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28/12/2018 - Soja

Apesar da trégua comercial Trump-Xi, produtores de soja não tiveram um bom Natal


Quando o presidente dos EUA, Donald Trump, brindou com o líder chinês Xi Jinping, na Argentina, no dia 01 de dezembro, os produtores norte-americanos de soja, mais do que qualquer outro grupo de interesse, acompanhavam os acontecimentos de perto, cheios de esperança para o seu produto. Mas, à medida que os dias passavam, pouca coisa avançou além da pausa na guerra tarifária que havia estrangulado as exportações de soja norte-americana com destino à China.

Agora, restando menos de uma semana para o fim de 2018, há notícias de que apenas duas remessas de soja provenientes dos EUA passaram para a China desde a histórica cúpula Trump-Xi, que levou a uma trégua temporária entre as duas nações. Antes disso, a China havia imposto uma tarifa de 25% sobre a soja norte-americana, em retaliação à tributação de Washington sobre US$ 34 bilhões de importações chinesas.

Com o fechamento dos mercados para o Natal, os futuros de soja negociados em Chicago, que definem os preços mundiais para a semente oleaginosa, estavam em vias de terminar o ano com uma queda de 8%.

Jack Scoville, analista de grãos da The Price Futures Group, em Chicago, escreveu, em uma nota na véspera do Natal, que, apesar de haver a expectativa de que a China adquirisse mais soja norte-americana nas próximas semanas,“o mercado sabe que ainda há muita soja a ser vendida dos EUA e da América do Sul.”

Referindo-se à ameaça de Trump de reaplicar as tarifas sobre a China se não houver um resultado satisfatório para a guerra comercial no prazo de 90 dias, Scoville complementou: “Não há qualquer garantia de que a disputa comercial como um todo será resolvida nos próximos três meses, e a guerra tributária pode se intensificar se não houver um acordo. "Scoville também ressaltou que as projeções de estoque final para a soja norte-americana eram “muito altas”, o que ofereceria “poucas razões para esperar um grande rali em breve”.

Analistas recomendam “Forte Venda”
No fechamento do pregão de segunda-feira a US$ 8,8425 por bushel, a perspectiva diária para o contrato de soja com vencimento em janeiro na Bolsa Mercantil de Chicago permaneceu como “Forte Venda”, com os analistas técnicos estabelecendo o nível 3 de suporte de Fibonacci — o mais forte — a US$ 8,7508.

No papel, isso significa mais uma queda de 1%. Na prática, o mercado poderia perder mais.

Shawn Hackett, da Hackett Financial Advisors, consultoria de mercados agrícolas em Boca Raton, Flórida, não vê qualquer perspectiva de alta para a soja no curto prazo. Em uma recente nota, Hackett afirma:

“Todo mundo sabe, de maneira quase indiscutível, que temos um dos mercados de soja com fundamentos mais baixistas desde 2005, diante da expectativa de grande safra na América do Sul. Será que o mercado poderia subir mais com base em um acordo comercial até que os fundamentos baixistas de mais longo prazo viessem à tona?”

“Mãe natureza” precisava estabilizar o excesso de oferta

O analista complementou:

“Será necessário que a Mãe Natureza intervenha na América do Sul para permitir que haja uma intensa alta além dos US$ 10 por bushel a partir de um acordo comercial crível.”

Dan Hueber, autor do Hueber Report, focado em grãos, em St. Charles, Illinois, concordou;

“As compras das exportações pela China, ainda que ocorram, não vão acontecer de uma vez só. ‘Comprar no boato e vender no fato’ parece ser a mentalidade. Todas as previsões climáticas na América do Sul mostram boas condições de cultivo, e o suporte da soja ainda parece estar cerca de 10-15 centavos mais baixo nos gráficos.”

Mais do que qualquer outro produto envolvido na guerra tarifária, a soja é aquele que poderia levar os EUA a firmar um acordo. A soja e seu produto associado, o farelo de soja, são usados na China para alimentar sua criação de suínos, a principal fonte de proteína do país. A China obtinha 60% das suas necessidades de soja dos EUA durante a campanha de comercialização da safra de 2017, finalizada em setembro, e as vendas correspondiam a praticamente US$ 12 bilhões. Mas se a antipatia comercial continuar, ela poderia custar cerca de US$ 4,6 bilhões em vendas de soja norte-americana na safra deste ano, prejudicando centenas de milhares de agricultores, muitos dos quais produzem em estados conservadores que votaram em Trump em 2016.

Sem movimentos espertos até que a queda acabe
Desde a reunião Trump-Xi, a China adquiriu um total de 2,3 milhões de toneladas métricas de soja dos EUA, em duas remessas de menos de 1,2 milhões cada. Enquanto isso, a Argentina projeta exportações de 14 milhões de toneladas métricas para a China neste ano, o dobro das registradas no ano passado, superando o recorde de 13,3 milhões de 2009-10. Só o Brasil já vendeu cerca de 5 milhões de toneladas métricas da semente oleaginosa para a China no mês passado, à medida que os produtores dos dois países latino-americanos se movem agressivamente para garantir seus espólios do conflito comercial sino-americano.

Embora os produtores norte-americanos de soja estivessem procurando compradores na Europa, Oriente Médio, África Setentrional e outras partes da Ásia, a oferta mundial parece estar bem acima da demanda.

Isso, segundo Hackett, sinaliza que “o momento ideal para vender soja ainda pode ainda continuar à nossa frente”. O analista complementou:

“Com isso, não vemos nada de inteligente a se fazer, a não ser para quem precisa vender à vista para fazer caixa extra ou para comprar algumas opções de put para manter a ponta de cima aberta e se proteger de uma queda com um piso, caso o acordo seja frustrado.”

Fonte: Investing.com




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