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11/12/2018 - Soja

Clima, guerra comercial e início do novo governo vão definir preços da soja no Brasil


Clima na América do Sul, guerra comercial e o início do novo governo no Brasil. Esses deverão ser os três principais pontos de atenção do produtor brasileiro de soja para definir seus próximos passos na comercialização. Serão estes, afinal, os fatores que mais pesarão sobre a formação dos preços da soja brasileira daqui em diante, como acredita o economista e analista de mercado Camilo Motter, da Granoeste Corretora de Cereais. 

"Agora continuamos sem grandes movimentos. O mercado continua bastante travado. Não há interesses por parte de compradores e, diante desses patamares, dos vendedores. Assim, não vejo grandes oportunidades no curto prazo", diz Motter. 

Os prêmios cederam muito e afastaram ainda mais os vendedores. Nos últimos 60 dias, a posição dezembro/18 para entrega em Paranaguá registrou uma queda de mais de 81%, passando de US$ 2,65 para US$ 0,50 sobre os valores praticados na Bolsa de Chicago. Quando se fala em fevereiro no porto, a referência caiu de US$ 1,35 para US$ 0,35, amargando uma queda de 74,07%. 

Nessa toada, e com o câmbio também buscando definir sua direção, os indicativos de preços para a saca de soja no terminal paranaense também recuaram de forma significativa. No disponível, baixa de 16,84% nos últimos dois meses, com o preço recuando de R$ 95,00 para R$ 79,00. Já a safra nova perdeu 4,71%, ficando em R$ 81,00, contra R$ 85,00 em outubro. 

No mesmo intervalo, o que ajudou a segurar as cotações foi o dólar, que subiu de R$ 3,7772 para R$ 3,9061. 
 
E assim, sem sobressaltos, "devemos ver mais do mesmo", como explica o analista, até que tenhamos um fato novo. "Dessa forma, até que ele apareça, o mercado vai continuar em compasso de espera", completa Motter, dizendo ainda que, ao menos nesse momento, a postura mais cautelosa do mercado é acertada. 

No entanto, acredita ainda que a partir de janeiro os negócios deverão voltar a fluir no Brasil. As primeiras colheitas da safra 2018/19 do Brasil estão previstas para começar já na segunda quinzena de dezembro em alguns pontos e, o produtor precisa voltar a vender para fazer caixa e também por questões logísticas. 

Além disso, ainda como explica o economista da Granoeste, as baixas nos prêmios da soja brasileira tornaram seu preço mais atrativo para outros países asiáticos que não a China. "E se alia então, prêmios baixos à qualidade, a soja voltou a ficar mais atrativa para os demais compradores já que está mais barata", diz. 

Estimativas mostram que o Brasil já tem algo próximo de 35% de sua nova safra comercializada. O número é baixo se comparado a outros anos, porém, Motter explica também que "o produtor brasileiro vendeu bastante a bons patamares". A orientação agora é, portanto, não se desligar destes três fatores, os quais estão bastante sujeitos a uma intensa volatlidade daqui em diante. 

Clima na América do Sul

A questão do clima na América do Sul diz respeito, diretamente, à oferta. 

Até este momento, a data é 10 de dezembro de 2018, a nova safra de soja do Brasil não enfrenta severos ou generalizados problemas climáticos que possam ameaçar seu potencial de forma agressiva ou substancial. No entanto, não é possível desviar a atenção, principalmente neste momento de desenvolvimento das lavouras. 

"O cenário climático geral para a América do Sul se mantém saudável e sustentando uma produção cheia em 2019", dizem os analistas da ARC Mercosul.

Os estados que mais exigem atenção nesse período, onde a falta de chuvas preocupa produtores de alguns municípios do Paraná e do Mato Grosso do Sul. 

E as chuvas para o estado paranaense, de acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), ainda não chegarão nos próximos dias. Volumes consideráveis deverão ser vistos somente a partir do dia 21, mesmo que ocorram de forma pontual. As previsões para o Mato Grosso do Sul, principalmente o Sul do estado, são semelhantes. O sul do país também tem tendência de tempo mais seco para os próximos dias. 

Informações da ARC Mercosul dão conta ainda de que uma massa de ar quente de alta pressão estaria estacionada sobre o Centro-Sul do Brasil chegando ainda a todo o Paraguai e norte da Argentina pelos próximos dias. "Este evento impede a chegada e formação de chuvas sobre as regiões, entretanto que não traz nenhuma preocupação diante da estiagem passageira", diz a consultoria.

" A ARC lembra que os níveis de umidade do solo já estabelecidos nas áreas citadas possuem a capacidade de tolerar este breve período de seca. Além do mais, uma faixa de precipitações intensas que corta desde o leste de Minas Gerais até o oeste do Pará permanece no mesmo período", complementa a consultoria.

Guerra comercial

No caso da guerra comercial, o principal atingido - quando se fala de preços no Brasil - é o prêmio. Além de falta de interesse dos compradores neste momento, a trégua proposta por China e Estados Unidos na última reunião do G20, em 1º de dezembro, já ajudou a promover essas baixas dos prêmios no país. 

O período de 90 dias de um "cessar-fogo" entre os dois países foi abalado pela prisão e pedido de extradição da diretora financeira da da gigante chinesa de tecnologia Huawei, Meng Wanzhou, a pedido dos EUA. A nação asiática recebeu a notícia com extremo descontento e articula para que ela seja solta. 

Ao mesmo tempo, líderes do governo americano já anunciaram que, sem um acordo até 1º de março, as tarifas vão subir "ou novas tarifas serão impostas por Washington" disse o representante comercial norte-americano, Robert Lighthizer. Caso isso seja confirmado, a China promete revidar. 

Os novos capítulos são aguardados pelo mercado, portanto, principalmente em relação aos movimentos da China. "Essa guerra comercial criou dois cenários de preços, o que está sendo agora equalizado pelos prêmios", explica Camilo Motter. 

Início do governo Bolsonaro

Os preços da soja no Brasil deverão passar ainda pelo teste da volatilidade do câmbio no início do ano que vem com o início de um novo governo no Brasil. 

Será mesmo tudo novo e completamente diferente? Quais serão as medidas propostas? Os pacotes? Essas são apenas algumas das perguntas que o mercado começa a se fazer para definir qual será seu humor a partir do momento em que Jair Bolsonaro e sua equipe assumirem o controle do Brasil. 

"As propostas sinalizadas, as intenções - privatização, ataque à dívida pública, um mercado mais livre, a reforma da previdência, etc - estão no caminho certo. Mas ainda tenho dúvidas sobre a firmeza disso. A equipe que assume em janeiro ainda pode enfrentar algumas barreiras com a equipe antiga do Congresso, já que a renovação acontece só em fevereiro", explica o analsita da Granoeste. 

E claro, a volatilidade sobre a moeda americana poderá se intensificar frente aos desdobramentos - ou a falta de resolução - da disputa comercial entre China e Estados Unidos. As ações do Federal Reserve, o banco central norte-americano, também podem influenciar de forma considerável o andamento da divisa. 

"O único fato mais relevante e capaz de garantir um eventual rali até o fim do ano seria um Federal Reserve sendo ainda mais claro em sua leitura de desaceleração do ritmo de aperto monetário atual", disse à Reuters o operador de câmbio da corretora H.Commcor Cleber Alessie Machado ao citar o encontro de política monetária do banco central dos Estados Unidos nos dias 18 e 19 de dezembro.

Fonte: Notícias Agrícolas




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