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06/04/2020 - Algodão

Coronavírus: Queda de 90% no consumo de roupas reduz compras de algodão e preocupa setor


O mercado da indústria têxtil também sente os efeitos da pandemia do coronavírus. De acordo com Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), houve uma queda de 90% no consumo de vestuário no país devido ao fechamento das lojas como medida de prevenir a proliferação do vírus.

Este cenário impacta as vendas de algodão, à medida que a indústria brasileira costuma comprar a pluma mensalmente conforme a demanda, não havendo compras antecipadas em quantidades significativas, segundo a Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa).

Algumas indústrias, conta o presidente da Abit, já estão fazendo pedido para entregar a matéria-prima mais para frente. “Isso vai afetar o mercado de algodão, porque vai ficar parado por pelo menos um mês. Os contratos estão sendo postergados aguardando alguma posição de quando poderemos voltar. Se você não produz, o consumo de todas as matérias-primas cai”, diz.

Fábricas paradas
Pimentel ainda ressalta que São Paulo e Rio de Janeiro representam, juntos, de 13% a 14% do consumo de vestuário do Brasil e, com lojas e shoppings fechados, grande parte da indústria já fica comprometida. Por isso, apesar de ainda não haver cancelamento de contratos, já existe a postergação e a negociação dos prazos de pagamento.

Mesmo com as vendas online, por meio de e-commerce, “varejistas de maior porte dizem que já há uma queda de 36% na atividade”, explica Pimentel, complementando que mais de 80% das fábricas estão em férias e só algumas estão operando em meio turno.

“A indústria nacional tem capacidade de absorver até 650 mil toneladas de pluma anualmente, o que, certamente, se reduzirá, em função do momento que o Brasil e o mundo estão vivenciando”, aponta a Abrapa, por meio de nota.

Conjuntura preocupante
A safra atual está cultivada em estágio vegetativo adiantado, não restando outra alternativa, segundo a Abrapa, a não ser vender mais pluma para o exterior. A entidade estima que 65% a 70% da safra de algodão que será colhida até o final de 2020 já esteja travada por contratos futuros, com preços entre 65 e 70 centavos de dólar por libra peso.

O Brasil exportou, em plumas, 169,9 toneladas em fevereiro e 140,7 toneladas em março deste ano, o que representa alta de 82% nos volumes embarcados nos mesmos meses em 2019 e um recorde histórico de exportações. Porém, cerca de 35% da safra a ser colhida ainda não foi comercializada, tanto no mercado interno quanto externo. Isso equivale a 1 milhão de toneladas de pluma que estarão dependentes do cenário pós coronavírus.

Outro agravante que preocupa o setor é a queda nos preços internacionais, chegando a 0,50 centavos de dólar por libra peso. “O risco é que a multa a ser paga pelos compradores pelo cancelamento seja mais vantajosa que honrar os contratos”, diz a Abrapa, em nota.

A produção mundial de algodão está projetada em 26 milhões de toneladas e, antes da pandemia de coronavírus, o consumo estava previsto para 26,2 milhões de toneladas para 2019/2020. Entretanto, com a perspectiva de redução na demanda global, a Abrapa afirma que ainda não há avaliação segura sobre o percentual de redução, mas existe a preocupação com o cancelamento de contratos.

Consequências
Na perspectiva da associação dos produtores de algodão, ao se confirmar a baixa demanda, os cotonicultores terão duas alternativas: reduzir a área cultivada para a safra 2020/2021 ou manter a área cultivada e a oferta, e buscar aumentar os volumes de exportações.

Ainda assim, a Abrapa explica que, além da cotação da commodity, o cenário das exportações depende do mercado internacional de pluma não ter sido afetado pela pandemia ou que algum país importante na produção deixe de ofertar volume significativo tradicional.

Por Mariana Grilli
Fonte: Globo Rural




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