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30/01/2020 - Outros

Coronavírus: demanda da China por soja e carne vai cair?


O avanço do coronavírus por países asiáticos e europeus tem sido o foco do mercado financeiro e agrícola nos últimos dias. O que se sabe até o momento é que o primeiro foco da doença foi em Wuhan, na China, e que o fato já fez as bolsas internacionais fecharem com queda acentuada, o dólar a disparar aqui no Brasil e o preço das commodities cair.

Economia
Alguns analistas divergem sobre os impactos da doença na economia chinesa e consequentemente da expansão global. Vale lembrar que, em 2019, a China Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos, de 6,1%. Esse foi o menor nível em 29 anos. A principal dúvida do mercado financeiro é o tempo que o surto vai durar, assim como quando as autoridades irão conseguir controlar a doença.

Para o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, o avanço do coronavírus pode reduzir a previsão do crescimento global. De acordo com ele, no entanto, ainda é cedo para medir o impacto do problema na expansão da economia mundial.

O economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale, explica que a doença acaba se tornando mais um elemento de risco em uma economia global, que já se encontra frágil. Segundo ele, para os ativos em geral, para as bolsas, a situação é bastante ruim pois traz mais volatilidade. “A taxa de crescimento da economia tende a ser menor. Quão menor vai depender de como o coronavírus evolui”, afirma. Ele relembra ainda que, em 2003, a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) fez com que o PIB mundial caísse entre 0,1 e 0,5 ponto porcentual.

Já o analista de mercado Pedro Dejneka, da consultoria MD Commodities, afirma que o surto de coronavírus já afetou a economia chinesa. Isso porque o avanço da doença aconteceu próximo ao Ano Novo chinês e o governo estendeu o período de duração do feriado mais popular do país. “A extensão do feriado acaba trazendo impactos no curto prazo. Este é o feriado mais popular da China e possui uma atividade econômica incrível, não só em relação a viagens, mas de restaurantes e festivais. A atividade econômica já sofreu em relação a essa pandemia”, ressalta.

Demanda chinesa
O ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e comentarista do Canal Rural, Benedito Rosa, acredita que a China pode comprar mais alimentos no curto prazo. Ele afirma que o governo chinês não poderá deixar a população sem alimentos. “Acho que no curto prazo, pode haver pressão da China para estocar produtos e ter mais segurança alimentar. Alimentos não podem faltar e quem tem para vender”, indaga.

No médio prazo, no entanto, ele diz que o nível geral de demanda chinesa pode afetar a economia mundial e as exportações do Brasil. “A história da humanidade diz que a população primeiro comprar alimentos”, afirma.

Soja
Para o agronegócio brasileiro, a grande preocupação é que o coronavírus desacelere a economia chinesa e leve o país a revisar seus contratos de importação.

O analista de mercado Luiz Fernando Gutierrez, da Safras & Mercado, afirma que não estão previstos grandes impactos para o mercado de soja no curto e médio prazo. Segundo ele, a soja é uma “commodity inelástica”, ou seja, a China não deve parar de comprar e se diminuir não será significativamente. “A gente não deve ter grandes impactos no curto e médio o prazo até porque a China não para de comprar soja nunca. Ela pode diminuir [a compra], mas nada que impacte de forma relevante os países que exportam para o país asiático”, afirmou.

A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) também afirma que o mercado da soja não será afetado no curto prazo. Isso porque o mercado trabalha com contratos de venda entre seis e oito meses de antecedência. “Grande parte das negociações já foram feitas e muita dessa soja já foi vendida e estão sendo consolidadas com a entrega desse produto”, diz o presidente da entidade Bartolomeu Braz. Porém, ele afirma que se a doença começar a avançar e o controle do vírus se perder, a demanda poderia ser afetada.

Carnes
De acordo com a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), por enquanto o avanço do novo coronavírus pela China não deve impactar a demanda por carnes. Já para o diretor da consultoria MBAgro, José Carlos Hausknecht, passado o Ano Novo chinês, os embarques devem ser retomados, mas com possibilidade de volumes menores. “Talvez em um patamar um pouco menor, mas ainda elevado. Isso vai permitir que os preços continuem em patamares altos”, diz.

Em sua análise, o especialista destaca que, a princípio, o contágio se dá pelo contato com outro humano contaminado. “Mas sabemos que se ficar claro que [a doença] vem de um animal, isso pode gerar medo na população sobre o consumo de determinada carne”, alerta.

Para a consultoria BMJ, especializada em comércio internacional, a procura por produtos do Brasil só poderia ser afetada caso a renda média dos chineses tivesse uma queda, o que poderia acontecer em aproximadamente dois anos. “Enquanto houver manutenção de renda, a não ser que a epidemia poderia afetar a renda média, nós não teríamos um impacto da demanda”, disse sócio-fundador da empresa e ex-secretário de comércio exterior, Welber Barral.

Ele afirma ainda que as principais bolsas internacionais trabalham com um cenário de epidemia parecido com o que houve em 2003. Na época, a China registrou uma queda de 2% no Produto Interno Bruto (PIB) e a mundial, 1%.

Fonte: Canal Rural




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