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25/09/2018 - Milho

Atraso na colheita contamina milho


A permanência do milho no campo, por quaisquer questões operacionais, acarreta maior surgimento de fungos”, afirma o pesquisador da área de fitopatologia da Embrapa Milho e Sorgo em Palmas (TO) Rodrigo Veras da Costa, ao alertar para a gravidade da contaminação do grão pelas micotoxinas, substâncias químicas tóxicas produzidas por determinados tipos de fungos.

Veras falou sobre o tema durante o I Workshop de micotoxinas: impactos nas cadeias produtivas de milho e sorgo, no 32º Congresso Nacional de Milho e Sorgo, na Universidade Federal de Lavras (Ufla). “As fumonisinas e as zearalenonas, micotoxinas provenientes de fungos da fase de pré colheita, podem provocar o surgimento de determinados tipos de câncer”, enfatizou o pesquisador. Além do grave problema de saúde pública, a presença das micotoxinas provocam perdas diretas na produção e na produtividade das culturas, reduzem o valor comercial ou impedem a exportação dos produtos afetados.

“É necessário reduzir o problema, que não é apenas relacionado ao âmbito agronômico. É uma questão de saúde pública.” No milho, esses fungos podem proliferar desde a fase em que o cereal está no campo, de acordo com as condições de temperatura, umidade e presença de oxigênio. Esse atraso na colheita, bastante praticado pelos agricultores – com o objetivo de atingir a umidade ideal na lavoura, economizando tempo e dinheiro em etapas seguintes, como levar o cereal ao secador – aumenta ainda mais a ocorrência das micotoxinas.

No milho, Rodrigo Veras explica que os fatores que causam a contaminação estão relacionados a baixos níveis de resistência de determinadas cultivares, clima e outras condições diversas, além da incidência de insetos. “O milho Bt (transgênico), nesse sentido, tem importância fundamental quando reduz os danos causados por insetos. Consequentemente, a ausência de danos nas espigas evitam a proliferação de fungos e o desenvolvimento ainda maior do problema”, explica.

De acordo com Dagma Dionísia da Silva, agrônoma e pesquisadora da área de fitopatologia da Embrapa Milho e Sorgo da Embrapa Minas, as micotoxinas são metabólicos sintetizados por fungos, que contaminam grãos e são tóxicos para humanos e animais. Elas são responsáveis por alguns tipos de câncer nos humanos, mas causam problemas no sistema reprodutivo dos animais, principalmente em suínos. 

Alguns gêneros de fungos iniciam a infecção do grão ainda no campo e podem continuar afetando depois da maturação e até mesmo depois de processado, podendo chegar ao consumidor final, caso as práticas de manejo não sejam adequadas, como adubação equilibrada, evitar a prática de monocultura, evitar colheitas tardias, uso de cultivares mais resistentes ao fungo e armazenamento adequado. “No Brasil, muitas vezes, o grão fica a exposto a céu aberto, por excesso de produção. Ainda é preciso melhorar a infraestrutura.”

MAIS RIGOR 
Segundo a pesquisadora, 42% do milho brasileiro apresenta contaminação por fungos, “mas isso não significa que produza micotoxinas”, resguarda. A maior parte da contaminação está abaixo da tolerância estabelecida pela legislação no Brasil. O problema tem exigido legislações mais rigorosas em todo o mundo. O grão oriundo do Brasil é considerado de boa qualidade e ainda seguro, o que não significa que possa haver relaxamento na fiscalização e nas campanhas de orientação aos produtores.

As micotoxinas podem atingir também outros grãos, como o sorgo, trigo, algodão (caroço para ração) aveia, cevada, feijão, girassol, castanhas, amendoim (mais consumido) arroz, café e cereais em geral. A presença de micotoxinas, além de afetar a saúde de animais e humanos, pode causar prejuízos comerciais, já que está entre os produtos de maior exportação. 

O agronegócio, as grandes e médias propriedades contam com assistência técnica permanente. O foco das políticas públicas de prevenção deve estar voltado para pequenos produtores, muitas vezes desinformados sobre as práticas de manejo. “O país tem conseguido resultados significativos no manejo adequado e na produção de grãos com melhor nível de resistência. Não cabe alarde, mas sim conscientizar os produtores na tentativa de reduzir o problema”, pontua Dagma.

HÍBRIDOS
Em relação às práticas de manejo, o pesquisador Rodrigo Veras elenca cinco pilares para controle do problema: resistência genética das cultivares; práticas culturais adequadas; controle químico e uso de cultivares transgênicas; ajuste na época da colheita e época certa de plantio. Em relação à primeira característica – a resistência genética – Rodrigo explica que ainda não há evidência para resistência completa em híbridos de milho. “A maioria dos híbridos comerciais ainda é suscetível, infelizmente.”

Segundo ele, as dificuldades para se chegar a um material com resistência estão relacionadas à amplitude da base genética do germoplasma e à forte influência do ambiente, entre outros fatores. “As alternativas que temos são a criteriosa identificação de híbridos comerciais para resistência aos principais fungos toxigênicos e às suas micotoxinas.” Em relação às práticas agrícolas adequadas, Veras reforça a necessidade de semeadura na época ideal, a adoção de baixa densidade de plantas associada à adubação nitrogenada feita de maneira correta, além do controle de insetos.


Por Elian Guimarães
Fonte: Estado de Minas




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