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06/09/2018 - Algodão

Demanda chinesa deve duplicar plantio de algodão no Brasil


A expectativa de aumento da demanda chinesa pelo algodão deve incentivar os produtores brasileiros a quase dobrar a área plantada no país dentro de quatro anos. A informação é do secretário executivo da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), Marcio Portocarrero. Ele disse esperar que o Brasil alcance, até 2022, dois milhões de hectares de plantio. Na safra atual, a estimativa é de cerca de 1,1 milhão de hectares, e na seguinte, de 2018/2019, a associação já projeta aumento para 1,4 milhão de hectares.

“A China nos pediu para assumir um compromisso: aumentar a oferta de algodão. Eles pretendem substituir áreas que hoje tem algodão por cereais”, explicou Portocarrero, durante um encontro com jornalistas realizado pela Bayer, na última terça-feira (04/09), em São Paulo. “É um compromisso verbal, nada foi assinado. E não teve a participação do governo”, afirmou o executivo sobre conversas que o setor produtivo têm mantido com representantes do país asiático.


Segundo o secretário, a área plantada de algodão no Brasil vem crescendo nas últimas safras. Na 2017/2018, foi um crescimento de 26% em relação à safra anterior. Já a safra 2018/2019 deve crescer, segundo as previsões, cerca de 11%. “Mas para chegar aos dois milhões de hectares dependemos do mercado externo”, disse.

Hoje, a maior compradora da produção brasileira é a Indonésia, seguida do Vietnã, Turquia, Coreia do Sul e Blangadesh. A China é apenas a sexta maior compradora.

“Mas, na prática, quem compra mais é a China. À exceção da Turquia, os maiores compradores têm indústrias chinesas em seus territórios. Quem compra nosso algodão é o capital chinês”, explicou Portocarrero. Ele explicou que a China era a nossa maior compradora há alguns anos, mas distribuiu sua produção em vários países por questões ambientais.

O Brasil é o quarto maior produtor mundial atualmente. “Mas a primeira colocada, a Índia, exporta muito pouco. O Brasil, terceiro maior exportador, tem oportunidade para crescer explorando a demanda da Ásia”, disse o secretário executivo.

Ele lembrou que os Estados Unidos são um grande concorrente, mas ressaltou que a produtividade por hectare do país é menor que a brasileira. A produção norte-americana é a terceira maior do mundo e o país lidera na exportação. “O melhor algodão é o da Austrália, mas lá há limitação quanto à água e espaço fértil para produzir. Então, apesar da boa qualidade, é um país que não deve conseguir aumentar sua oferta”, disse. Sexta maior produtora, a Austrália é a quarta maior exportadora de algodão do mundo.

Ameaças

Marcio Portocarrero ainda listou algumas barreiras para o cultivo de algodão no mundo. Entre elas, está o aumento do custo de produção devido ao surgimento de novas pragas e a volta do chamado bicudo-do-algodoeiro, considerado um dos maiores inimigos das plantações, que praticamente dizimou a cultura no Brasil na década de 1990. Outro problema, segundo ele, é o baixo preço do petróleo, que pode levar a indústria têxtil a preferir as fibras sintéticas.

Nédio Tormen, fitopatologista e pesquisador do Instituto Phytos, lembra que, por ser uma cultura exótica no país, o algodão brasileiro tende a ter menos resistência. “Diferente da mandioca, por exemplo, o algodão não coevoluiu com as pragas e plantas daninhas do Brasil”, disse.

Além disso, o algodão costuma ficar mais tempo no campo em comparação a outras culturas, como, por exemplo, feijão e soja, outra razão para aumentar a preocupação em relação a pragas e doenças.

Tormen lembrou que a doença fúngica mancha-de-ramulária é a principal ameaça ao algodoeiro atualmente. “A ramulária tem um potencial violento para reduzir a produtividade. Hoje, 91% das aplicações de fungicidas são para combater essa doença”, disse.

O fitopatologista reforçou que o controle do fungo só será eficiente com o manejo integrado de pragas. “Os fungicidas não devem ser utilizados de forma isolada, mas são um dos pilares no controle da doença”, explicou.

Por Nelson Niero Neto, com edição de Cassiano Ribeiro
Fonte: Globo Rural




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