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25/09/2019 - Outros

Alta do diesel pode tirar R$ 46 milhões do bolso dos sojicultores de MT


Quem depende do óleo diesel fica apreensivo a cada reajuste anunciado pela Petrobras. No último, feito na semana passada, o valor do combustível subiu 4,2% nas refinarias. Considerando que nas bombas e nas distribuidoras o aumento obedeça este mesmo percentual, é possível estimar o impacto que os novos preços devem causar na agricultura, atividade extremamente dependente do derivado do petróleo. E ele tende a ser bastante expressivo.

Responsável pela área de rentabilidade agrícola no Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Marcel Durigon colocou na ponta do lápis os efeitos da alta para os agricultores de Mato Grosso. E o resultado mostra que a missão de alcançar rentabilidade nas lavouras terá um obstáculo a mais. Em maior ou menor proporção, todas as principais culturas cultivadas no estado terão os custos elevados.

Na produção de soja, as despesas com as operações dentro das fazendas devem ser as mais impactadas neste momento. Atualmente o sojicultor mato-grossense gasta em média R$ 114,26 por hectare com o óleo diesel que toca o parque de máquinas. Considerando um reajuste na ordem de 4,2%, esta despesa saltaria R$ 4,80 por hectare. Parece pouco? Lembre-se então que o estado é o maior produtor de soja do Brasil, com previsão de semear nesta safra mais de 9,7 milhões de hectares. Isso significa que o aumento do combustível pode custar nada menos de R$ 46,5 milhões aos agricultores do estado.

Durigon ressalta que o número é apenas uma estimativa e não deve ser visto como algo “exato”, já que o cálculo não leva em conta, por exemplo, que os agricultores podem ter comprado parte do diesel com antecedência, pagando menos pelo produto. Entretanto, ilustra bem o quanto os reajustes pesam no bolso de quem produz. E não se esqueça que estamos falando apenas dos gastos com o combustível “da porteira pra dentro” da fazenda!

Como mais de 95% dos insumos que vão ser usados nesta safra de soja já foram comprados pelos agricultores – e praticamente entregues nas fazendas – a projeção não contabilizou o aumento dos custos no transporte destes produtos. Se o reajuste acontecesse antes disso, a despesa poderia subir mais R$ 4,87 por hectare. Outra conta que ficou de fora foi o aumento dos gastos com o transporte da produção, já que ainda vai levar tempo até a hora da colheita e, até lá, o preço do combustível deve passar por novas alterações.

Milho
No caso do milho o impacto do reajuste pode ter – proporcionalmente – um peso ainda maior. Nas operações internas, o gasto médio com o óleo diesel subiria de R$ 100,35 para R$ 104,56 por hectare. Como o plantio do cereal no estado é basicamente realizado na segunda safra, o aumento do combustível também encareceria o transporte dos insumos, já que as fazendas ainda estão recebendo estes produtos. Segundo o Imea, os agricultores compraram até aqui cerca de 60% dos insumos que vão ser usados na safra que sucede a soja. O custo adicional estimado no transporte dos insumos gira em torno de R$ 3,24 por hectare (considerando que o reajuste nos postos e distribuidoras fique nos mesmos 4,2% repassados às refinarias). A soma “integral” destas duas despesas (operações internas + transporte dos insumos) representaria um custo extra de R$ 7,45 por hectare de milho.

Algodão
Cultura que mais faz uso de tratores e pulverizadores ao longo de uma safra, o algodão também deve sentir o impacto do aumento do óleo diesel. Pelas contas do Imea, o custo com as operações de máquinas dentro das fazendas deve saltar de R$ 345,56 para R$ 360,07 por hectare (R$ 14,51/ha a mais), considerando que o reajuste de 4,2% nas refinarias chegue da mesma forma aos postos e distribuidoras. Já o transporte dos insumos tende a ficar R$ 8,46 mais caro por hectare, embora – assim como na soja – muitos agricultores já tenham adquirido os produtos – e até os recebido – com antecedência.

Por Luiz Patroni
Fonte: Canal Rural




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