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19/02/2019 - Outros

Bons gestores, ótimos resultados


Para os 28 mil produtores cooperados da Coamo Agroindustrial, a cooperativa agrícola de Campo Mourão (PR), o Natal mais polpudo acontece em fevereiro, quando serão distribuídas as sobras das operações realizadas em 2018. No caso das cooperativas, as sobras equivalem ao lucro das empresas privadas. E sempre há bons dividendos à espera dos produtores.

No ano passado, as sobras relativas a 2016 foram de R$ 320,6 milhões, ficando na média dos últimos três anos. Tomando uma década como medida, as atuais sobras são quase quatro vezes maiores. Em 2008, elas foram de R$ 82,3 milhões, para uma receita total da cooperativa da ordem de R$ 3,2 bilhões. No ano passado, a Coamo faturou R$ 10,5 bilhões. “O nosso diferencial é a gestão, o jeito de administrar o negócio, e investimentos em treinamento e capacitação das pessoas”, diz o agrônomo José Aroldo Gallassini, presidente da cooperativa.

No agronegócio, as cooperativas têm sido exemplos de que a união sempre foi a sua força. Essa é uma verdade no campo, construída com o trabalho de milhões de produtores rurais. Pelo desempenho em 2017, a Coamo Agroindustrial é a campeã na categoria Mega Cooperativa, do prêmio AS MELHORES DA DINHEIRO RURAL 2018. A nova categoria leva em conta receitas acima de R$ 2,5 bilhões. Além do prêmio máximo, a Coamo também foi eleita a melhor em Gestão Financeira, entre as cooperativas.

De acordo com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), as de produção agropecuária faturaram R$ 200 bilhões em 2017, valor 10,6% superior à receita do ano anterior. A Coamo é a maior cooperativa agrícola da América Latina e serve como exemplo de eficiência dentro e fora da porteira. Distribuída em 117 unidades, por 71 municípios nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, a Coamo cresceu expressivamente nos últimos anos, em receita e também no número de associados.

No início da década passada, a cooperativa tinha cerca de 17 mil cooperados, 60% a menos do que o atual quadro. Para ganhar eficiência nos processos, que vão do campo à indústria, a Coamo tem investido pesado nos últimos anos. A conta é de R$ 1 bilhão para a construção de dois armazéns – um em Sidrolândia e outro em Itaporã (MS) – e para a modernização e melhoria de quatro entrepostos. Mas não para por aí. A maior parte desse investimento está ganhando forma em Dourados (MS), onde um parque de obras mostra a construção do que será uma nova unidade industrial destinada ao processamento de soja, com capacidade para 3 mil toneladas por dia, e uma refinaria de óleo, para a produção de até 720 toneladas diárias. Com investimentos totais de R$ 650 milhões, a unidade entra em operação em 2019.

Do bilhão previsto em investimentos, a Coamo já aplicou R$ 392 milhões. “O problema das empresas brasileiras é a capitalização”, diz Gallassini. “Quem soube se capitalizar saiu na frente. Foi exatamente o que nós fizemos.” Gallassini sabe do que fala. Ele foi um dos fundadores da cooperativa, em 1970, e desde 1975 é o seu presidente. Atualmente, a Coamo possui duas unidades de processamento de soja para a produção de óleos e farelo: uma em Campo Mourão, com produção de 3 mil toneladas por dia, e outra em Paranaguá, também no Paraná, com produção de 2 mil toneladas diárias. Com a unidade sul-mato-grossense, a meta é ter uma produção total de 8 mil toneladas por dia. A cooperativa também possui dois moinhos
de trigo, um com capacidade para processar 500 toneladas de grãos por dia, e o outro para cerca de 200 toneladas diárias.

Ela atua, também, nas culturas de café e de algodão. “Às vezes, é melhor vender o grão do que industrializar o produto. Mas, no volume que nós produzimos, a indústria nos dá outras opções de comercialização, como o óleo, o farelo e a margarina”, afirma Gallassini. “Quem não tem indústria é praticamente um grande cerealista”, observa. No ano passado, seus cooperados entregaram 7,6 milhões de toneladas de soja, milho, trigo, café e algodão. Para 2019, a Coamo analisa novos investimentos. O principal, até agora, é a ideia de montar uma fábrica de ração animal.

A Coopercitrus Cooperativa de Produtores Rurais, com sede em Bebedouro (SP), também vai investir em 2019 e já tem seu plano fechado. Ele será de R$ 1,5 milhão no desenvolvimento de uma plataforma chamada “Campo Digital”, voltada ao monitoramento das propriedades dos seus atuais 34 mil cooperados.

No prêmio AS MELHORES DA DINHEIRO RURAL 2018, ela foi eleita a melhor em Gestão Corporativa, na categoria Mega Cooperativa. Com 41 anos de atividade, a Coopercitrus é a maior cooperativa paulista. Sua estratégia é trabalhar com uma diversificação de culturas, como cana-de-açúcar, milho, soja e citrus. Há 2 anos, a Coopercitrus aderiu também ao café, ao integrar ao seu patrimônio cinco cooperativas menores. “Temos procurado adotar uma estratégia de diversificação, para não ficarmos expostos ao risco de uma só cultura”, diz Fernando Degobbi, presidente da cooperativa.

A diversidade de produtos tem se mostrado eficiente o crescimento da Coopercitrus. No ano passado, a receita foi de R$ 3,1 bilhões, cerca de 15% maior do que em 2016. Seus cooperados cultivam uma área de 3 milhões de hectares, com a cana-de-açúcar como principal cultura. E tem uma explicação: seus cooperados estão nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, regiões onde a cultura predomina. Hoje, a cooperativa possui fábrica de rações, operações de logística de insumos, processadora de soja, sete silos para 200 mil toneladas de grãos, 18 armazéns de café para armazenar 15 milhões de sacas e um de açúcar, para 60 mil toneladas. Há, ainda, 62 lojas que atendem ao consumidor urbano. Além disso, a Coopercitrus fornece insumos e conta com parcerias de empresas de máquinas agrícolas, como Valtra, New Holand e JCB, para facilitar o financiamento de equipamentos a juros acessíveis. O mesmo acontece com empresas de irrigação.

O sucesso econômico da cooperativa passa pelo atendimento personalizado aos produtores. Para monitorar a fertilidade do solo das propriedades, oito quadriciclos com GPS colhem amostras para estudos. A análise serve para que os produtores monitorem a taxa de variação de nutrientes e decidam sobre as aplicações de fertilizantes. “É como um hemograma em humanos, que serve para ver como o solo se comporta em cada área”, afirma Degobbi. O lançamento do que ele chama de “Campo Digital” é apenas o exemplo mais recente. A meta é monitorar 27,5 mil propriedades, com o uso de imagens via satélite e drones de pulverização. A tecnologia, definitivamente, chegou ao campo. Inclusive, nas cooperativas agrícolas.

Por Fernando Barbosa
Fonte: Dinheiro Rural - http://tempuri.org/tempuri.html




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