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27/04/2020 - Outros

CNA: menor importação de leite e retomada no milho são destaques; confira todos os produtos


A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou no sábado (25/4), um relatório com tudo o que aconteceu de importante para o agronegócio no período de 20 a 24 de abril. No balanço da semana, a entidade mostra as movimentações no mercado dos principais produtos agropecuários.

Entre os destaques apontados pela CNA está a perspectiva de que os produtores de leite devem suprir toda a demanda nacional, já que estão em queda as importações de leite em pó. A retomada dos negócios no segmento de milho também está entre os pontos avaliados pelo relatório.

Confira a análise preparada pela CNA sobre o mercado dos principais produtos agropecuários e as principais medidas relacionadas ao setor ocorridas no período:

PRODUTOS
Lácteos
As consecutivas quedas nos valores internacionais de leite em pó inibem as importações brasileiras, apontando para um cenário positivo ao produtor brasileiro que suprirá, por inteiro, a demanda nacional, informa o relatório da CNA.

A queda nos preços dos principais produtos (leite UHT e leite em pó) e do leite spot no mercado interno causam preocupação em relação aos que serão praticados nos próximos meses. O preço pago em abril – referente ao leite produzido em março – está 9% mais baixo que no mesmo período do ano de 2019, cotado atualmente a R$ 1,43/ litro.

Milho e soja
Para o milho, a CNA verificou a retomada dos negócios em função do preço, que passou por uma leve ampliação ao longo da semana, seguindo o comportamento da cotação do dólar. No caso da soja, a manutenção das compras da commodity brasileira pela China impediu queda mais acentuada das cotações. O mercado andou de lado, mas sinaliza uma tendência de alta para as próximas semanas.

Setor sucroenergético
A queda do preço do petróleo tem mantido em baixa, por consequência, o preço do etanol. Na última terça-feira, 21, a Petrobras reduziu mais uma vez o preço médio da gasolina em 8%, uma queda superior a 50% no acumulado do ano, lembra o relatório.

No caso do açúcar, a semana iniciou em baixa e encerra com uma leve recuperação em consequência da pequena reação do preço do petróleo ao longo da semana.

Café
Com a aproximação do início da colheita do café arábica, produtores buscam máquinas e equipamentos para aumentar a eficiência da colheita e reduzir a necessidade de mão de obra. Agentes do setor relatam aumento de 30% na venda desses produtos. Com as leves altas do dólar ao longo da semana, o preço do café no mercado interno tem se sustentado, informa a CNA.

Boi gordo
O valor da arroba permaneceu praticamente estável, com queda de 1% em relação à semana anterior devido a ajustes quanto ao contrato futuro, de acordo com avaliação da CNA. Houve redução dos preços nos cortes nobres e manutenção nos mais baratos, uma forma de ajustar os preços nas gôndolas e equilibrar o preço da arroba, indica o relatório A preocupação do produtor no momento está relacionada a questões futuras, principalmente com a disponibilidade efetiva de crédito de custeio.

Aves e suínos
Os efeitos da crise têm resultado na redução do preço pago aos produtores. Novas negociações apontam queda de 8% no valor pago aos produtores independentes de suínos em relação à semana anterior, 30% em relação ao mesmo período de março e 5% em relação ao mesmo período de 2019.

No setor de aves, o preço do frango vivo no interior de São Paulo segue em queda de 10,8% em relação a março de 2020 e 19,4% a abril de 2019. Esse movimento está causando cancelamentos e diminuição de contratos com incubatórios para forçar uma queda de alojamento de pintos a partir de maio e de matrizes a partir de junho.

Ovos
Com a reposição completa dos estoques pós Semana Santa, os volumes negociados nesta semana foram baixos, o que fez com que os preços caíssem para R$ 108 a caixa de 30 dúzias, uma queda de 2,7% em relação à semana anterior (R$ 111). Esse preço faz com que, mesmo com a menor cotação do milho, a manutenção das poedeiras antigas nos galpões não seja viável, o que pode impactar na produtividade nos próximos meses.

Aquicultura
As iniciativas para manutenção do comércio de peixe após o fechamento do segmento do food service como a adequação para venda no varejo e a criação de plataformas online, não são suficientes para atender a oferta, afirma a CNA. Houve queda de 20% no preço da tilápia cotada na Ceagesp na última semana, passando de R$ 9,50 para R$ 8 kg.

Enquanto isso, o setor de criação de camarões está cauteloso e anunciou redução da densidade dos viveiros enquanto o estoque nas indústrias não for comercializado.

Flores e plantas ornamentais
O setor de flores aguarda medidas mais robustas de apoio, informa a CNA. Enquanto isso, busca medidas paliativas para o comércio dos produtos no Dia das Mães, como campanhas, vendas por delivery e comercialização via drive thru.

A data comemorativa é considerada a principal pelo setor, juntamente como Dia da Mulher e Dia dos Namorados. No entanto, mesmo com as medidas, o setor estima uma redução exponencial na comercialização de flores na data.

Frutas e hortaliças
Com a demanda ainda baixa, os preços dos produtos frescos no atacado continuam pressionados, informa a CNA. A pressão de baixa tem sido acentuada pelas variações de produção.

Alface, mamão, tomate e cenoura encontram-se entre os produtos que têm sofrido drasticamente com o efeito negativo dos preços nos últimos dias.

No caso da alface, o clima tem favorecido os ganhos de produção. As consequências negativas de preço estão afetando diretamente os produtores, que já cogitam a redução da área cultivada.

Para o tomate, a entrada da safra de inverno em Minas Gerais contribuiu para o recuo dos preços após o aumento verificado no fim da safra verão. Já para a cenoura e o mamão, a baixa demanda tem reforçado as baixas de preço mesmo com a oferta reduzida nas principais regiões produtores.

A batata e a cebola encontram-se entre os poucos hortifrútis que têm sustentado leves aumentos de preço em decorrência do fim da safra. No caso da cebola, a perspectiva de redução da produção na região de Irecê (BA) e a importação ainda tímida dos bulbos argentinos mantêm altas mais expressivas no atacado nacional.

A CNA afirma a plataforma de comércio eletrônico de produtos que lançou para a comercialização desses produtos aumentou o número de adeptos na última semana. A busca por meios alternativos de negociação tem ampliado entre produtores, compradores e agentes logísticos, segundo a entidade.

Borracha natural
Outro segmento à espera de ajuda, o setor de borracha natural tem tido poucos negócios e os preços pagos ao produtor seguem em baixa, em decorrência da menor procura pelas usinas de beneficiamento.

Com poucos negócios, os preços pagos ao produtor da borracha natural seguem em baixa em decorrência da menor procura pelas usinas de beneficiamento.

MEDIDAS DE APOIO AO SETOR
  • O boletim da CNA destaca a publicação da instrução normativa 29/2020 pelo Ministério da Agricultura, que permite o livre comércio de produtos de origem animal na área de atuação de consórcios públicos de municípios perante o cumprimento de requisitos pré-estabelecidos.
  • Já o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) publicou os convênios ICMS 32/20, que estende aos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina a autorização para conceder benefícios às saídas de leite pasteurizado, e ICMS 34/20, que inclui a tambatinga entre os pescados autorizados a ter concessão de isenção de ICMS.
  • Em atendimento a solicitação da CNA, a Receita Federal prorrogou, até o último dia útil do mês de junho de 2020, o prazo para que municípios e o Distrito Federal encaminhem as informações sobre valor da terra nua ao fisco – dado utilizado no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). A solicitação foi em decorrência da impossibilidade de participação dos sindicatos rurais nessas reuniões devido às medidas de isolamento social.
  • No Congresso Federal, a aprovação do Projeto de Lei 873/2020 é uma das medidas emergenciais que avançou na semana. Após atuação da CNA e demais instituições, o Senado Federal aprovou a proposta, que visa incluir os agricultores familiares, pescadores artesanais, extrativistas e arrendatários no rol das categorias que acessarão o auxílio emergencial de R$ 600. A proposta precisa ser sancionada pelo presidente da República.
Fonte: Canal Rural




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