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06/06/2018 - Trigo

Aprimorando o manejo da brusone em trigo


O trigo (Triticum aestivum) é uma gramínea cultivada mundialmente e é considerada a segunda maior cultura de cereais, ficando atrás apenas do milho. Os maiores produtores de trigo são China, Índia, e Ucrânia. A área de produção brasileira é concentrada no centro-sul, dando destaque aos Estados do Rio Grande do Sul e Paraná. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2017 a produção nacional somou 4,2 milhões de toneladas. Este número não supre o consumo do país (cerca de 11 milhões de tonelada/ano), tendo, então, que importar o cereal – provenientes principalmente da Argentina.

De modo geral, um dos principais entraves para produção de trigo é a incidência de pragas na lavoura. Por exemplo a brusone, uma doença causada por mais mais de uma espécie de Pyricularia. Recentemente a espécie Pyricularia graminis-tritici foi descrita [1] e relatada como um dos agentes etiológicos desta doença, não apenas em trigo como também em aveia (Avena sativa), cevada (Hordeum vulgare) e capim-marandu (Urochloa brizantha). Normalmente os sintomas se manifestam nas espigas, embora possa afetar também outros órgãos da parte aérea da planta. O patógeno pode sobreviver em hospedeiros secundários, em restos culturais de plantas cultivadas e sementes, sendo este seu principal meio de sobrevivência e disseminação, servindo como fonte de inóculo primário.

Pelo fato da taxa de transmissão de fitopatógenos poder sofrer interferência de acordo com o ambiente e pelas características inerentes ao patógeno e ao hospedeiro, pesquisadores do Instituto Federal do Maranhão e da Universidade Federal de Viçosa determinaram a relação entre a incidência de brusone em campo e a incidência de P. graminis-tritici em sementes oriundas de condições controladas e de quatro genótipos de plantas de trigo com diferentes níveis de resistência/suscetibilidade ao fungo.

Isolados de P. graminis-tritici foram cultivados em condições laboratoriais e inoculados em plântulas de cada genótipo de trigo em cinco volumes (0; 0,20; 0,35; 0,70 e 1 L) da suspensão fúngica (concentração padrão de 1,5×105 esporos.mL-1), de modo a obter 0, 5, 10, 20 e 30% de plantas inoculadas na unidade experimental – sempre em condições similares de temperatura e umidade relativa, sem precipitação. O volume zero (sem inoculação) correspondeu à aplicação de água, seguida do controle químico (piraclostrobina + epoxiconazol). O potencial de transmissão do fungo foi avaliado pela incidência do fungo nas sementes produzidas e quantificando os sintomas nas espigas.

De acordo com os resultados, a incidência de brusone em campo propiciou a incidência do fungo nas sementes, sobretudo nos genótipos suscetíveis. No tratamento sem inoculação do fungo no genótipo “moderadamente resistente” juntamente com a aplicação do fungicida não houve incidência do patógeno, mostrando-se eficiente para uso no controle da espécie. E mesmo no tratamento com inoculação fúngica no genótipo “moderadamente resistente” a incidência foi muito menor se comparado com os genótipos suscetíveis. A transmissão do fungo da semente para plântula ocorreu aos 7, 14 e 21 dias após a semeadura e foram consideradas baixas, variando de acordo com as diferentes quantidades de inóculo. Ou seja, neste caso a incidência do fungo nas sementes não implica a sua transmissibilidade para a planta.

Dadas essas descobertas, conhecer os agentes causadores da brusone do trigo quanto à biologia e epidemiologia da doença possibilita o estabelecimento de práticas adequadas para seu manejo e para limitar sua disseminação. Estudos como este auxiliam na definição de padrões de tolerância. Além disso, vemos que o uso conjunto de ferramentas – neste caso o uso de planta resistente associada ao controle químico – é a base para o manejo integrado de pragas.

Fonte: Defesa Vegetal Net | Mais Soja




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