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30/08/2019 - Cana

Agricultura de precisão ressuscita o plantio pelo sistema de Meiosi


O sistema de Meiosi (Método Interrotacional Ocorrendo Simultaneamente) foi desenvolvido por pesquisadores da UNESP de Jaboticabal, SP, na década de 1980. O método consiste em intercalar lavouras de interesse agronômico (crotalária) e econômico (amendoim e soja, principalmente) com o canavial para reduzir custos de implantação, melhorar o sistema de logística e o local de cultivo (condições químicas, físicas, biota e microbiota do solo). Além disso, o sistema protege o solo contra erosão no período de renovação do canavial.

Com o avanço da colheita mecanizada, ficou inviável a aplicação da Meiosi porque é necessário o paralelismo entre as linhas. Sem um sistema de posicionamento, fica difícil saber exatamente onde entrar com a colhedora. Assim, a Meiosi ficou meio deixada e lado. Mas a disseminação da agricultura de precisão, do GPS, veio possibilitar a aplicação do plantio de Meiosi sem criar problemas de alinhamento da colhedora.

Uma vez a Meiosi viabilizada, o setor viu nesta prática a possibilidade de melhorar o desempenho do plantio de cana. Com isso, a adoção do método está em franca expansão na formação dos canaviais. Por meio desse sistema, planta-se os toletes  ou muda pré-brotada (MPB) numa linha (chamada de "linha-mãe") e, em torno de nove meses depois (depende da variedade e se for tolete ou MPB) essa cana é cortada, manualmente, ou com máquina (depende do tamanho da área) e é “deitada” nas linhas paralelas à “linha-mãe”, no solo onde foi cultivada a cultura intercalar. O novo canavial será formado sem a necessidade de transportar a cana-muda de longas distâncias até o local de renovação de área, com menos abalo às gemas e em um solo mais vitaminado e com menos pragas de solo, reflexo da rotação de cultura.

Em relação ao crescimento do plantio de cana com Meiosi, Dib Nunes Jr, presidente do IDEA, observa se tratar de uma operação que permite ao setor produzir grãos, trazendo ganhos agronômicos e até financeiro, e que por isso vai se manter no setor. No entanto, nem todas as áreas é possível fazer Meiosi, que também exige grande planejamento, mudas na hora certa e liberação antecipada de áreas. Além disso, já há quem esteja mecanizando o plantio mesmo em áreas com Meiosi. “A cana-muda é colhida, passada para a plantadora que vai preenchendo as linhas onde estavam os grãos. Sem a necessidade de mão de obra.”

Os ganhos com a Meiosi ficam ainda mais consistentes se a cana da linha mãe for colhida e plantada manualmente. E é o que usinas e muitos produtores têm feito. E se a “linha-mãe” for formada com muda pré-brotada (MPB), o retorno é maior ainda. Ismael Perina Júnior, um dos proprietários da fazenda Belo Horizonte, em Jaboticabal, SP, é o pioneiro na adoção do sistema MPB-Meiosi. Iniciou em 2013, implantando 2 linhas de cana e 8 de amendoim, com espaçamento de 50 cm entre as mudas. Hoje o processo de MPB-Meiosi na Fazenda Belo Horizonte já evoluiu para 1 linha de cana para 40 linhas intercalares, com espaçamento de 60 cm entre uma MPB e outra.

Mas Ismael dá como exemplo o resultado de o plantio de 1x20 linhas, com 10 sulcos de cada lado e espaçamento entre as mudas de 60 cm. “Nessa área de 2017, as linhas de cana receberam as mudas pré-brotadas AgMusa™ BASF que foram plantadas em 13 de julho, e são da variedade CTC 9005 HP.  – o plantio da MPB pode ser feito com matraca, ou para áreas acima de cinco hectares, para o plantio de AgMusa™, a BASF realiza o plantio com máquina. É fundamental que haja irrigação logo após o plantio da muda”, alerta o produtor.

O amendoim, plantado no começo de novembro, foi colhido em março, e logo após foi feita a desdobra da linha de cana que cobriu 20 linhas. A colheita da “linha-mãe” e o plantio foram manuais, e utilizou-se em torno de 4,5 toneladas de cana-muda por hectare – bem diferente das 20 toneladas utilizadas por muitas usinas ao realizarem o plantio mecânico. “Isso gera economia em torno de 2 mil a 2,5 mil reais por hectare. Só na operação de plantio”, salienta Ismael. Além, disso, ainda sobra cana, que irá para a usina. “Essa linha de cana tem condição de saída de 1x20 linhas, mas produz cana-muda suficiente para cobrir de 30 a 32 linhas, é que cada touceira tem entre 22 a 25 colmos viáveis, o que resulta em mais de 2 milhões de gemas por hectare, e na multiplicação o que importa é a gema.”

O sistema MPB permite alcançar aumento de eficiência e ganho econômico na implantação de viveiros, replantio de áreas comerciais e expansão e renovação de áreas plantadas de cana-de-açúcar. Entretanto, para a implantação do sistema em grande escala, ainda não é viável, exige, por exemplo, irrigação para o pegamento das mudas, transplantadoras mais eficientes, que cobrem mais linhas simultaneamente, e, para muitos, o custo da muda ainda é alto.

Fonte: CanaOnline




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