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21/02/2019 - Pecuária

Carne de laboratório poderá ter impactos climáticos mais graves do que de rebanhos


Carnes desenvolvidas em laboratório são a esperança na produção de alimento com menores impactos ambientais — e chamaram atenção até de Sergey Brin, um dos fundadores do Google, que investe na ideia. A criação de rebanhos, em especial gado bovino, é uma fonte grande de gases do efeito estufa que causam alterações no clima. Mas essa esperança de produção mais sustentável pode estar, digamos, equivocada, afirmam pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Em um novo estudo, cientistas argumentam que o problema está na forma como a emissão de gases por animais é medida. Anteriormente, afirmam os pesquisadores, toda a emissão de gases por parte de animais era diretamente convertida em dióxido de carbono (CO2) — o que, argumentam, não faz sentido, já que gases diferentes causam impactos diferentes e se comportam de formas distintas.

“Por tonelada emitida, o metano tem um efeito de aquecimento maior do que o dióxido de carbono. Porém, ele fica na atmosfera por cerca de 12 anos, enquanto o dióxido de carbono persiste e se acumula por milênios”, afirma à BBC um coautor do estudo, o professor Raymond Pierrehumbert.

A carne de laboratório é criada a partir de células tronco que são direcionadas para que virem fibras. As células se multiplicam até que haja massa suficiente para ser coletada e consumida como carne — mas sem que haja o abatimento de qualquer animal. Testes já foram realizados para criação de carne de vacas, frango ou pato. O principal entrave atual é o alto custo de produção da carne em laboratório. O primeiro hambúrguer produzido em laboratório, por exemplo, em 2013, custou exorbitantes US$ 300 mil. Esse valor, porém, tende a cair. Em 2017, 450 gramas de carne de laboratório custavam US$ 9 mil.

O que os modelos criados pelos pesquisadores indicam é que, em algumas circunstâncias e a longo prazo, a carne fabricada em laboratório pode impactar mais o meio ambiente do que a carne de rebanhos. Um fator é chave nessa conta: a quantidade e a origem da energia usada no laboratório.

Seria importante, afirmam os pesquisadores, o uso de energia limpa nesse processo de produção. Usinas de energia que usam a queima de carvão, por exemplo, geram uma emissão grande de dióxido de carbono na atmosfera — que, lembre-se, acumula-se por milênios, ao contrário da dúzia de anos de persistência do metano emitido por rebanhos.

“Os impactos no clima de carne produzida em laboratório depende do nível de energia sustentável que pode ser alcançado, assim como a eficiência na produção futura”, diz também à BBC outro coautor do estudo, doutor John Lynch. “Se a carne de laboratório tiver custo energético alto para produção, vai acabar sendo pior para o clima do que as vacas.”

Fonte: Época Negócios - http://tempuri.org/tempuri.html




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