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28/10/2019 - Tecnologia

Agricultura digital ainda é para poucos no Centro-Norte


O Centro-Oeste, principal região produtora de grãos do País, usa pouco a agricultura digital. O mesmo ocorre na fronteira agrícola do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Não mais que 13% da área de grãos nessas regiões é cultivada com tais recursos, mostra estudo da Kleffmann. Leonardo Antolini, gerente de vendas da consultoria, atribui o baixo resultado à introdução relativamente recente dessas tecnologias no Brasil. “A maioria dos produtores ainda desconhece ou não conseguiu avaliar os resultados de plataformas digitais na operação agrícola”, diz. Segundo a pesquisa, o uso de drones está restrito a 9% da área e o de imagens de satélites, a 12%. Entre as tecnologias mais empregadas no campo estão GPS e piloto automático, que normalmente trabalham juntos nas máquinas agrícolas, e monitor de plantio e de colheita, que costuma vir embutido em plantadoras e colhedoras. Foram ouvidos cerca de 3 mil produtores em seis Estados. Em dezembro, a consultoria apresentará dados das Regiões Sul e Sudeste.

Na ponta do lápis
Antolini conta que o custo da agricultura digital é baixo se comparado a outras técnicas de precisão. Mas o setor quer entender o quanto ela ajudará a reduzir despesas com insumos e mão de obra e a elevar o rendimento das lavouras. “O produtor precisa ver o resultado, ou não vai usar”, diz. 

O executivo da Kleffmann sugere às empresas do segmento que divulguem os resultados da agricultura digital aos principais influenciadores de cada região, canais de distribuição, consultores, técnicos e órgãos do governo. “A adoção dessas tecnologias vai crescer conforme os produtores forem se familiarizando. Em poucos anos, pode ultrapassar a barreira dos 50% de uso.”

Braço direito.
A brasileira Ihara, especializada em pesquisa e desenvolvimento de defensivos agrícolas, será uma das parceiras no País da Plug and Play – plataforma global de aceleração de startups. A empresa cuidará da seleção de projetos ligados ao agronegócio e que receberão aporte da aceleradora norte-americana. Startups podem participar do projeto com soluções para dentro e fora da porteira. 

Do Vale do Silício.
Há um mês em terras brasileiras, a Plug and Play pretende levar a expertise adquirida em projetos de gigantes como Dropbox, PayPal e Rappi para as agritechs brasileiras. Com o histórico de ter arrecadado mais de US$ 7 bilhões em financiamentos de 10 mil projetos, ela espera ser bem sucedida na busca de novas tecnologias ligadas ao agro brasileiro. A empresa não fala ainda em aporte ou número de startups.

Filtro.
Entre as 349 emendas apresentadas à Medida Provisória 897, conhecida como a MP do Agro, aquela que permite oferecer terras ou produção como garantia do empréstimo pode ser barrada pelos ruralistas na Câmara. A avaliação é de Frederico Favacho, sócio do escritório Mattos Engelberg Advogados, que acompanha a tramitação: “Essas propostas que mexem direto com o coração do setor devem sofrer mais resistência”.

Desmame.
Para Favacho, a intenção de ampliar o financiamento agrícola, foco da MP, não atingirá o pequeno e médio produtor. “Os menos capitalizados continuarão dependentes de subsídios e linhas de crédito dos agentes federais, porque não têm acesso a títulos mais complexidade.”

Preserva...
Na 25.ª conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP), em dezembro, no Chile, o agronegócio brasileiro apresentará ações sobre sustentabilidade. Negociadores e participantes da COP25 serão informados, por exemplo, que a agropecuária tem 31% da vegetação nativa protegida, uma área de 218 milhões de hectares em propriedades privadas, que corresponde à de dez países da Europa. Os dados foram obtidos a partir do Cadastro Ambiental Rural (CAR). 

...com tecnologia.
O setor mostrará também que emprega técnicas de baixa emissão de gases do efeito estufa, como plantio direto na palha e integração lavoura-pecuária-floresta. Destacará que o aumento da produtividade com redução de emissões, práticas que facilitem a adaptação de sistemas produtivos e a contínua incorporação de tecnologias serão essenciais para fomentar a agropecuária tropical.

Pegando fogo
Antes de as queimadas da Amazônia terem virado assunto internacional, a Embaixada do Brasil em Londres já preparava o seminário “Agrisustainability Talks”, que foi realizado no último dia 23. Os organizadores, contudo, não esperavam que a polêmica gerasse tanto interesse pelo assunto. Mais de 100 pessoas compareceram ao evento na capital britânica. Lá estiveram, entre outros brasileiros e britânicos ligados ao setor, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e o da Embrapa, Celso Moretti.

Nicho
A Friboi aposta no segmento premium de carne. “É o consumidor que sente menos a crise”, justifica Ailton Firmino, diretor executivo de vendas da empresa. A marca 1953, de produtos de alta qualidade, cresceu cerca de 20% em volume vendido nos oito primeiros meses do ano e agora uma nova linha de cordeiro importado do sul da Patagônia chilena chega ao varejo. “Importamos 200 toneladas este ano e, em 2020, queremos adquirir 300 toneladas.”  

Por Augusto Decker, Célia Froufe, Isadora Duarte e Leticia Pakulski
Fonte: Broadcast Agro




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