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24/07/2020 - Soja

Clima: como influenciará a produção da soja no Brasil?


As condições climáticas são fatores que desempenham importante papel na incidência de pragas na soja. Assim, fatores como radiação, temperatura, umidade, luz, vento e fenômenos climáticos influenciam na população e, consequentemente, no controle das pragas.

Dessa forma, conhecer a relação entre o clima e o controle de pragas a cada nova safra de soja é fundamental para melhor tomada de decisões, permitindo que o agricultor possa alcançar maior eficiência no controle de pragas na soja.

Assim, a seguinte questão é colocada à prova: qual será o comportamento do clima na próxima safra de soja e como ele influenciará na população de pragas e uso de defensivos?

Soja: cultura com alta dependência de condições climáticas
A soja é uma cultura de sequeiro e, no Brasil, seu plantio ocorre em grande parte na região tropical. Por essa razão Paulo Etchichury, meteorologista e sócio-diretor da Somar Meteorologia, explica que essa cultura tem uma dependência direta das condições climáticas.

“Fatores como a chuva, a temperatura e a radiação são logicamente os fatores climáticos mais dependentes da soja e precisam ser amplamente considerados”, explica. O meteorologista afirma também que os riscos climáticos para a lavoura de soja variam de acordo com a região onde foi plantada.

Para as lavouras dos estados do Sul do Brasil (RS, SC e PR) e também Mato Grosso do Sul, o principal risco para a produção, segundo Etchichury, está associado com a falta de chuva.

“Nesses estados no verão, período do ciclo da lavoura, chove pouco e é muito comum períodos secos e estiagens regionalizadas, que comprometem e por vezes até limitam a produção (quebra de safra)”, informa.

Ele explica que o risco de maior de escassez de chuvas ocorre em anos de La Niña. Nos anos neutros (sem El Niño e nem La Niña) ocorrem estiagens regionalizadas, alternando com períodos de chuva. Já o melhor cenário ocorre em anos de El Niño, quando chove mais no verão e reduz o risco de estiagens/secas severas.

No caso das lavouras do Centro-Oeste e Sudeste, onde o verão é mais chuvoso, o meteorologista indica que o risco para a lavoura de soja está mais associado a períodos mais chuvosos e, portanto, redução de luminosidade/radiação solar é menor. “Este cenário potencializa o surgimento de doenças e pragas na lavoura”, completa Paulo Etchichury.

Já as lavouras do Nordeste, essencialmente na região do Matopiba, convivem com os riscos tanto de falta de chuva (seco), como de excesso (chuvoso). “Essa variação das condições climáticas de um ano para outro, está associado a condição de El Niño (mais seco) e La Niña (mais chuvoso)”, complementa o meteorologista da Somar.

A próxima safra de soja pode sofrer influência do fenômeno “La Niña”
Nos últimos dias, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos atualizou sua projeção para o clima e admitiu que existe a possibilidade de La Niña no verão de 2021.

Essa projeção é compartilhada pela Somar Meteorologia. Segundo o diretor da Somar neste momento já se observa o início de uma fase de águas frias sobre o oceano Pacífico equatorial, que passou apresentar anomalias negativas da temperatura superficial tanto na parte leste como na parte central.

“De imediato esse cenário contribui para reduzir a incidência de chuvas no inverno e na primavera no Sul do Brasil, o que favorece as culturas de inverno (trigo e cevada) mas nesse período não afeta em nada a lavoura de soja”, explica.

Porém, segundo previsões da NOAA, essa fase de águas frias deve continuar ao longo de todo o segundo semestre, mas não deverá ser intensa. Inclusive, para o início de 2021 há indicação de transição para a neutralidade, embora ainda em fase negativa. “Com isso, ainda não podemos definir se teremos condições de resfriamento suficientes para garantir a configuração do fenômeno La Niña”, salienta o meteorologista.

Mesmo assim, independentemente da configuração do La Niña, Etchichury diz ser muito provável que a próxima safra de soja, 2020/2021, ocorra sob condições de um Pacífico neutro, mas ainda na fase fria.

Essa condição de modo geral favorece as lavouras do Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, onde o plantio não deve atrasar, com as chuvas retornando gradualmente entre outubro e novembro.

Enquanto para as lavouras do Sul, o enfraquecimento ou não instalação do La Niña, sem dúvida será um fator de favorecimento, pois reduz o risco de seca severa, porém não elimina o risco de períodos (10 a 15 dias) de estiagens regionalizadas.

“Para reduzir esse risco, o produtor deve ficar bastante atento na hora de definir o ciclo da variedade a ser plantada”, completa o sócio-diretor da Somar.

Mas e se o La Niña se confirmar?
Como vimos, a expectativa atual é de que teremos um La Niña enfraquecido ou até caminhando para a neutralidade. Mas e caso as tendências não se confirmem e o La Niña cause alterações mais extremas no clima?

Nesse caso, podemos esperar secas mais severas, essencialmente na região Sul, grande produtora de soja do país, e esse cenário pode favorecer algumas doenças de soja, nematoides e podridão cinza da raiz. Por outro lado, doenças diretamente relacionadas com alta umidade, como a ferrugem, não deverão apresentar altas incidência e/ou severidade.

Dessa forma, em caso de secas mais severas, o agricultor certamente terá dificuldades em realizar o manejo e controle químico das pragas.

O exemplo do controle de percevejos em soja é o mais comum nesse caso. Para controle do percevejo as estratégias mais comuns são a de contaminação tarsal (por caminhamento) ou pelo efeito de contato, se uma gota cair sobre os percevejos.

Quando o percevejo está na parte superior das plantas, irá receber uma quantidade maior de choque, sendo melhor controlado. Porém, em épocas de baixa umidade a praga tende a ficar menos exposta, dificultando o controle.

Dessa forma, sabendo-se que algumas doenças de soja podem ser favorecidas por períodos de seca, algumas medidas são recomendadas para diminuir eventuais prejuízos em anos de La Niña, tais como:
  • Tratamento de sementes: muito importante como preventivo para evitar a ação de pragas e doenças e proporcionar melhor estabelecimento do estande da lavoura. Importante ressaltar que alguns fungos e nematoides não necessitam de alto teor de umidade no solo para se desenvolver na lavoura. Para isso, um tratamento de sementes inovador que controla doenças e nematoides é um caminho importante para a prevenção e proteção do potencial produtivo da lavoura, fazendo-se assim necessário seu manejo.
  • Seleção de cultivares resistentes a doenças e nematoides;
  • Melhoria das condições de manutenção de água no solo, principalmente com a adoção de plantio direto.
  • Realização das medidas de manejo adequadas, variando as ferramentas disponíveis.
É preciso estar atento!
O produtor deve trabalhar muito em conjunto com as previsões climáticas de forma constante e, caso sejam previstos efeitos climáticos severos, deve planejar ações preventivas para proteger sua lavoura.

Luiz Tupich, Consultor de Desenvolvimento de Mercado na Ihara, alerta: “Em anos com menor pluviosidade, a tendência é de que doenças foliares tenham menor incidência, entretanto, não o suficiente para que o manejo seja descartado. Nos últimos anos, o efeito de doenças sobre a cultura da soja se mostra mais visível pela desfolha nos estádios reprodutivos de desenvolvimento da cultura.”

E acrescenta: “O manejo de doenças deve ser iniciado desde o tratamento de sementes, se estendendo pelo período vegetativo para proteger o potencial produtivo. A ferrugem asiática, doenças de final de ciclo, mancha-alvo e outras doenças como antracnose e oídio afetarão a produtividade da soja independentemente do clima, portanto, o manejo correto de doenças tem papel fundamental para maior rendimento em produtividade.

O sucesso do manejo fitossanitário na cultura da soja depende da correta utilização de diferentes ferramentas, desde a escolha da variedade a ser cultivada, adubação até escolha dos produtos indicados para o manejo químico de plantas daninhas, pragas e doenças.

Fonte: Canal Rural




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