferos e até de esgoto são submetidas ao processo de dessalinização, o que as tornam potáveis e, portanto, próprias para o consumo.

Em usinas, á água salobra passa por membranas que ficam dentro de tubos. O objetivo é reter o sal e funcionar como uma espécie de filtro. Depois de concluído o processo, a água concentrada volta para o mar e a outra é tratada e abastece a população.

O método para dessalinizar água salobra de aquíferos, por exemplo, é exatamente o mesmo que se usa para a água do mar. A diferença é a quantidade de energia demandada e o tipo de membrana usada.

Fonte: Canal Rural




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