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27/06/2018 - Mercado

Como as mudanças envolvendo o mercado chinês poderão impactar o Brasil?


O aumento da classe média brasileira e a elevação do PIB per capita, observado nos últimos 20 anos, dão esperança para um cenário positivo ao Brasil na próxima década. Para que isso se concretize, o modelo econômico deverá evoluir, com mais ênfase em investimentos e produtividade. O país representa aproximadamente 45% da economia da América Latina, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A relação econômica entre Brasil e China tem grande impacto na evolução do país, principalmente na agropecuária. Em 2017, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a China representou 27,7% do total exportado pelo Brasil. Atualmente, dois grandes temas relacionados ao gigante asiático trazem possibilidades positivas e riscos para o mercado nacional. São eles: a guerra comercial entre China e Estados Unidos (EUA) e as mudanças na legislação ambiental chinesa.

A recente disputa de tarifas entre Pequim e os norte-americanos, teve início depois de uma investigação do governo dos EUA apontar que os chineses se apropriaram de tecnologia americana de forma desleal. Desde então, tensões diplomáticas se iniciaram. Foram impostas tarifas para importação de aço e alumínio chinês, por parte dos EUA. O governo chinês, por sua vez, ameaça sobretaxar as importações de produtos americanos, como: soja, carne, milho, suco de laranja, trigo, algodão e etanol. Embora existam desconfianças sobre as tarifas serem, de fato, aplicadas, decisões concretas e também especulações podem trazer impactos positivos ao Brasil.

A soja está no centro das discussões, o Brasil é o principal exportador do grão para a China. Os EUA vêm logo atrás, e vendem quase um terço de sua produção ao país. A instabilidade entre os dois países pode aumentar as vendas brasileiras da oleaginosa a China. A tensão também pode elevar os preços, especialmente se a oferta diminuir, com a quebra da safra argentina, por exemplo, outro grande player mundial. O Brasil responde por 58% da soja adquirida pelos chineses e os EUA, por cerca de 38%. Caso a China comprasse toda a soja exportada pelo Brasil, ainda assim não conseguiria suprir a demanda interna. Por isso, é necessário buscar o produto em uma gama de países, inclusive nos EUA, independentemente de tarifas, como destaca André Soares,pesquisador do AtlanticCouncil.

A carne suína também é outro mercado relevante. Segundo relatório do Itaú BBA, a China importou, em 2017, 1,6 milhão de toneladas de carne suína, sendo que 10% desse total foi abastecido pelos EUA e 3% pelo Brasil. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que o consumo chinês de carne suína deve crescer 0,7% em 2018, para 55,5 milhões de toneladas. Se o país decidir sobretaxar o produto dos EUA, sobrará espaço para potencial aumento de compras da carne brasileira.

Com relação a legislação ambiental, em 2015, sob crescente pressão da comunidade internacional, o governo chinês anunciou diversos objetivos. Entre eles, a diminuição de 40% na concentração das partículas mais poluentes no ar, até 2020. Os efeitos do endurecimento da fiscalização ambiental são sentidos no mercado de defensivos, entre outros.

Por Ana Palazzo e Willemberg Cruz
Fonte: Cana Online




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