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13/12/2018 - Soja

China faz primeira compra de soja nos EUA após trégua firmada entre Trump e Xi


Empresas estatais chinesas teriam feito a compra de mais de 500 mil toneladas de soja dos EUA no valor de cerca de US$ 180 milhões na tarde desta quarta-feira. Este é o primeiro sinal concreto de que a nação asiática estaria cumprindo sua parte na trégua firmada com o EUA após o encontro do G20. 

As compras, feitas pela Sinograin, teriam sido de cerca de 30 navios, o que totalizaria perto de 2 milhões de toneladas, de um volume que pode ficar entre 3 e 5 milhões, segundo explicou o analista de mercado Eduardo Vanin, da Agrinvest Commodities. O importante agora é saber, no entanto, se as tarifas chinesas sobre a soja americana serão mantidas e como isso irá estimular ou não as empresas privadas na China a voltarem a comprar nos EUA. 

Segundo operadores internacionais, essa é a primeira grande compra da nação asiática após o "cessar-fogo" temporário de Xi Jinping e Donald Trump e de que as tensões entre as duas maiores economias do mundo estariam começando a diminuir.  

"A China estava comprando diretamente nos terminais nesta manhã. Parece que estamos de volta aos negócios agora", disse um segundo operador à Reuters Internacional. 

Trump já havia dito, esta semana, que as compras estariam sendo retomadas. 

 
"Eu ouvi que eles (os chineses) estão comprando grandes volumes de soja. Eles estão começando, começando agora", disse o presidente norte-americano Donald Trump, em uma entrevista à Reuters nesta semana, aquecendo as expectativas de que o mercado está prestes a ver um acordo sendo firmado entre China e Estados Unidos em torno da oleaginosa. 

E Trump afirmou ainda que estaria disposto a voltar a se reunir com o presidente chinês Xi Jinping, e que espera saudá-lo por essa volta das compras de soja pela nação asiática no mercado norte-americano. De acordo com o líder dos EUA, as negociações evoluem bem - com boas conversas acontecendo pelo telefone - e mais reuniões entre os dois governos estariam prestes a acontecer. 

Há informações ainda de que a China está prestes a anunciar, ainda neste mês, uma série de compras de soja nos EUA, segundo comunicados oficiais de Pequim, e essa retomada, ao ser efetivada, poderia trazer um alívio considerável aos produtores norte-americanos - que sofrem não só com preços mais baixos - em alguns casos abaixo dos custos de produção - mas também com a dificuldade para armazenar uma safra tão grande. 

De acordo com os últimos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trazidos neste 11 de dezembro, a temporada 2018/19 deverá se consolidar com uma safra maior do que 125 milhões de toneladas e estoques finais de 25,99 milhões de toneladas. 

No último boletim mensal de oferta e demanda, o departamento indicou, ao mesmo tempo, uma manutenção das exportações norte-americanas de 51,71 milhões de toneladas, enquanto aumentou as do Brasil de 777 milhões para 81 milhões de toneladas. Números de consultorias e instituições brasileiras falam em estimativas ainda mais altas para 2018. 

Trump está em meio a uma fase delicada da guerra comercial, onde as negociações também são frágeis. O período é de trégua com a China, porém, a pressão dos mercados financeiros continua crescendo, uma vez que os investidores têm vivido semanas de especulações e tentativas de entender os efeitos de uma possível piora nessa guerra comercial. 

Fonte: Reuters e Bloomberg/ Notícias Agrícolas




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