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10/07/2019 - Outros

Cena que se repete: falta espaço nos armazéns e milho fica a céu aberto em MT


Quem cruza o município de Sorriso, a 420 quilômetros de Cuiabá, dificilmente não fica impressionado com a montanha de milho que se acumula do lado de fora de um dos vários armazéns instalados na cidade. Escoradas por dezenas bags (também cheios de milho), cerca de 14 mil toneladas do grão ficam expostas ao sol, ao relento e ao risco de chuva. Estampam, novamente, o quanto o estado que mais produz milho e soja no país ainda precisa avançar em sua infraestrutura logística para suportar os ganhos de desempenho registrados no campo.

A cena que se repete no estado, acontece pela primeira vez em uma década de atividades da empresa, instalada às margens da BR-163. Com capacidade estática para abrigar 120 mil toneladas de grãos, fechou contratos para receber mais milho este ano e começou a ampliar a sua estrutura com a construção de mais um silo. Ele já estaria pronto, não fosse o atraso nas obras em decorrência do regime generoso de chuvas no primeiro semestre. Sem o espaço “extra” ficou difícil acomodar a produção que vinha do campo, especialmente porque ainda tem muita soja armazenada na empresa. 

“Recebemos na safra de soja 120 mil toneladas do grão e ainda temos 60% da nossa capacidade ocupada com soja”, explica Márcio Brando (gerente da empresa), reforçando que muitos agricultores mantêm-se à espera de preços mais remuneradores para retomar as vendas da oleaginosa. Enquanto isso, o milho que chega nos caminhões soma-se às milhares de toneladas a céu aberto.

Também já há relatos de milho ao relento em outras empresas do médio-norte de Mato Grosso. Como ainda falta colher quase 40% dos milharais cultivados no estado (a colheita chegou a 62% da área total, segundo o Imea), é bem provável que outras unidades armazenadoras também estampem o mesmo cenário nas próximas semanas. A previsão é de que a safra do cereal seja recorde este ano, superando a marca de 31,08 milhões de toneladas, um acréscimo de 12,9% em relação ao volume colhido no último ciclo.

No entanto, a produção gigante e a falta de espaço nos silos não significam que esteja sobrando milho em Mato Grosso. O mercado do cereal está aquecido e os agricultores já comercializaram 77% da produção estimada, superando o volume médio negociado nas últimas cinco safras. A valorização do milho no cenário internacional, embalada pelo câmbio atrativo, ampliou a disputa pelo grão no mercado interno, elevando os cotações. O preço médio no mês, segundo o Imea, saltou 21% em relação à maio, fechando em R$ 24,82/sc. E vale lembrar que isso aconteceu em pleno pico de colheita, quando o cenário normalmente é o oposto.

Por Luiz Patroni
Fonte: Canal Rural 




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