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25/06/2019 - Outros

Além de drogas, armas e cigarros ilegais, MS se transforma também em corredor do contrabando de agrotóxicos


Além de porta de entrada para o tráfico de droga, de armas e do cigarro que entra ilegalmente no país vindo do Paraguai, Mato Grosso do Sul se tornou também um grande corredor do contrabando de agrotóxicos. A afirmação foi feita pelo presidente do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf), Luciano Barros, em entrevista ao "Papo das Seis", do Bom Dia MS, ontem (24/6).

"O mais interesse é que esse contrabando de agroquímicos, de produtos que entram ilegalmente pelas fronteiras, usa a mesma logística que o tráfico de drogas, de armas, do que o contrabando de cigarro. O contrabandista ussa essa lógica. Qual o produto que tem mais aceitação no mercado, que dá mais lucratividade, então, migra para isso. As quadrilhas já estão estabelecidas e hoje podem trazer cigarros, amanhã, agroquímicos, armas....A logística é exatamente a mesma".

Barros diz que o próprio crescimento da agricultura brasileira acaba impulsionando involuntariamente o crescimento do contrabando. "Infelizmente o contrabando de produtos ilegais cresce também neste mercado", lamentou.

O presidente do Idesf citou que o contrabando de agrotóxicos causa uma série de problemas. Uma das principais questões é a inexistência de um controle sobre a qualidade e a concentração dos produtos químicos que compõem esses itens contrabandeados. Isso, conforme ele, pode afetar a saúde desde quem manuseia e aplica esses produtos, até a população que os consome.

Outro problema, de acordo com Barros, é a destinação das embalagens desses produtos após o uso. Como são ilegais são descartadas sem nenhum cuidado, ao contrário dos agrotóxicos produzidos e vendidos de maneira regular no país, que têm índice de recolhimento dos recipientes próximo a 96%.

"Se queimar essa embalagem tem o problema da poluição. Se enterrar contamina o lençol freático. Já vimos situações em que essas embalagens foram jogadas em um rio. Colocaram um peso e jogaram no rio, levando a contaminação da água", explicou.

A terceira questão, além da saúde e do meio ambiente, é o prejuízo econômico que o contrabando gera, afetando a arrecadação de impostos.

Para tentar driblar a fiscalização, o presidente do Idesf, diz que os contrabandistas utilizam as mais variados subterfúgios, como, por exemplo, falsificar os selos que atestam a certificação dos produtos, as embalagens ou as notas fiscais de transporte.

Barros comentou ainda que a China é um dos principais produtores do agrotóxico ilegal que entra no país e que a logística para o contrabando chegar ao Brasil, além do modal rodoviário - pelas fronteiras com o Paraguai e a Bolívia, por exemplo, também envolve o modal marítimo.

"Não podemos descartar a entrada pelos portos, por meio de fraudes na importação deses produtos. O importador diz que está trazendo um produto e traz na verdade outro, um agroquímico fora da concentração", detalhou.

Fonte: G1  MS




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