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02/07/2020 - Tecnologia

ConectarAgro pretende levar internet 4G a 13 milhões de hectares na zona rural do Brasil


O ConectarAgro, grupo formado pelas empresas CNH Industrial, AGCO, Jacto, Climate FieldView/Bayer, Nokia, TIM, Trimble e Solinftec, passou a operar oficialmente como uma associação desde ontem (01/7).

A informação já havia sido antecipada por Globo Rural em outubro de 2019, mas Gregory Giordan, presidente da associação e diretor de Agricultura de Precisão da CNH Industrial, admite que a complexidade em criar um estatuto prolongou a efetivação da entidade.

“A gente subestimou um pouco a complexidade de ter um estatuto. Na sequência, teve a Covid-19, então, isso desacelerou um pouco o processo, infelizmente. Mas eu gosto do lema devagar e sempre, e a gente estudou bem como tínhamos que fazer nosso estatuto, inclusive para a entrada de novos participantes”, explica.

A nova conjuntura possibilita que outras empresas passem a integrar a iniciativa. De acordo com Giordan, 35 empresas estão prestes a receber detalhes de como participar. “Existe uma diversidade muito interessante, desde agrícola, até redes sociais e sistema financeiro, o que mostra uma potência para negócios no campo. Desde a menor startup até uma multinacional podem fazer parte.”

Expectativas
Em 2019, 50 mil propriedades rurais, que correspondem a 5,1 milhões de hectares, foram contempladas com o ConectarAgro. Os projetos customizados estão em 218 municípios, em regiões como Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba. Alexandre Dal Forno, head de IoT da TIM Brasil, afirma que 90% das propriedades têm menos de 100 hectares.

“Toda essa rede 4G é uma rede aberta, pública, então ela não tem limites. Parte da cobertura extrapola a área da grande produção e acaba atingindo pequenas áreas”, diz Dal Forno, explicando que está sendo feito contato com cooperativas para a instalação de antenas que beneficiem pequenos produtores.

Devido à cobertura expansiva, o objetivo da nova associação é conectar mais 13 milhões de hectares na safra 2020/2021, número superior ao dobro do resultado alcançado no ano passado. Para atingir esta meta, Mateus Barros, líder de negócios da Climate FieldView, argumenta que o retorno do investimento é “bastante rápido”.

“Os projetos variam, mas, em média, o custo de implementação tem ficado em torno de meia saca [de soja] por hectare. O retorno sobre esse investimento vem bastante rápido, porque, à medida que produtor começa a adotar essa tecnologia, consegue esse retorno do investimento adicional”, conta.

Oportunidades de negócio
Além de levar internet para áreas produtivas, a associação pretende facilitar a conectividade entre modais para que a rastreabilidade de cargas seja cada vez mais aplicada. Segundo Leonardo Finizola, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Nokia, o objetivo é evitar a fragmentação tecnológica e ter uma solução que contemple a logística da fazenda ao porto.

“É importante ter conectividade não apenas para emitir uma nota fiscal, mas também para rastreabilidade, e que a carga saia da fazenda podendo ser monitorada até chegar ao porto e ser exportada. Isso proporciona segurança e unificação de processos, fazendo com toda a parte de corredor possa ser rastreada, diminuindo custos de produção”, afirma.

Outra oportunidade mencionada durante a entrevista à imprensa nesta quarta-feira (1/7) foi a expansão da atuação do ConectarAgro para a Argentina. Sem entrar em detalhes de prazo, Ana Helena Andrade, diretora da AGCO, confirmou a possibilidade. “É um país que tem uma agricultura desenvolvida e temos certeza que o ConectarAgro vai conseguir operar na Argentina e fomentar o negócio do produtor argentino", frisou.

Por Mariana Grilli
Fonte: Globo Rural




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