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27/02/2018 - Pecuária

Adubação em dobro não garante maior produtividade


Pesquisa da Fundação MT em Nova Mutum mostra que, em solos férteis, aumentar o uso de fertilizantes pode não ter impacto significativo na produção.

Dobrar a adubação no solo não é sinônimo de maior produtividade para a soja -  mesmo quando se coloca um número de plantas maior do que o recomendado -, pelo menos em solos argilosos de Mato Grosso, que já possuem uma boa fertilidade. A conclusão é de uma pesquisa da Fundação MT desenvolvida no campo de Nova Mutum, MT. O estudo, que também analisa arranjo espacial e número de plantas, trabalhou com a adubação padrão em uma área e dobrou as quantidades em outra por quatro anos. “Não tivemos uma grande resposta visualmente ou numericamente; é muito sutil. E essa adubação pesada, do ponto de vista econômico, é inviável”, afirma Claudinei Kappes, pesquisador da Fundação MT.

Segundo Táimon Semler, também pesquisador da entidade, o ganho com o aumento do uso de fertilizantes chegou a no máximo duas sacas por hectare - e em apenas algumas safras. “A rentabilidade extra não paga os custos com os insumos”. Kappes, porém, lembra que o investimento maior sempre tem um benefício: a manutenção ou melhora das condições do solo. “Você está fazendo uma poupança. Vamos supor que os fertilizantes fiquem muito mais caros ano que vem, essa pessoa que fez o dobro de adubação poderia reduzir ou até não aplicar o fertilizante em um talhão desse”. 

A pesquisa surgiu com a dúvida de muitos produtores sobre a necessidade de aumentar a adubação dependendo da quantidade de plantas por hectare. “Não é uma matemática simples”, diz Kappes. Porém, ele faz uma ressalva sobre o padrão de adubação. “Nesse caso, é um solo com uma fertilidade muito boa. Então, ele já está ofertando ‘comida’ para aquelas plantas, mesmo em população alta, para propiciar o mesmo rendimento de um talhão que recebeu duas vezes a adubação. Contudo, em um solo de baixa fertilidade, talvez colocando o dobro de fertilizantes a resposta visual e numérica seja mais intensa”.

A adubação padrão empregada foi de 70 kg/ha de pentóxido de fósforo, 150 kg/ha de óxido de potássio, 42 kg/ha de enxofre e 1 kg/ha de boro. No segundo caso, foi utilizado o dobro desses valores, além de fertilizante foliar completo.

Rearranjo espacial - Além da adubação, a pesquisa trabalhou com diversos espaçamentos e tamanhos de população de cinco cultivares de soja comuns no Estado. O objetivo era avaliar se uma mudança de espaçamento entre linhas e um número maior ou menor de plantas por hectare - em relação ao recomendado pelas fabricantes - poderia impactar positivamente na produtividade. “Muitos defendem que para aumentar o rendimento de soja, é preciso readequar o arranjo espacial, aumentar a quantidade de plantas. Mas isso depende da cultivar. Tem variedade que se você mudar o espaçamento e colocar mais plantas não vai dar resposta”, explica Kappes.

O estudo avaliou espaçamentos de 30 cm, 45 cm, 60 cm e de 30 x 60 cm, ou seja, duas linhas de plantas com intervalo de 30 cm, depois espaçamento de 60 cm, e assim por diante. No quesito número de plantas, os pesquisadores trabalharam com a população recomendada pela empresa e com variações (em porcentagem) desse número para cima ou para baixo.

“Existe uma inconsistência grande de resultados ainda. E, com isso, não compensaria o produtor fugir do espaçamento mais tradicional, de 45 cm, aqui no Estado”, afirma Kappes sobre os espaçamentos. Ele explica que uma mudança poderia até trazer benefícios para a produtividade, dependendo da cultivar, mas demandaria ajustes no maquinário, já que o milho safrinha também costuma ter espaçamento de 45 cm em boa parte de Mato Grosso. “Alterar a semeadora é trabalhoso e desgasta o equipamento”, complementa.

Sobre o número de plantas, os pesquisadores explicam que um ajuste para mais pode ser positivo para a produtividade, mas tudo também depende da cultivar, época de plantio, condições climáticas, solo, entre outros quesitos. Isso porque os números passados pela empresa produtora da variedade podem não estar 100% ajustados para determinada região. “Mas não podemos fazer uma recomendação única, porque podem generalizar para outros municípios e até Estados. Esse posicionamento vem da empresa apenas”, reforça Táimon Semler.

Por: Thuany Coelho

Fonte: Portal DBO




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