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04/08/2020 - Outros

Argentina confirma seis nuvens de gafanhotos e deslocamento em alta velocidade pelo país


Autoridades fitossanitárias e entomologistas aumentaram o estado de alerta com a confirmação de seis nuvens de gafanhotos na Argentina. O crescimento nos casos faz com que os especialistas já tratem a emergência como uma onda nos países da região, o que aumenta a exigência de monitoramento constante nos próximos meses.

Na tarde de ontem (3/8), o Serviço de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa) informou que as duas nuvens localizadas entre as províncias de Chaco e Formosa na última semana vêm realizando deslocamentos em grandes distâncias.

“A corrida de gafanhotos que cruzou (domingo, 2/8) a cidade de Los Frentones passou da cidade de Gancedo à província de Santiago del Estero, em direção ao sul, para o município de El Cuadrado. Entre 1º de agosto até esta segunda, a nuvem percorreu 247 quilômetros”, alertou o Senasa. Essa nuvem teria se dividido em duas, e o paradeiro da segunda parte ainda é desconhecido.

Já os gafanhotos que estavam em Ingeniero Juárez, na província de Formosa, se movimentaram em direção ao sul e foram vistos no município de Comandancia Frías, na província de Chaco. Seu avanço seria em direção à área limite de Taco Pozo, na fronteira com Santiago del Estero.

Engenheiro agrônomo do Senasa responsável pelo combate ao gafanhoto sul-americano, Hector Emilio Medina publicou nas redes sociais um alerta para os produtores na zonas de Roversi, Pozo del Toba, El Colorado e El Cuadrado, no leste de Santiago del Estero, na divisa com a província de Santa Fé. "A nuvem que estava em Chaco (domingo) já está no território de Santiaguenho", disse Medina.

Há, ainda, um outro grupo de gafanhotos que foi visto por um produtor rural na última sexta-feira (31/7) nos departamentos de San Martin e Rivadavia, na província de Salta, que faz divisa com a Bolívia e o Paraguai.

Para o Brasil, a boa notícia é que o Senasa afirma ter erradicado mais de 85% da nuvem que estava na cidade de Federación, na província de Entre Rios, com aplicações fitossanitárias feita por técnicos e produtores locais. Os insetos se encontravam a 20 quilômetros do Uruguai e a 90 quilômetros da fronteira com Barra do Quaraí (RS).

Segundo informações da Direção Geral de Serviços Agrícolas (DGSA), órgão que integra a estrutura do Ministério da Agricultura do Uruguai, parte da população restante dos gafanhotos está na área residencial de Federación e a outra parte continua a voar para o norte, em direção a cidade argentina de Santa Ana.

“Por essas razões, a DGSA incentiva os produtores, bem como a população em geral dos departamentos da costa oeste, a permanecerem alertas a possíveis avistamentos de gafanhotos e a denunciá-los imediatamente”, afirmou o órgão uruguaio.

Nova nuvem no Paraguai
Também ontem (3/8), o Serviço Nacional de Qualidade e Sanidade Vegetal do Paraguai (Senave) informou ter encontrado uma nova nuvem de Schistocerca cancellata na cidade de Mayor Infante Rivarola, egressa da Bolívia.

Os insetos foram localizados em uma colheita de trigo, mas não causaram grandes danos à lavoura - os gafanhotos se movimentavam rumo ao sudoeste. Mais tarde, o Senasa confirmou que a nuvem havia cruzado a fronteira entre Pozo Hondo e Misión La Paz, atravessou o Rio Pilcomayo e se estabeleceu na província argentina de Salta.

Para o entomologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Jerson Carús Guedes, apesar da redução do risco momentâneo com a aplicação de químicos na última semana na província de Entre Ríos, as autoridades agrícolas de Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai deverão manter o monitoramento sobre a praga nos próximos meses.

"Deve haver muito mais gafanhotos do que é detectado, talvez em pequenas nuvens. Então, tem um movimento mesmo. Estou muito convencido de que isso vai ficar por meses", avaliou Guedes. Ainda segundo o entomologista da UFSM, os gafanhotos encontrados nas províncias de Chaco e Formosa não são os mesmos da nuvem detectada em maio. 

“É uma nova geração que corresponde há uma nova eclosão de ovos de ninfas de 60 dias atrás. Chama a atenção a velocidade de deslocamento. Até junho, a nuvem que estava em Entre Ríos andou todo o perímetro argentino até a fronteira com o Uruguai”, disse, lembrando que uma das nuvens está próxima de Santa Fé. 

Especialistas reiteram que os gafanhotos podem se movimentar até 150 quilômetros por dia, o que, no entanto, é considerado algo raro. Porém, a nuvem no município de El Cuadrado, na província de Santiago del Estero, percorreu uma média acima 80 quilômetros por dia desde o
último sábado (1/8).

O temor acontece por conta da capacidade de dano da praga. Segundo o governo da província de Córdoba, na Argentina, 40 milhões de insetos são capazes de comer o que 2 mil vacas consomem em um dia, podendo causar prejuízos em cultivos de arroz, trigo, milho, soja
e pastagens.

De acordo com o chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Agricultura do Rio Grande do Sul, Ricardo Felicetti, aumenta a atenção para novos focos dos insetos.

“Sem dúvida, há um quadro de infestação que está resultando nessa dispersão das nuvens. Isso acontece em decorrência de condições climáticas propícias para a formação dos gafanhotos na sua fase gregária. O Rio Grande do Sul permanece em vigilância porque existe a possibilidade de deslocamento para o Estado”, pontuou.

Por conta do risco para a agricultura brasileira, o governo gaúcho publicou, no final de junho, uma instrução normativa onde estabeleceu a criação de um Comitê de Emergência Fitossanitária e a centralização das ações de combate à praga caso os gafanhotos cruzem a fronteira com o Brasil.

Por Fernando Barbosa
Fonte: Globo Rural




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